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Avenida Igualdade é considerada um local de alto risco para o contágio do coronavírus

Postado em: 22-05-2020 às 06h00
Estudo aponta que se as pessoas continuarem a ir às ruas naquela região, o colapso hospitalar pode estar próximo| Foto: Welsey Costa

Igor Caldas

Depois de Goiânia, Aparecida de Goiânia é a cidade com maior número de casos confirmados de Covid-19, com oito mortes confirmadas. A Avenida Igualdade, principal fluxo de comércio na região, é considerada um local de alto risco para o contágio da doença no município. O fluxo de pessoas indica baixo índice de isolamento. Um estudo publicado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) relaciona o índice de isolamento social à demanda por leitos de hospitalares e indica que se as pessoas insistirem em irem às ruas, a estrutura hospitalar do município pode entrar em colapso até o fim do próximo mês.

A última nota técnica do estudo de Modelagem da Expansão Espaço-temporal da Covid-19 em Goiás, feito pela UFG, usa os dados de taxas de isolamento social para fazer projeções do número de hospitalizações e óbitos pela doença e a demanda por leitos necessária para o atendimento destes casos projetada até o final de junho. O estudo considera três cenários distintos de evolução da transmissão da infecção no Estado e usa a mobilidade da população estimada por meio da telefonia móvel para fazer as projeções. 

No cenário “azul”, mais brando apresentado pelo estudo, seria a hipótese do isolamento social ser mantido entre 50% a 55%. Neste cenário, a região Centro-Sul do Estado, que tem Aparecida de Goiânia como maior cidade, teria demanda diária de 25 a 28 leitos de UTI com respiradores até o dia 30 de junho. Em hipótese de um cenário classificado como intermediário ou “verde”, com nível de isolamento variando entre 32% a 50%, o município teria demanda diária por até 44 leitos de UTI até o fim do próximo mês. Na pior das hipóteses, com isolamento entre 25% a 30%, a demanda diária de UTIs com respiradores seria de até 259 leitos. 

De acordo com dados atualizados do sistema Data SUS da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Aparecida de Goiânia possui 180 leitos de UTI entre públicos e particulares. A taxa de ocupação total destes leitos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do município, é de 52%. Desta forma, apenas no melhor cenário de isolamento social, os leitos de UTI com respiradores seriam suficientes. Por meio do decreto municipal, Aparecida liberou o funcionamento de 82% do comércio.

Ainda de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, há 147 leitos de UTI em funcionamento. Sendo 11 leitos privado no Encore; 10 leitos privados no Santa Monica; 17 leitos SUS e três leitos privado no São Silvestre; 10 leitos SUS no HUAPA; 20 leitos adulto SUS no HMAP com mais 10 leitos pediátricos e 30 leitos UTI COVID; 13 leitos SUS e 24 privados no Garavelo. 

Sobre a pesquisa feita pela UFG, a SMS de Aparecida afirma em nota que a região Centro-Sul do Estado tem uma coordenadoria e não é Aparecida quem responde por ela. Ainda de acordo com a nota, a secretaria diz que segundo os estudos da Universidade Federal de Minas Gerais, feitos para Aparecida, que é o modelo utilizado pelo município, o número estimado de leitos necessários para o enfrentamento da pandemia é de 63 leitos.

 

Colapso Hospitalar pode ser inevitável no município  

Um dos pesquisadores que faz parte do grupo de trabalho de modelagem da expansão da doença no estado, Thiago Rangel, afirma que o alto risco de colapso do sistema de saúde não está apenas em Aparecida de Goiânia, mas em todos os municípios com o índice de isolamento abaixo de 50%. “Apenas o cenário azul nos salva de um colapso hospitalar. O cenário verde [32% a 50% de isolamento] ainda dá um fôlego adicional de uma ou duas semanas até o colapso hospitalar em relação ao vermelho [25% a 30%]”. Ele diz que se a crescente queda do isolamento social continuar, a situação de lockdown será inevitável em algum momento do próximo mês.

Apesar das previsões, Thiago defende que se houver aumento no índice de isolamento e investimento em recursos hospitalares, o colapso na saúde ainda pode ser evitado. “O colapso será inevitável se forem mantidos os índices de isolamento atual, ou se for mantida a tendência constante de redução do isolamento [cenário vermelho] e se a oferta de recursos hospitalares não for ampliada”, declara o pesquisador.

Na tarde da última quarta-feira (20) a região comercial do Setor Garavelo estava funcionando com alta intensidade de circulação de pessoas. Galerias e camelódromos estavam em pleno funcionamento, apresentando aglomerações de clientes que ultrapassavam faixas de distância mínima de segurança entre os clientes e balcões de atendimento. Muitos vendedores ambulantes tinham barracas e tendas instaladas no local e até representantes comerciais abordavam as pessoas nas ruas para fechar negócios.

Edna Rodrigues Santos é uma das representantes comerciais que se arrisca todos os dias para trabalhar na Avenida Igualdade. “Eu tenho medo. Só estou aqui porque preciso trabalhar. Todo dia tem muita gente. Hoje dei sorte que não teve aglomeração na Caixa”. O ponto de trabalho de Edna fica ao lado de uma agência da Caixa Econômica Federal. Apesar de considerar que o comércio ainda tem bastante fluxo de pessoas, a representante comercial notou que houve uma queda no movimento. “Essa semana o movimento caiu bastante, mas ainda tem muita gente na rua e muitas delas sem máscara”, lamenta.

A situação de risco de contaminação no bairro aparecidense é alta e há grande subnotificação de casos da doença na região. De acordo com o resultado da pesquisa de testagem domiciliar, realizada pela prefeitura em parceria com a UFG, a região comercial do Garavelo teve 40% resultados positivos da Covid-19 encontrados durante o levantamento, de 8 a 13 de maio. Os números revelam que a região tem cerca de metade dos casos subnotificados da cidade, totalizando cerca de mil contaminados. O prefeito Gustavo Mendanha iniciou uma série de reuniões por videoconferência com os comerciantes de Aparecida. A partir da última quinta-feira (21). (Especial pra O Hoje)

 

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