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Cidades

Vandalismo em postes deixa avenidas no escuro em vários bairros da Capital

Postado em: 24-01-2019 as 06h00
Pontos sem iluminação atrapalham usuários que precisam transitar por importantes vias da Capital

Thiago Costa 

Embora a Enel Distribuição Goiás não informe a quantidade de fios elétricos furtados em Goiânia, essa prática para obter lucro com a venda do cobre dos fios usados na distribuição de energia para a Capital causa medo e prejuízo à população que transita por importantes vias da Capital. Um problema antigo que gera transtornos à rotina de motoristas, trabalhadores e estudantes que precisam passar a essas avenidas, principalmente em períodos de pico e durante a noite. 

Há quatro anos a estudante universitária Tainá Lully passa pela Avenida Perimetral todos os dias para chegar à instituição de ensino que fica por lá. A estudante afirma que na avenida existem muitos carros que passam pela via sem o uso dos faróis, não apenas durante o dia, mas também em períodos noturnos, o que atrapalha diretamente a visibilidade entre os usuários.

Tainá conta que muitos condutores não se preocupam com o farol de seus veículos estragados, inclusive os caminhoneiros, que podem gerar riscos ainda maiores em casos de acidentes com veículos menores.

De acordo com a estudante, pela escuridão em alguns trechos da via, o risco de acidentes aumenta. Tainá reclama que só consegue enxergar os empecilhos que podem acontecer na via quando o perigo está bem à frente, por conta da falta de iluminação em trechos da Avenida Perimetral. “Muitos motoqueiros sofrem acidentes nesse trajeto, justamente por falta dessa iluminação. Tudo se complica quando chove”, denuncia a estudante. 

Segundo a estudante, árvores caem em vários trechos, principalmente em períodos chuvosos, que é uma época que requer mais atenção por parte dos motoristas que passam pela região. Tainá explica que todos esses problemas causados pela falta de iluminação se agravam mais ainda para os motoristas em períodos chuvosos e em horários de pico que, quando não é horário de verão, a estudante demora em média uma hora para passar pela via e chegar à universidade. 

Na volta para casa a estudante é novamente ‘refém’ da Perimetral e, como as aulas terminam às 22h30, Tainá opta pelo farol alto para não se envolver em acidentes pelos riscos que a via a oferece, principalmente nos trechos mal iluminados. 

Em fevereiro de 2018 duas histórias envolvendo a ausência de iluminação em algumas localidades da Avenida Perimetral Norte, chamaram a atenção, principalmente em frente a uma universidade instalada na região, quando alunos reclamavam do elevado número de assaltos sofridos por conta da falta de iluminação, sem contar nos acidentes que aconteciam por ali. 

Avenida Goiás

Maycon Jonatha é engenheiro químico e atualmente estuda na região central para ser técnico em segurança do trabalho. O estudante conta que na Avenida Goiás, nas proximidades da rodoviária da Capital, a iluminação é precária e a ausência de iluminação em trechos que específicos, como dos pontos os ônibus atrapalham seus colegas que precisam recorrer ao transporte público.

Embora ele tenha o carro próprio e consiga sair desses trechos mal iluminados com maior rapidez em relação aos seus colegas, Maycon garante que o perigo não é apenas para quem precisa aguardar o transporte público, já que, enquanto ele fica parado no semáforo nessas regiões com pouca ou ausência de iluminação, teme não ver possíveis perigos, como assaltantes que o surpreendam. 

O estudante afirma também que nos dias que não há a movimentação da Feira Hippie, que acontece durante o final de semana, a localidade é menos iluminada ainda. Ele, que também trabalha em um aplicativo de carona, garante que a falta de iluminação em importantes avenidas da Capital atrapalham a vida de todos os goianienses. 

Em seu trabalho para um aplicativo de transporte para passageiros, que nessas férias escolares se intensificou no período noturno, Maycon reclama também da Avenida Anhanguera que é muito perigosa graças aos pontos de pouca iluminação. O estudante afirma não parar em locais escuros para aguardar entre uma viagem e outra, ele prefere continuar em seu carro e prosseguir para ambientes mais iluminados, mesmo sem passageiros, o que o faz perder um pouco do lucro. 

