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coluna Econômica

Para IMB, baixa no PIB goiano ficou limitada a 2,4% no segundo trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 18 de outubro de 2020
A despeito dessa resiliência inferida a partir das séries estatísticas do órgão estadual, os números foram bem piores do que aqueles registrados no segundo trimestre de 2019| Foto: Reprodução

Caso as projeções ainda preliminares do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB) venham a ser confirmadas mais adiante, a economia goiana teria demonstrado, no segundo trimestre deste ano, maior resiliência do que sugerem os dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o restante do País. Em informe técnico divulgado na quarta-feira, 16, o IMB antecipa a previsão de um recuo de apenas 2,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás na comparação com o segundo trimestre do ano passado, no pior resultado para o período desde 2017, mas ainda assim muito mais “leve” do que o tombo de 11,4% identificado para o total das riquezas geradas pelo País em igual período.

A despeito dessa resiliência inferida a partir das séries estatísticas do órgão estadual, os números foram bem piores do que aqueles registrados no segundo trimestre de 2019, quando a estimativa do IMB chegou a apontar crescimento de 2,8% para o PIB local, diante da variação de 1,1% no conjunto dos demais Estados brasileiros. A economia goiana teria encerrado 2019 com alta de 2,5%, apresentando um ritmo mais de duas vezes superior aos números médios registrados pelo País, com o PIB avançando somente 1,1%.

Até o segundo trimestre deste ano, ainda em Goiás, quedas menos intensas para a indústria e para os serviços e um avanço mais vigoroso para a agropecuária, sempre em relação aos resultados médios alcançados por aqueles setores em todo o País, conforme o IMB, ajudam a entender os números menos ruins registrados no Estado. O setor agropecuário elevou seu PIB em 4,7%, apontando alguma acomodação depois do salto de 18,0% operado no primeiro trimestre deste ano, com a intensificação dos trabalhos de colheita das safras de verão. Aquelas taxas se contrapõem a variações de 1,9% e de 1,2% no primeiro e segundo trimestres alcançadas pela agropecuária em todo o País. A redução do PIB, acrescenta o IMB, “em parte, (...) se deve às medidas de isolamento social adotadas pelos governos na tentativa de conter a pandemia da Covid-19. No período muitas atividades econômicas não essenciais permaneceram fechadas, afetando, também, a renda das famílias e influenciando os resultados obtidos”.

Estrago menor?

Conforme a nota do IMB, “as estimativas mais atualizadas referentes à produção agrícola para o ano de 2020 mostram recuperação na produção e produtividade da soja, na comparação com o ano anterior, alcançando taxas de 16,0% e 11,1%, respectivamente. Além disso, a cana de açúcar apresentou aumento da produção e produtividade, sendo uma cultura importante para a economia goiana”. A participação do setor no valor agregado ao PIB regional, no entanto, é baixa, girando ao redor de 11,3%. Por isso, a contribuição mais relevante, considerando-se as estimativas apresentadas pelo instituto, veio do menor estrago causado pela pandemia na indústria e no setor de serviços em Goiás, em termos proporcionais. Isso não significa que aqueles setores tenham sido poupados pela crise sanitária.

Balanço

·   A participação mais relevante da indústria de alimentos em sua composição, representando perto de 39,0% do valor da transformação industrial, contribuiu para que o PIB industrial tivesse apresentado redução de 2,1% no segundo trimestre, enquanto todo o restante da indústria brasileira mergulhava num tombo histórico de 12,7%.

·   Apenas como referência, a fabricação de produtos alimentícios experimentou crescimento de 8,2% entre o segundo trimestre de 2019 e igual período deste ano, com altas ainda de 9,2% para a produção de medicamentos – outro segmento “favorecido” pela crise, diante da maior demanda por seus produtos.

·   Houve empurrão ainda da indústria extrativa, que ampliou sua produção em 15,9% no segundo trimestre, diante de variação limitada a 2,1% para o conjunto da indústria de transformação. O crescimento do setor de extração mineral, conforme o IMB, deve ser creditado ao aumento na produção de fosfatos e pedra calcária.

·   Num prenúncio de que pode vir adiante, a produção industrial no Estado recuou 0,3% na saída de junho para julho, mostrando agora desempenho inferior à média brasileira, que avançou 8,0% no mesmo intervalo. Mas, na comparação com julho de 2019, enquanto o setor sofreu perda de 3,0% no País, em Goiás foi registrado avanço de 4,0%.

·   No acumulado entre janeiro e julho deste ano, em relação aos mesmos sete meses de 2019, a produção industrial goiana anotou leve incremento de 1,7% (mas acima da retração de 9,6% anotada para todo o restante do setor no País). Descontada a indústria de alimentos, no entanto, a produção dos demais segmentos da indústria goiana teria recuado 0,22%.

·   O PIB do setor de serviços no Estado, que responde por 67,0% de toda a economia, encolheu de forma modesta, se for considerada a queda de 11,2% registrada no País. Aqui, a redução ficou limitada a 3,9%, num percentual que à primeira vista parece não fazer muito sentido quando se considera que as medidas de afastamento haviam sido mais duras em abril e parte de maio, atingindo com maior rigor restaurantes, bares, hotéis, turismo e todo leque de serviços prestados às famílias, principalmente.

·   Aparentemente, a “compensação”, de certa forma, veio do comportamento das vendas no varejo “ampliado”, que inclui concessionárias de veículos e motos, revendas de peças e de material de construção, além das lojas varejistas mais convencionais. O setor encolheu 13,7% no segundo trimestre, abaixo do retrocesso verificado em todo o País, na faixa de 15,0%.

·   Em junho e julho, no entanto, a atividade no setor de serviços, em Goiás, sem considerar as vendas do comércio, sofreu baixas de 13,0% e de 14,5%, pela ordem, num ritmo mais forte do que o nacional (quedas de 12,2% e de 11,9% respectivamente). Nos primeiros sete meses deste ano, os serviços encolheram 9,8% em Goiás e 8,9% na média brasileira.

 

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