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Ex-presidente do TJ-GO, desembargador e juiz são alvos de buscas e apreensão da PF

Postado em: 30-06-2020 às 14h36
Os investigados são os desembargadores Orloff Neves Rocha (foto) e Gilberto Marques Filho, além do juiz Ronnie Paes Sandre – Foto: Reprodução.

Nielton Soares

O ex-presidente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Gilberto Marques Filho, é um dos investigados por supostas irregularidades na condução de processo de recuperação judicial de uma usina em Inhumas. O desembargador Orloff Neves Rocha e o juiz Ronnie Paes Sandre também foram alvos, nesta terça-feira (30), de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF). Informações preliminares apontam que Orloff teria negociado por R$ 800 mil uma decisão favorável. Reportagem inicial de O Hoje relacionou, equivocadamente, Gilberto Marques Filho como investigado por ter atuado ou se beneficiado da suposta negociação. 

A ação policial em Goiás foi comandada pelo ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Campbell Marques, que veio a Goiânia para acompanhar a apuração de compra de decisões para beneficiar a Centroalcool, que passa por recuperação judicial. As investigações tramitam em sigilo. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a advogados, juízes, desembargadores e empresários.

As diligências autorizadas pelo STJ tiveram como premissa a busca de documentos e aparelhos eletrônicos para identificar se existem elementos suficientes para acusação. Sobre o ex-presidente do TJ-GO, Gilberto Marques, "não há qualquer juízo de suspeita quanto à venda de sentenças", informa a defesa do magistrado. Marques, que atuava como corregedor-geral, e o irmão de seu genro, o corregedor auxiliar Ronnie Paes Sandre, também tiveram buscas em suas residências. 

A filha de Gilberto Marques, que é advogada, também foi citada nas investigações e teve seu apartamento e escritórios revistados pela Operação. A defesa de Caroline Ávila, em nota enviada à reportagem, afirma que o nome da advogada foi ventilado por causa da “dedução equivocada” de uma das investigadas. 

O TJ-GO, por nota, informou que está colaborando com as investigações policiais e não pode fornecer mais detalhes sobre o caso, já que as apurações correm em segredo de Justiça.

A Centroalcool afirmou, por meio de nota, que os fatos foram levados à Corregedoria Geral de Justiça do Estado de Goiás, Ministério Público Estadual e do Conselho Nacional de Justiça em setembro de 2016. Registrou ainda que “confia na justiça e deixa de comentar os fatos e documentos carreados naqueles procedimentos instaurados pela própria empresa, uma vez que tais procedimentos se encontram sob sigilo judicial”. 

Nota da defesa do desembargador Gilberto Marques Filho

A defesa do Des. Gilberto Marques Filho informa que nos autos do procedimento investigativo não existe nenhuma acusação relacionada à venda de decisões judiciais contra seu cliente, como vem sendo noticiado por alguns veículos de imprensa. Ao contrário, à época dos fatos era ele, como Corregedor Geral de Justiça, e o juiz auxiliar da corregedoria, Dr. Ronnie, quem estavam investigando denúncias feitas em relação à empresa Centro Álcool e juízes que estariam, supostamente, envolvidos em venda de decisões referentes ao caso.
Pelo que consta da decisão no STJ, o único ponto de investigação em relação a ele reside na suposição equivocada de uma das investigadas, que insinuou, por “dedução”, que ele poderia ter algum interesse pessoal nessa Recuperação Judicial para favorecer sua filha, que é advogada, para supostamente atuar como Administradora Judicial no processo.
Por sua vez, a defesa da advogada informa que ela recebeu com surpresa o envolvimento de seu nome na investigação em questão e diz que, apesar da dedução feita contra sua pessoa, por uma das investigadas, ela, que atua em apenas uma Recuperação Judicial, jamais demonstrou qualquer interesse em atuar na Recuperação Judicial da empresa investigada, circunstância esta completamente fora de contexto e para a qual sequer existem mínimos indícios, o que restará demonstrado após análise de todos os seus computadores; celulares e demais documentos, mídias e aparelhos eletrônicos entregues à Polícia Federal.

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Esta notícia foi atualizada para inserir informações das defesas.  

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