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Abadiânia aposta na pesca como salvação

Postado em: 20-07-2019 às 06h00
Levantamento aponta que houve queda nos lucros e fechamento de comércios, após a prisão do médium João de Deus

Daniell Alves

O município de Abadiânia, com cerca de 18 mil habitantes, precisa se reerguer após a prisão do médium João de Deus. De acordo com levantamento feito por empresas, foram fechados mais de 45 comércios na cidade devido às acusações envolvendo o médium. Os negócios também tiveram queda de quase R$ 1 milhão de lucros. Uma das apostas para ajudar a reconstruir o município será um campeonato de pesca esportiva.

O evento, previsto para outubro, pretende despertar o turismo náutico e de pesca esportiva na região, colocando o município no cenário nacional. Ainda não há uma previsão do valor que o Estado estima destinar para investir em Abadiânia, por meio do campeonato. A programação vai contar com parceria da Agência de Turismo de Goiás, prefeitura e entidades. O circuito de torneios de pesca irá abranger outros municípios das Regiões dos Lagos do Paranaíba e Vale da Serra da Mesa.

Anteriormente, o município recebia por mês cerca de 10 mil fiéis em busca de orações e cirurgias do "João curador" - número equivalente a quase metade do total de seus habitantes. Hoje, a quantidade de visitantes não chega nem perto.

Na avaliação do presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, o município possui um grande potencial de consumo. “A ideia é fechar muitas parcerias para realização do campeonato. Nós iremos fazer um aporte financeiro, além de parcerias com empresas como o Sebrae, que será convidada para participar do projeto”, afirma ele.

Embora seja uma alternativa para levar desenvolvimento ao município, somente o turismo não consegue reconstruir Abadiânia. A cidade, que antes dependia apenas do turismo religioso para sobreviver, precisa encontrar outro ramo para promover desenvolvimento. Fabrício afirma que o Estado deve atuar em todas as áreas para que o planejamento de reconstrução tenha continuidade. “Eu acho muito importante envolver a população. Várias alternativas vão ser utilizadas, como a implantação de indústrias e empresas”, frisa.

De acordo com Fabrício Amaral, o campeonato vai contribuir com uma significativa geração de renda e visitação de turistas no município. “O turismo é um grande aliado porque proporciona resultados imediatos. A distribuição de renda ocorre de forma instantânea já que as empresas, de um modo geral, são pequenas e geram empregos”, acredita ele.   

Impactos negativos

Dados revelam, também, que o faturamento mensal das empresas de Abadiânia caiu 38% desde a crise gerada a partir das denúncias voltadas ao João de Deus. Em 2017, os negócios pesquisados geraram R$ 2,4 milhões. No ano passado, até novembro, o montante chegou a R$ 2,5 milhões. Neste ano, esse valor não passou da casa de R$ 1,6 milhão.

Como era de se esperar, as maiores perdas das empresas formalizadas e próximas à Casa Dom Inácio foram as do setor de hospedagem: o faturamento caiu 85% entre dezembro de 2018 e março de 2019. Mas o cenário ruim atingiu toda a cidade. O ramo do vestuário e da confecção também sofreu perdas de 85%. O setor de alimentação encolheu 53%. No mercado informal, o artesanato reduziu o faturamento em 83%. Lanchonetes, restaurantes e cafés sofreram perdas de 67%. (Daniell Alves é estagiário do Jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian)

 

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