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13/01/2018 | 06h00
Idosos que não alimentam, adoecem
Alimentação é considerada problema entre pessoas da terceira idade. Em contrapartida, dieta rica em vitaminas pode proporcionar maior longevidade

Marcus Vinícius Beck*


O percentual de idosos que apresentam problemas com alimentação atinge mais de 32% na América Latina. Dos ouvidos por pesquisadores de uma revista científica, 60,3% diz ter dieta pobre em vitaminas. Apenas 6,8% cuidam adequadamente da alimentação. Entretanto, ao serem questionados sobre a prática de atividades físicas, 35,6% afirmou que faz exercícios pelo menos três vezes por semana. Mesmo diante de muitos problemas corriqueiros à faixa etária, é comum de se deparar com os que não perderam a vontade de viver e dispensam o rótulo de “terceira idade”.

Mas outros, por conta de problemas, acabam deixando de lado a vontade de viver. De acordo com a nutricionista Paulinne Corrêa Moreira, do SPA Relancer, é normal se deparar com pessoas acima dos 60 anos que enfrentam problemas alimentares. “Há algumas coisas bem comuns em idosos que levam a baixa alimentação, como a quantidade de medicamentos que eles ingerem”, explica Moreira. Para ela, que atende tanto pacientes vaidosos e outros que “já perderam a alegria”, a ingestão excessiva de medicamentos é prejudicial à saúde, e acaba por afetar o paladar do idoso. 

Por outro lado, a nutricionista garante que muitos procuram se cuidar. Segundo Paulinne, quem chega à terceira idade precisa estar atento aos alimentos que possuem altas concentrações de vitamina, que lhes proporciona “ingestão de proteínas”. “É recomendável que se procure alimentos ricos em fibras e minerais”, pontua a especialista. Frutas e verduras, assevera ela, são indispensáveis para a dieta dos idosos, que devem procurar “alimentar as bactérias boas do intestino” por meio de comidas específicas. 

De acordo com a nutricionista, além dos cuidados serem essenciais à saúde, ingerir água também é indispensável. “Frequentemente, os idosos se esquecem de beber água, e isso afeta o bem-estar deles”, frisa. Mas o adequado para que eles obtenham boa qualidade de vida são as horas de sono. “Dormir bem, ter uma boa qualidade de sono, cuidar dos dentes para ingerir uma boa mastigação são cruciais para quem está na terceira idade”, recomenda. “Condimentos naturais como orégano, alho, cebola e limão também são importantes”, finaliza.


Idosos

“Todos nasceram velhos – desconfio/ Em casas mais velhas que a velhice/ em ruas que existiram sempre – sempre/ assim como estão hoje”, escreveu Carlos Drummond de Andrade, em “O velho”, poema publicado em livro de 1986, quando ele tinha 86 anos. Se, na poesia, todos nasceram velhos, na vida o mesmo não se aplica. Idosos ouvidos pelo jornal O Hoje durante a última semana queixaram-se de que a terceira idade traz sabedoria, mas também há seu peso, que muitas vezes vem acompanhado dores e uma série de preocupações. 

A autônoma Sebastiana Alves Barcellos, 71, procura tomar cuidado com a alimentação. Adepta de exercícios físicos, ela faz uma alimentação pesada de manhã e, nos outros períodos do dia, “dou uma diminuída”. De acordo com Sebastiana, que é conhecida pelas amigas como ‘Tiana’, o segredo é ingerir bastante proteínas, como carne branca. “Carne vermelha é apenas duas vezes por semana”, relata a autônoma, que também faz pilates, ioga e enaltece que nunca adoeceu fisca e psicologicamente. “O segredo é ser alegre e de bem consigo mesma”, completa, arrebatando: “E é fundamental cuidar do emocional”. 

Por sua vez, a aposentada Marli Juraci Machinski, 72, segue os passos de Sebastiana. Ambas não se conhecem, mas têm praticamente as mesmas preocupações com a alimentação. Para Marli, que é pedagoga aposentada, a dieta necessita de ser rica em proteínas. “Evito bebidas alcoólicas”, declara. Segundo Marli, o segredo para a qualidade de vida está em produtos naturais. “Como sou obesa, há alimentos que não posso comer”, frisa. Outro ponto crucial, de acordo com aposentada, é a ingestão de líquidos – naturais, de preferência. “Ajuda a fazer os rins trabalharem”, garante.

Conhecida de Marli, a aposentada Laeti de Souza Tavares, 67, também preocupa-se com os alimentos que ingere. De acordo com ela, a alimentação conta muito “sobre nós” e, por isso, é essencial “atentar-se para o que comemos”. “Raramente eu como alimentos que contém gordura”, explica ela, que quase não tem problemas de saúde. Alimentar-se com consciência, para Laeti, é o principal fator para a “longevidade e qualidade de vida”. “O psicológico também é um dos fatores primordiais para uma melhor qualidade de vida”, pondera, acrescentando: “A alimentação diz tudo sobre quem você é”. 


Alimentação sem vitaminas é a causa de mortes por doenças cardiovasculares 

Mudanças nos hábitos alimentares poderiam evitar a metade das mortes em decorrência de doenças cardiovasculares. Segundo um estudo publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a deficiência ou a ingestão exagerada de carnes vermelha explicam 45% das 702.308 mortes contabilizadas nos Estados Unidos em 2012 por infarto, derrame e diabetes. Os dois primeiros, diz a OMS, estão no topo do ranking de mortalidade global. 

Independentemente de sexo, idade e etnia, os hábitos não saudáveis tiveram alguma relação com o risco das mortalidades. Todavia, essa associação foi maior entre pessoas mais jovens, negros e hispânicos e com nível de escolaridade baixo/médio. Entre os portadores de diabetes, o que mais influenciou negativamente foi o sódio, seguido por carnes processadas, bebidas açucaradas e carne vermelha, que contribuíram para o desenvolvimento de várias enfermidades ligadas ao diabetes. 

Em contrapartida, o consumo adequado de nozes/sementes, gorduras ômega – 3, frutas e grãos integrais, nesta ordem, foi associado aos índices mais baixos de mortalidade. Quanto à idade, bebidas como refrigerante foram o fator mais impactante na morte por doenças cardiometabólicas entre pessoas de 25 a 64 anos. Acima de 65 anos, o sódio excessivo foi quem desempenhou o papel de vilão. 


Apetite sexual

“Amor é privilégios de maduros/ estendidos na mais estreita cama/ que se torna a mais larga e mais relvosa/ roçando, em cada poro, o céu do corpo”. Os versos de Carlos Drummond traduzem com fidelidade uma pesquisa do Datafolha. Divulgada em novembro do ano passado, o levantamento ouviu 2.732 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. Mas o que chamou a atenção foi o índice entre idosos. Na faixa de 55 a 59 anos, 75% disse que costumam ter relações sexuais. Entre 60 e 70 anos, o índice cai a 58% e, depois, a 43% de 71 a 80 anos. 

A redução da atividade sexual está ligada questões biológicas e sociais. Na menopausa, a mulher deixa de produzir hormônios responsáveis pela lubrificação da vagina, o que pode provocar dor durante as relações sexuais. Já entre homens, há uma queda na produção de testosterona, hormônio responsável pelo desejo sexual. Mas a boa alimentação é um dos fatores que podem auxiliar na volta do desejo. (Marcus Vinícius Beck é estagiário do jornal O Hoje, sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian) 

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