coluna Giramundo

As mulheres que influenciam a política internacional nos dias de hoje

Publicado por: Marcelo Mariano | Postado em 08 de abril de 2021
Em cima (da esq. para dir.): Jacinda Ardern, Ngozi Okonja-Iweala e Angela Merkel; embaixo: Aung San Suu Kyi, Michelle Bachelet e Kamala Harris | Fotos: Reprodução

Marcelo Mariano*

O Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março porque foi nessa data, em 1917, que Alexandra Kollontai organizou um protesto de mulheres responsável por ajudar a derrubar o então czar da Rússia, Nicolau II.

Mais tarde, em 1975, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Em outras palavras, a data tem tudo a ver com relações internacionais.

No dia de hoje, portanto, vale a pena abordar o assunto do ponto de vista da política internacional. Atualmente, dos 193 países-membros da ONU, apenas 23 têm uma mulher eleita como chefe de governo ou de Estado.

No Legislativo, embora representem mais da metade da população mundial, mulheres são maioria em somente três países: Ruanda, na África; Cuba, na América Latina; e Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio.

O voto feminino, em muitos lugares, é bastante recente. Na Suíça, localizada no coração da Europa, as mulheres conquistaram esse direito só em 1971. No Brasil, foi em 1934.

Há muitas mulheres competentes que ficam de fora da política por causa de sistemas injustos. E as que conseguem entrar frequentemente são alvos de piadas machistas e até mesmo assédio, como ocorreu recentemente com Isa Penna, uma deputada estadual de São Paulo que teve os seios apalpados por outro parlamentar em pleno ambiente de trabalho.

Ainda há um longo caminho a percorrer para que exista, de fato, uma igualdade de condições. Apesar disso, hoje, mulheres de diferentes pensamentos ideológicos se destacam e influenciam a política internacional.

Pensando nisso, elaborei uma lista, baseada em uma representação regional, com seis exemplos – óbvio que existem muito mais.

Em primeiro lugar, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, no cargo desde 2005. De lá para cá, ela comandou a maior economia da Europa durante três momentos delicados: a crise de 2008, o fluxo de refugiados e, agora, a pandemia do novo coronavírus. Merkel deixa o poder ainda em 2021.

Do outro lado do Atlântico, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris. Como vice, ela acumula a função de presidente do Senado, que está literalmente dividido entre democratas e republicanos. Logo, Harris terá o voto de desempate em muitas discussões importantes.

Na Oceania, o destaque é a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, cuja empatia chamou a atenção do mundo à época do ataque terrorista de um supremacista branco contra muçulmanos em Christchurch, no sul do país, em 2019. Mais recentemente, Ardern também ganhou as manchetes internacionais por seu efetivo combate à Covid-19.

Na Ásia, Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, foi deposta por meio de um golpe militar no início de fevereiro, mas manifestantes seguem nas ruas pedindo sua volta ao poder e a restauração da democracia em Mianmar. As mulheres, aliás, estão na linha de frente dos protestos.

Também em fevereiro, a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, ex-ministra das Finanças de seu país e com uma carreira de mais de 20 anos no Banco Mundial, tomou posse como diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ela terá o enorme desafio de liderar a OMC em um mundo com crescente tensão comercial entre Estados Unidos e China.

Por fim, a chilena Michelle Bachelet, ex-presidente de seu país em duas oportunidades. Desde 2018, ela é a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, com a missão proteger os direitos humanos e denunciar suas violações em todo o mundo, batendo de frente com vários líderes autoritários.

Há, claro, possíveis críticas a todas elas – afinal, são políticas. Suu Kyi, por exemplo, é acusada de fazer vista grossa ao genocídio da minoria étnica Rohingya. Mas, acima de tudo, é preciso respeitá-las, assim como todas as outras mulheres do mundo.

*Assessor internacional da Prefeitura de Goiânia e vice-presidente do Instituto Goiano de Relações Internacionais (Gori). Escreve sobre política internacional às segundas-feiras. 

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