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Só há vacina se houver relações internacionais

Publicado por: Marcelo Mariano | Postado em 22 de abril de 2021
A boa diplomacia garante vacinas, hospitais menos cheios e pessoas circulando e consumindo mais | Foto: Jernej Furman/Flickr

Marcelo Mariano*

Só tem uma coisa na cabeça dos brasileiros que querem tanto a saúde quanto a economia de volta ao normal: vacinas. Para isso, as relações internacionais são essenciais.

No domingo, dia 21 de março, o Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota, em conjunto com o Ministério da Saúde, sobre a chegada ao Brasil de novas doses de vacinas, adquiridas via Covax Facility.

São pouco mais de um milhão de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, produzidas pelo laboratório sul-coreano SK Bioscience. Ao todo, o Brasil deve receber, até maio deste ano, 9,1 milhões de doses dessa vacina por meio da Covax Facility.

Em resumo, a Covax Facility é um consórcio que busca garantir uma distribuição de vacinas mais justa aos países em desenvolvimento. Não adianta só os mais ricos se vacinarem. O mundo só estará livre da Covid-19 se todos os países estiverem livres.

E esta é uma iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em outras palavras, é a força do multilateralismo em um mundo com muitos países cada vez mais olhando para dentro de suas próprias fronteiras.

A OMS é uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU). A propósito, vale destacar que o Brasil, ao lado de Noruega e China – à época, representada pelo que hoje é Taiwan –, teve participação importante na origem da OMS.

Em 1945, ano de fundação da ONU, delegações desses três países propuseram a criação de uma organização dedicada à saúde dentro do sistema das Nações Unidas. Como respeito a esse legado, não seria positivo se um dia o Brasil virasse as costas para a OMS.

Aliás, como respeito a toda a história da diplomacia brasileira – e diante das atuais circunstâncias de necessidade em adquirir vacinas o mais rápido possível –, o Brasil não deve virar as costas para ninguém.

A boa diplomacia, hoje, é capaz de garantir vacinas, o que consequentemente resulta em hospitais menos cheios e pessoas circulando e consumindo mais.

E a boa diplomacia não deve vir só do Executivo. Legislativo, estados, municípios e até mesmo os setor privado também podem dialogar com outros países e laboratórios estrangeiros.

É o que faz, por exemplo, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), demonstrando a importância da paradiplomacia. Não necessariamente como uma confrontação ao governo federal, mas, sobretudo, como um complemento.

Quanto mais vacinas, mais rápido sairemos dessa. Quanto mais pessoas buscando soluções, mais vacinas teremos. Quanto mais relações internacionais, mais saúde e mais economia.

*Assessor internacional da Prefeitura de Goiânia e vice-presidente do Instituto Goiano de Relações Internacionais (Gori). Escreve sobre política internacional às segundas-feiras.

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