Furtos 

Em julho de 2018 um prestador de serviços para a Enel Distribuição foi preso enquanto tentava, com a ajuda de um comparsa que também prestava serviços para a empresa, furtar fios no município de Trindade, Região Metropolitana da Capital. Utilizando do carro oficial da empresa e uniformes, os suspeitos chegaram ao local com os faróis desligados, tiraram do carro uma escada e cortavam os fios com um alicate. 

A ação dos prestadores de serviço não teve êxito graças a um segurança que trabalhava próximo ao local onde o crime acontecia e entrou em contato com a Polícia Militarque foi ao local e conseguiu prender um dos suspeitos. 

À época, após a realização de buscas onde os policiais encontraram os suspeitos foram encontrados cerca de 300 metros de fios já cortados com a suspeita de terem sidos retirados de várias ruas do Residencial Solange Park, bairro que à época estava em construção e ainda não constava no mapa do município.  

Problemas com falta de iluminação são frequentes 

Em abril de 2018 moradores do Setor dos Estados e do Virgínia Park, em Aparecida de Goiânia, protestaram quando ficaram sem energia elétrica há 18 dias. Uma moradora reclamou, inclusive, que faltava água em casa, porque, com a ausência de energia, a dona de casa não tinha a possibilidade de ativar a bomba da cisterna, principal fonte de água da residência. 

Na ocasião, moradores chegaram a ganhar na Justiça o direito de ter a energia de volta e reclamaram que a empresa responsável, a Enel, os informou que as equipes estavam no local, mas os moradores afirmavam que ninguém os via trabalhando para regularizar a situação. 

Em resposta na época, a Enel informou que existiam apenas 200 moradores regularizados e 800 clandestinos, que, por conta do maior número de moradores utilizando a energia de forma irregular provocava o ‘desarme’ do transformador que alimenta o setor, causando a queda no fornecimento de energia. 

A empresa destacou, também, que para normalizar o atendimento aos que pagam suas contas em dia seria necessário instalar mais transformadores pela região, mas que uma determinação da Justiça impedia a ampliação da rede, já que a região é considerada área de preservação ambiental.  

Em 2019, Procon Goiás já recebeu 184 reclamações contra Enel 

Nos primeiros 21 dias deste ano, o Procon Goiás registrou 184 reclamações de consumidores contra a Enel Distribuição Goiás. Dentre os atendimentos, 80 estão relacionados a cobranças indevidas no fornecimento de energia elétrica. Uma interrupção no serviço ocorrida no dia 12 de janeiro resultou em várias queixas de moradores e comerciantes de várias regiões de Goiânia.

Entre os dias 16 e 18, fiscais do órgão estiveram em diversos estabelecimentos comerciais e residências da capital. De acordo com o Procon, foi constatada a má prestação do serviço nos setores Cidade Jardim, Estrela Dalva e Parque Eldorado Oeste.

Os fiscais também verificaram prejuízos causados pela queda do fornecimento de energia. Muitos consumidores tiveram danos em aparelhos de TV, geladeira, motores elétricos de portão, dentre outros equipamentos. O valor estimado chega a quase R$ 40 mil.

Foi monitorado também o Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC), sendo constatado que o tempo para o atendimento tem sido descumprido. O Procon anunciou que neste primeiro momento, a Enel será notificada para que tome conhecimento dos fatos e adote providências.

Danos em aparelhos

O Procon Goiás declara que os usuários que tiveram algum tipo de prejuízo com a interrupção dos serviços de energia elétrica, podem entrar em contato com a Enel solicitando o ressarcimento. A partir do contato, a empresa tem dez dias corridos para inspecionar o equipamento danificado. Em caso de aparelhos que acondicionam produtos alimentícios ou medicamentos, o prazo é de um dia útil.

A distribuidora de energia deve informar ao consumidor o resultado da solicitação, através de documento padronizado, no prazo de quinze dias a partir da data da vistoria. No caso de deferimento, a Enel deve ressarcir, em até vinte dias, por meio do pagamento ou realizar o conserto e/ou substituição do equipamento do cliente.

Por meio de nota, a Enel esclarece que “presta atendimento a todas as solicitações realizadas no Procon e reforça que equipes especializadas realizam esclarecimentos ao órgão”. A empresa informou que o número destes atendimentos é equivalente a menos de 1% (0,0061%) dos clientes da distribuidora”.

 

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