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Cidades

Atividades alternativas melhoram aprendizado

Postado em: 14-08-2019 às 06h00
Professor adotou atividades de circo e horta nas aulas de educação física e floresceu a vida saudável. Foto: Wesley Costa

Igor Caldas

O professor de Educação Física, Sérgio Herculano, plantou sementes da vida saudável na Escola Municipal Profº Marília Carneiro Azevedo Dias, no Jardim Guanabara III. Ele colhe os frutos junto com as crianças e suas famílias.  Desde o ano passado, o educador implementou atividades alternativas nas aulas de educação física. O circo como exercício e a participação das crianças na manutenção de uma horta escolar na área aos fundos da escola. Atualmente, a escola integra dois projetos com aportes financeiros externos, todos ligados a sustentabilidade e vida saudável.

“Eu comecei a trabalhar com atividades circenses porque no currículo de educação física trabalhamos vários elementos presentes no circo: a ginástica, o equilíbrio, a coordenação motora, desenvolvimento da força e concentração. Tudo isso faz parte dessa atividade física e artística. A ideia da horta veio porque tenho uma carga horária diferenciada. Tenho que vir pela manhã três vezes na semana e sugeri o manejo de horta para a merenda escolar”. O professor afirma que o trabalho de plantio começou no ano passado.

Sérgio descobriu que estava com um projeto pronto para uma iniciativa da Fundação Nestlé Brasil, que oferece todos os anos o Prêmio Crianças Mais Saudáveis, criado com o objetivo de estimular comportamentos saudáveis em alunos das escolas públicas brasileiras. “Eu já estava com o projeto do concurso pronto, já trabalhava com horta e circo. Nós nos inscrevemos, mandamos o vídeo e fomos selecionados entre 10 escolas de 823 que também se inscreveram no concurso”.

Além de troféu e certificado, os educadores vencedores contam com acompanhamento, capacitação técnica e suporte ao longo da implementação dos projetos selecionados. Para aplicação de benfeitorias de adequação das escolas ao planejamento de cada idealizador, será concedido um prêmio em dinheiro no valor de R$ 35 mil.

“É um projeto de viver de maneira saudável. No curso a gente aprendeu toda parte pedagógica de como desenvolver esse projeto. São 280 alunos que fazem parte do projeto, mas 60 estudantes vão participar da apresentação circense dia 19 de outubro na escola. Esse tempo todo estamos ensaiando os elementos do circo nas aulas de educação física”, explica Sérgio

No palco montado dentro da escola vai ser apresentado números de ginástica, rola-rola malabarismo diabolô, monociclo, lira, tecido acrobático e números de mágica. Todos os equipamentos e acessórios profissionais de circo usados na apresentação foram comprados com o aporte financeiro do Prêmio. Por enquanto, os garotos estão usando equipamentos feitos com material reciclável, mas os novos chegarão à escola na próxima semana. “As crianças já estão muito empolgadas com os equipamentos improvisados, quando chegarem os novos, profissionais, eles vão ficar loucos”, aposta o educador.

Sérgio Herculano relata que desde a aplicação desse tipo de atividade na escola, muitas crianças despontaram no desenvolvimento escolar. “Algumas crianças eram muito tímidas e agora já se soltaram, outras tiveram melhora no comportamento dentro da sala de aula. Além disso, as atividades também contemplam alguns alunos da escola que são portadores de necessidades especiais [PNE]”.

Professor inicia método de plantio que “imita” a natureza 

O Prêmio Crianças Mais Saudáveis estimula a alimentação orgânica e atividade física. O circo entra como com a parte de exercícios e Sérgio Herculano idealizou a manutenção do sistema de agrofloresta dentro da escola como estímulo para as crianças se alimentarem de maneira correta. A participação dos alunos, do plantio até a colheita, faz com que os pequenos sintam vontade de comer o que plantaram. O professor explica que isso gera o interesse de provar alimentos que antes eles enxergavam com desprezo.

“Da agrofloresta vem a importância de mostrar para os alunos sobre a alimentação orgânica. Eles participam de todo processo. Desde o plantio das sementes, fabricação de mudas e a colheita.  Algumas crianças que participaram nunca tinham comido alface, por exemplo. Daí, como foram eles que plantaram e viram crescer, ficam com vontade de provar e incluem o alimento na dieta cotidiana. Isso que é legal. O envolvimento das crianças na produção melhora a vida delas e da família”.

Somente no último ano foram plantados 800 pés de alfaces que foram utilizados na composição da merenda escolar e na alimentação dos estudantes e suas famílias em casa. Sérgio também implementou a mudança de lembrancinhas doadas em datas comemorativas. “Paramos de dar lembrancinhas de plástico e E.V.A. que são descartadas em casa. Agora a gente entrega mudas como presente. Esse ano foram mais de 700 mudas de pimenta que a gente produziu e eles levaram. No dia dos pais, cada uma levou de 3 a 4 mudas de pimenta. O relato deles vem depois dizendo que estão comendo pimenta ou que a planta está crescendo dentro de casa”.


Sistema resgata agricultura milenar 

De acordo com o portal do Instituto de Permacultura (IPOEMA), um Sistema Agroflorestal, chamado pela abreviação ‘SAF’, é uma forma de uso da terra no qual há o resgate da forma ancestral de cultivo, com a combinação de espécies arbóreas lenhosas como frutíferas ou madeireiras com cultivos agrícolas e/ou animais. Essa composição pode ser feita de forma simultânea ou em sequência temporal, trazendo benefícios econômicos e ecológicos.

Esse sistema ancestral de uso da terra vem sendo praticado por milhares de anos por agricultores de todo o planeta. No entanto, nos anos mais recentes, a agrofloresta também tem sido desenvolvida como uma ciência que se compromete na ajuda de agricultores a incrementar produtividade, rentabilidade e sustentabilidade em suas terras.

Esse sistema de produção agrícola imita o que a natureza faz normalmente, com o solo sempre coberto pela vegetação, muitos tipos de plantas juntas, uma ajudando a outra na distribuição de nutrientes, sem passarem por problemas de “pragas” ou “doenças, o que dispensa o uso de venenos. Na agrofloresta, encontra-se uma mistura de culturas anuais, árvores perenes, frutíferas e leguminosas, além de criação de animais e a própria família de agricultores, em uma mesma área.

O professor sempre está em busca de patrocínios e parcerias para levar o aprendizado sustentável aos seus alunos. “Na próxima semana vamos levar eles em um sistema de agrofloresta com um profissional agrônomo para que entendam como ele funciona. Vai ser oferecida uma palestra lá para os estudantes. Eu consegui parceria para pagar o ônibus de transporte, ganhei o lanche para as crianças e eles vão até lá”.

“A gente conseguiu também o pó de rocha doado por uma empresa de Anápolis para usá-lo no manejo em vez do calcário. Estamos fazendo um mini poço artesiano para não termos que usar a água clorada das estações de tratamento. E um consórcio fez a doação de hortaliças e árvores frutíferas. Vai ter muitas hortaliças, pés de acerola, mamão, mandioca, 60 pés de bananeira, de pequi, ata, manga, jabuticaba, cajá, abacate”, conta o professor.

 

 

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