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Cultura
OBRA
21/06/2016 | 06h00
Brasileira investe na literatura infantil
Isa Colli lançou seu sexto livro no mês passado e realizou sessão de autógrafos, em Bruxelas, no último fim de semana

Elisama Ximenes

‘Sou do Rio”, é assim que Isa Colli se apresenta, mesmo tendo nascido no Estado do Espírito Santo. Do Sudeste ao Centro-Oeste, a jornalista e escritora casou-se com um goiano em 2014. Hoje, Isa ultrapassa as fronteiras nacionais e mora em Bruxelas, com o marido, há três anos. Antes de mudar-se do País, foi jornalista da TV Brasil e, atualmente, aproveita para investir na escrita. No mês passado, a escritora lançou seu sexto livro infantil, O Pirulito das Abelhas, e já escreveu dois romances. Isa já teve livro lançado na 86ª Feira Internacional de Lisboa, que é a maior feira ao ar livre da Europa. A brasileira enriquece a gama de mulheres brasileiras escritoras, mesmo morando no exterior.

O livro lançado está à venda no Brasil e disponível em todo o mundo em cinco idiomas – inglês, francês, italiano, português e espanhol. A sétima publicação infantil da autora será lançada no próximo mês de julho. O gosto pela escrita é antigo. Segundo Isa, é possível dizer que ela nasceu escrevendo. O exagero é justificado pela alfabetização adiantada que recebeu. “Eu lia muito, principalmente romances; era apaixonada pelos livros da Agatha Christie”, confessa. Além da leitura, a capixaba sempre demonstrou, também, uma facilidade e paixão pela escrita. Quando completou 12 anos de idade, o pai lhe presenteou com um diário, considerado por ela o pontapé inicial para começar as narrativas. 

“Eu escolhi fazer jornalismo por causa dessa paixão”, explica. Na profissão de formação, Isa atuou por seis anos. No entanto teve de parar por um imprevisto de saúde. Desde então, tem se dedicado à escrita literária. “Passo boa parte da minha vida dedicada ao enriquecimento da minha caligrafia diária, sem me preocupar se isso é um passatempo ou um trabalho oficial”, enfatiza a escritora. Em 2013, lançou o primeiro livro –  quando ainda morava no Brasil. A dedicação aos contos infantis é justificada por seu interesse pela educação infantil. “Sou muito preocupada com a educação no nosso País, porque tenho filho, no Brasil, e resolvi fazer alguma coisa com o que sei”, conta.

A obra O Pirulito das Abelhas é uma fábula que narra a vida das abelhas Vivene e Florine. As personagens moram em uma aldeia, onde tudo é perfeito, chamada Moinho. A autora estimula a imaginação para que, por meio de uma viagem ao mundo da fantasia, a criança entre em sintonia com os elementos naturais da vida. A mensagem moral da história é  a importância de viver em harmonia com a natureza. A história das abelhas alerta para a relevância de se empregar os valores do meio ambiente na educação das crianças.

Já a relação com o romance é uma questão mais de paixão do que de engajamento. O gosto pelo gênero se dá tanto por meio da leitura quanto da escrita. Foi com o romance que Isa conseguiu escrever sua própria história de superação, utilizando da ficção. No seu blog, a jornalista disponibiliza alguns de seus textos do gênero. A temática geral de suas narrativas é a superação do câncer. Além disso, Isa também explora a poesia e, no blog, isso fica nítido. Títulos como Lembranças, A Dor da Saudade, Tão Longe e Tão Perto e Saudades são destaques no acervo – temas que remetem à saudade que sente do País de origem. “Pretendo ir ao Brasil em setembro”, avisa.

Mulheres

Embora esteja morando no exterior, a escritora valoriza sua nacionalidade e completa a quantidade de mulheres brasileiras que narram pela escrita. Não se pode afirmar, com certeza, quem foi a primeira mulher escritora deste País. No entanto Rachel de Queiroz foi a primeira a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Rachel era tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista prolífica e importante dramaturga brasileira. A escritora se destacou em suas obras de ficção social nordestina. Também foi a primeira a conquistar o Prêmio Camões em 1993. Nascida em Fortaleza, tem como principais obras O Quinze, As Três Marias e Cem Crônicas Escolhidas.

Outra ganhadora do Prêmio Camões e importante escritora nacional é Lygia Fagundes Telles. As obras da autora são marcadas por temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo e a loucura. Entre seus livros mais famosos, estão As Meninas, Ciranda de Pedra e a coletânea de contos Antes do Baile Verde. Outra figura importante desse cenário, e que é considerada um ícone do movimento feminista negro, é a escritora Carolina Maria de Jesus. A mineira nasceu na mesma década que Rachel de Queiroz, mas em um contexto social e racial diferente. Carolina morou em favelas de São Paulo e, em Canindé, foi catadora. Durante o período, escrevia sobre o cotidiano da comunidade nos cadernos que encontrava no lixo. É considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. Quarto de Despejo e Casa de Alvenaria estão entre as obras mais famosas da autora.

Uma que fez o caminho contrário ao de Isa é Clarice Lispector, que também foi escritora e jornalista. No entanto Clarice nasceu no exterior (Ucrânia) e viveu no Brasil – é considerada escritora brasileira. Sua obra é famosa por conter e se tratar de personagens subversivas e existencialistas. Clarice também é conhecida por escrever utilizando, como estrategia narrativa, o fluxo de consciência. Entre suas obras mais famosas, estão A Hora da Estrela e A Paixão Segundo G. H. As escritoras citadas são apenas algumas das que enriqueceram o grupo de mulheres escritoras brasileiras. 

Atualmente, em Goiânia, o Evoé - Café com Livros desenvolve um projeto de leitura de mulheres. O projeto, que se propõe grupo de estudos e clube de leitura, chama-se Leia Mulheres. As obras a serem lidas são escolhidas por meio de votação, no grupo criado no Facebook, com as pessoas que participam. A proposta é de que sejam lidas apenas obras escritas por mulheres – desde as mais conhecidas às mais desconhecidas. Isa Colli chega para marcar este grupo de escritoras, na contemporaneidade, com suas narrativas românticas, poéticas, voltadas para o público infantil, mas com escrita madura, e ficcionais, apesar de realistas. 

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