13 de setembro de 2020
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Mesmo insuficiente, auxílio emergencial ajuda a segurar o consumo em junho

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 13 de setembro de 2020
Na comparação mensal, o auxílio representou 16,2% da massa salarial efetivamente recebida pelos trabalhadores em junho, diante de uma participação de 14,1% em maio| Foto: Reprodução

A pesquisa mensal sobre as vendas no comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além dos números de junho deste ano, acrescenta pelo menos uma informação relevante para o debate que se segue sobre a ajuda emergencial às famílias mais vulneráveis, que veio tarde, demorou para chegar e ainda sofre com uma execução imperfeita e lenta. Até o dia 10 de agosto, cinco meses depois de instalada a pandemia de Covid-19 no País, o governo havia pago R$ 167,655 bilhões, representando 65,94% de um total de R$ 254,240 bilhões destacados pelo governo para o auxílio emergencial, segundo acompanhamento realizado pela Câmara de Deputados.

Numa aproximação, o valor liberado no período corresponderia a aproximadamente 59% da massa salarial ampliada disponível mensal, numa estimativa própria. No conceito definido pelo Banco Central (BC), a massa salarial ampliada, como se sabe, considera todos os rendimentos do trabalho, mais pensões, aposentadorias, os pagamentos do Bolsa Família e de benefícios de prestação continuada recebidos por idosos e pessoas de baixíssima renda incapacitadas para o trabalho. Não entra na conta o auxílio emergencial, conforme o próprio BC. Acumulada em 12 meses, essa massa de renda atingiu R$ 3,432 trilhões em junho deste ano, o que corresponderia, grosso modo, numa estimativa própria, a um total médio mensal ao redor de R$ 286,0 bilhões.

A edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, lançada pelo IBGE para acompanhar os impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho, também conhecida como PNAD Covid-19, registra o desembolso de R$ 25,9 bilhões em junho com o pagamento pelo governo do auxílio emergencial, praticamente R$ 3,64 bilhões a mais do que em maio, quando as famílias teriam recebido perto de R$ 22,230 bilhões. A entrada desses recursos no orçamento familiar tornou-se um fator de suporte para a demanda em junho passado e ajudou a aliviar a situação do varejo, destacadamente no caso de hiper e supermercados e lojas de materiais de construção.

Relutância cega

Na comparação mensal, o auxílio representou 16,2% da massa salarial efetivamente recebida pelos trabalhadores em junho, diante de uma participação de 14,1% em maio. Sem essa renda extraordinária, que a equipe do superministro Paulo Guedes insiste em reduzir ou cortar definitivamente, a renda das famílias estaria em queda mais profunda, complicando o cenário adiante para a atividade econômica e aprofundando a crise. O número de domicílios onde alguém havia recebido o auxílio avançou de 26,304 milhões em maio, quando representavam 38,67% do total de domicílios no País, para 29,369 milhões no mês seguinte, numa variação de 11,65% (mais 3,065 milhões de domicílios). Naquele mês, conforme a PNSD Covid-19, em torno de 43,0% dos domicílios passaram a registrar ao menos uma pessoa favorecida pelo auxílio.

Balanço

·   Ainda como influência positiva sobre o varejo ampliado, que contempla lojas de varejo tradicionais, concessionárias de veículos, motos e autopeças e o segmento de materiais de construção, o IBGE observa que junho deste ano trouxe dois dias úteis a mais do que o mesmo mês do ano passado. Esses fatores ajudaram a conter a redução das vendas no varejo amplo em apenas 0,9% frente a junho de 2019, contrabalançando a perda de R$ 9,4 bilhões causada pela redução de 4,4% registrada pela massa real de rendimentos habitualmente recebidos pelos trabalhadores e pela menor circulação de pessoas, a despeito das medidas de afrouxamento adotadas por várias regiões.

·   Entre as empresas que responderam o questionário em junho, quase um terço (32,9%) relataram impactos causados pelo distanciamento social, abaixo dos 44,5% anotados um mês antes e bem menor do que os 63,1% alcançados em abril.

·   A redução de 0,9% em junho, quarta baixa consecutiva para o setor, foi influenciado pelas perdas de 13,7% nas vendas de veículos, motos e peças, de 44,5% nas lojas de tecidos, vestuário e calçados e de 16,3% nas vendas de combustíveis. A compensação veio das altas de 6,4% nas vendas dos hiper e supermercados (incluindo alimentos, bebidas e cigarro), de 22,8% nas vendas de materiais de construção e de 25,6% no setor de móveis e eletrodomésticos (que vinha de quedas de 35,7% em abril e de 8,0% em maio, sempre em relação ao mesmo período de 2019).

·   Na comparação em igual período imediatamente anterior, as vendas do varejo ampliado avançaram 19,2% em maio e 12,6% em junho, indicando alguma desaceleração. O varejo restrito, sem veículos e materiais de construção, avançou 0,5% em relação a junho do ano passado e 8,0% na comparação com maio deste ano, fechando o primeiro semestre em queda de 3,1%. No varejo ampliado, o resultado do semestre ficou negativo em 7,4%.

·   Em Goiás, as vendas apresentaram desaceleração mais vigorosa, embora o número de domicílios favorecidos pelo auxílio emergencial tenha crescido um pouco mais do que na média do restante do País. Na comparação com o mês imediatamente anterior, as vendas no varejo restrito e no comércio ampliado haviam crescido respectivamente 18,9% e 22,8% em maio (o que se compara com a retração de 17,1% e de 20,5% anotada em abril). Em junho, a variação, seguindo a mesma ordem, foi de 4,5% e de 2,3%.

·   Na comparação com junho de 2019, as vendas baixaram 3,2% no varejo restrito e 3,9% no ampliado, encerrando o semestre com retração de 6,2% e de 7,1% respectivamente.

·   O número de domicílios com auxílio emergencial cresceu de 914,39 mil em maio para 1,031 milhão em junho (12,8% a mais). Os valores emergenciais recebidos subiram de R$ 729,16 milhões para R$ 868,84 milhões, em alta de 19,2%.

 

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