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Cidades

Defesa pessoal permite que mulheres se protejam

Postado em: 21-11-2020 às 06h00
Técnica promove autoconhecimento e evita que situações de violência ocorram. - Foto: Reprodução

Daniell Alves

Com o aumento do feminicídio e da violência doméstica em Goiás, as mulheres podem encontrar formas para se defender e/ou salvar a própria vida. O curso de defesa pessoal voltado para o público feminino tem como objetivo promover autoconhecimento, despertar a importância de conhecer, praticar e aprimorar a autodefesa. É o que explica um dos responsáveis pelo curso da Eco Ambiental do Brasil, Juliano Cardoso.   

O profissional atua como instrutor de cursos operacionais voltados à segurança pública e privada, utilizando técnicas e táticas de defesa pessoal. Marivânia de Jesus Farias, 34 anos, foi uma das mulheres que participou das aulas. As dicas e orientações foram úteis para que ela pudesse se defender de qualquer tipo de ataque, conta ela. “Foi muito importante porque me ajudou a estar sempre mais atenta o tempo todo”. Também evitou que situações de violência ocorressem. “O jeito de entrar e sair da garagem, forma de estacionar, sair na rua com celular na mão, evitar ruas mais escuras, jeito de portar a bolsa”, relata.

Mas caso aconteça de estar de frente com o agressor, ela já aprendeu a usar técnicas para sair do problema. “Mesmo ele tendo mais força que eu, uso a força dele contra ele mesmo, atacando pontos fracos e que provavelmente ele não estaria esperando. Super recomendo”, diz. Ela também alerta que, após o término do curso, é importante sempre praticar para relembrar as técnicas. “Vamos supor que o agressor seja o homem. Com a própria bolsa eu posso me defender e com técnicas eu saio do problema [violência]. Um golpe simples pode atingir o ponto fraco do agressor”, revela. 

Contudo, a ideia inicial do curso oferecido não é criar um atleta, mas ensinar técnicas básicas para sua autodefesa, despertar a importância de praticar os exercícios e cursos de artes marciais que possibilitam a defesa pessoal, afirma Juliano.

“Já participei como aluno de vários cursos de artes marciais, defesa pessoal, abordagens, imobilização e táticas operacionais de segurança”, diz. Um dos motivos que o fez investir na iniciativa foi ver de perto pessoas sendo vítimas de agressões físicas de diversos níveis e formas. “Neste contexto percebemos na sociedade alguns grupos mais vulneráveis. Dentre eles mulheres, adolescentes, idosos, portadores de necessidades especiais e membros da comunidade LGBTQIA+”, ressalta. 

O curso foi aprimorado para as mulheres com técnicas aprendidas ao longo dos anos de profissão. “Lembrando que o objetivo é proporcionar exercícios e procedimentos de defesa pessoal”, explica. Além disso, são mostradas condutas diárias que, de forma preventiva e reativa, minimizam a agressão ou evitam que estas ocorram. As interessadas podem entrar em contato pelo whatsapp (62) 99642-2709. As aulas podem ser ministradas em domicílio após agendamento do próprio cliente, mas deve ter no mínimo quatro pessoas. 

Juliano ressalta que muitas situações podem ser evitadas com condutas e procedimentos diários. “Também será exaustivamente mostrado e enfatizado as situações onde não se deve reagir a assaltos”, informa. 

Imprensa 

A expectativa é que, no início do próximo ano, tenham dois cursos ofertados para o público de imprensa. “São voltados para atender estes profissionais, visto algumas situações de violência”, explica. Segundo ele, o módulo é uma forma de colaborar com a imprensa, que é de extrema importância para o exercício da democracia. 

A empresa também oferece ao mercado vários cursos de capacitação, profissionalizantes, de recrutamento, adestramento e estágios. Além de prestação de serviços, consultorias, assessoria, projetos e pesquisa nas áreas ambientais, de segurança, prevenção e combate a incêndios e prevenção de acidentes. “Serviços de pronta respostas a acidentes ambientais, químicos e tecnológicos, além de emergências em acidentes e desastres no meio ambiente. Utilizando nossa capacitação profissional e técnica, com atuação a mais de trinta anos de atividades”, destaca Juliano. 

Técnicas ajudam a combater violência doméstica  

Dados do Anuário de Segurança Pública mostram que Goiás registrou de 9,8% nos casos feminicídio entre os anos de 2018 e 2019. Segundo a pesquisa, o número de feminicídios passou de 36 para 40 no período analisado. “As mulheres muitas vezes são agredidas dentro do ambiente familiar, em situações que as colocam em grande vulnerabilidade frente ao seu agressor. As técnicas que serão apresentadas possibilitam utilizar a forca do agressor contra o próprio algoz”, conta Juliano. Conforme explica ele, os ensinamentos podem proporcionar às participantes condição de prevenção e sua defesa, despertar da auto-estima e escolha de como e quando agir.

A Lei N° 13.104, que ficou conhecida como Lei do Feminicídio, representou um importante passo no reconhecimento das especificidades da violência contra a mulher. Ao introduzir o feminicídio como qualificador do homicídio doloso, o Estado brasileiro reconheceu a violência doméstica e a discriminação à condição de mulher como elementos centrais e evitáveis da mortalidade de milhares de brasileiras todos os anos.

Os feminicídios são crimes que não só cessam vidas de mulheres, mas produzem também muitas vítimas de forma indireta. São homicídios que podem deixar crianças órfãs de mães e com pais eventualmente presos ou foragidos. “Em alguns casos ligados à violência doméstica, as violências são perpetradas na presença dos filhos crianças ou adolescentes, o que provoca uma série de traumas psicológicos. Além dos resultados mencionados, os filhos que se veem desamparados financeiramente pelos progenitores podem enfrentar uma série de dificuldades socioeconômicas acrescidas aos problemas emocionais”, diz trecho do Anuário. 

Atuante no Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), a defensora pública Gabriela Handam afirma que os números mostram a realidade de uma cultura que ainda permite a construção de relacionamentos com agressões e, posteriormente, resultem em casos de feminicídio. 

Ela explica que o homem “se acha no direito de corrigir a mulher para colocá-la nesse papel de submissa, mãe e esposa. Essa é a origem da violência contra a mulher, porque a mulher já saiu de ter exclusivamente esse papel que os homens impuseram a ela e se acham no direito de agredir para que ela volte”, explicou.

De acordo com o Anuário, muitos dos casos de feminicídios registrados nos últimos anos e registrados pela imprensa tratavam de mulheres que buscavam a separação do agressor. De acordo com as Diretrizes para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres, são condições estruturais das mortes violentas de mulheres por razões de gênero: o sentimento de posse, o controle sobre o corpo e autonomia da mulher, a limitação da emancipação profissional, econômica, social e intelectual da mulher, seu tratamento como objeto sexual e a manifestação de desprezo e ódio pela mulher. (Especial para O Hoje)

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