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Filho relata descaso da saúde em Goianésia após morte da mãe por Covid-19

Postado em: 30-06-2020 às 13h20
Mulher teve pedido de atendimento negado por quatro vezes. Filho da vítima informou que nenhum exame foi realizado e que o sistema de saúde na cidade está um caos| Foto: Divulgação/Prefeitura de Goianésia

Marcella Vitória 

Uma mulher faleceu nessa segunda-feira (29), por volta das 17 horas, após não resistir a complicações da Covid-19, em Goianésia, a cerca de 175 km de Goiânia. O filho da vítima, Leno dos Santos Gomes, de 43 anos, relatou que a mãe procurou unidades de saúde da cidade por quatro vezes, porém ela só foi atendida na quinta tentativa. 

Leno disse que procurou duas vezes a Unidade De Pronto Atendimento UPA) e duas vezes o Hospital Municipal, onde nenhuma chapa foi realizada. Ele informou que o irmão havia sido diagnosticado com coronavírus, com quem a mãe tinha contato frequentemente. Todas as vezes que uma unidade de saúde foi procurada foi pedido para que um raio x fosse realizado, mas os profissionais da saúde negaram a solicitação.

“Minha mãe veio a falecer nessa segunda-feira [dia 29] por volta das 17h. Antes disso procuramos atendimento na UPA duas vezes e outras duas vezes no Hospital Municipal e eles sequer tiraram uma chapa. Sendo que meu irmão estava diagnosticado com Covid-19 e teve contato com a nossa mãe”, relata Leno.

A UPA foi procurada pela quinta vez, quando a vítima já apresentava crises com falta de ar. No momento, ela conseguiu atendimento e foi internada no início da tarde do domingo (28). No dia seguinte, já bem fragilizada, ela precisou ser entubada, mas a unidade de saúde não tinha respiradores disponíveis. 

A equipe do hospital chegou a informar a Leno que nada poderia ser feito, e que a única solução seria procurar o Hospital São Carlos, da rede particular. Com muita luta, um respirador da UTI móvel foi retirado para entubar a paciente, que já estava bem fraca e acabou morrendo após uma parada respiratória. 

O filho da vítima informou que o UPA está um caos, sem medicamentos e respiradores. Ele disse ainda que o prefeito de Goianésia não aderiu as orientações do governador Ronaldo Caiado, e deseja fechar o comércio da cidade apenas aos domingos, das 12 horas as 18 horas. 

“Vi que o governador propôs aos prefeitos uma quarentena, mas o prefeito daqui já falou que vai fechar só domingo. Pelo amor de Deus gente, não queiram passar o que minha família está passando, tenham cuidado. Minha mãe morreu por falta de atendimento, foi vítima do caos da saúde de Goianésia. Se tivessem cuidado dela no primeiro atendimento será que ela teria falecido? Levarei essa pergunta para o resto da minha vida”, desabafa Leno.

Leno alegou que a mãe foi vítima do caos da saúde e pediu a conscientização das pessoas, para que ninguém passe pelo o que a família dele passou. Ele afirma que se a mãe tivesse sido atendida na primeira vez que procurou o hospital, hoje ela estaria viva e lutando pela recuperação da doença. 

O prefeito de Goianésia, Renato de Castro, anunciou ontem que pretende decretar o fechamento do comércio aos domingos. “Estamos pensando em decretar um lockdown completo no domingo a partir de meio dia”, disse em um vídeo publicado nas redes sociais. A medida deve se estender até as 6 horas de segunda-feira, horário em geralmente o comércio já está fechado.

A reportagem entrou em contato com o prefeito para falar sobre a situação da saúde no município, contudo não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações. 

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