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Cultura
SHOW
17/02/2017 | 06h00
Goiânia recebe o premiado show de Johnny Hooker nesta sexta
Dramático por natureza, o artista se define como “uma mulher em fúria no corpo de um homem”

Júnior Bueno 

A primeira vez que o grande público viu a figura de Johnny Hooker provavelmente foi quando ele fez um personagem secundário na novela Geração Brasil, da Globo, em 2014. Antes disso, ele já frequentava as playlists da galera mais antenada, graças aos versos de Volta, que ele compôs e cantou na trilha do filme pernambucano Tatuagem. Antes disso, já havia atuado no filme A Febre do Rato e concorrido ao Prêmio Multishow como Artista Revelação. 

Anteriormente, ele já tinha um caminho percorrido no circuito underground, já que canta desde 2003, e já até pisou em palcos goianos de festivais de música em 2007 e 2009. Digamos que o sucesso de seu álbum Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, de 2015 – cuja turnê aporta em Goiânia hoje (17) – seja uma quarta onda do movimento Johnny Hooker.

O artista que se apresenta como “uma mulher em fúria no corpo de um homem com os olhos marejados de lágrimas”, vem no contra-ataque da música pop brasileira, conseguindo feitos espantosos para quem não depende dos esquemas de uma grande gravadora, tampouco segue o esquema padrão de mercado: topete de playboy e música sobre balada regada a bebida. Pelo contrário, Johnny é desavergonhadamente romântico, com um pé no bolero latino. “Sou uma pessoa dramática por natureza, romântica por natureza. E despudorada em mostrar meus sentimentos por natureza,” diz ele, em entrevista ao Essência (leia abaixo). 

Macumba alcançou o topo das paradas no iTunes brasileiro e em plataformas de streaming, como Deezer (primeiro lugar geral por uma semana consecutiva) e Spotify, onde já acumula a impressionante marca de quatro milhões e meio de execuções. Seus vídeos no Youtube já acumulam mais de 10 milhões de visualizações, e suas performances na televisão nacional frequentemente colocam a tag “Johnny Hooker” entre os assuntos mais comentados do Twitter no País. 

A carreira de Johnny eclodiu num momento em que a MPB foi tomada por artistas cuja obra e performances procuram quebrar paradigmas de gênero e trazer à tona sujeitos não heteronormativos. Liniker e os Caramelows, As Bahias e a Cozinha Mineira e Rico Dalasan são só alguns exemplos. Nesse cenário, o pernambucano de olhos delineados e roupas fabulosamente ousadas se destaca. “Esse momento, que eu considero geracional de artistas queer, veio de dois anos pra cá embalado por uma discussão internacional que vem rolando sobre gênero,” diz ele.

O visual do artista é responsável por fazer com que seu nome seja sempre associado a termos como ousadia e androginia: maquiagem, transparência, brilhos... tudo em seu visual é um convite ao desbunde. Também, por isso, a comparação com o ícone é inevitável. Mas também é bastante óbvia. Ao jornal O Globo, ele disse ter mais influência de Luiz Caldas que de Ney Matogrosso, mas sua inspiração também passa por Madonna, David Bowie e Caetano Veloso. 

O show que será apresentado em Goiânia faz parte de uma turnê que tem arrastado uma legião de fãs de Norte a Sul do Brasil. Após rodar o País  com um público estimado de mais de 200 mil espectadores, incluindo uma passagem em formato pocket, em Goiânia, no Goiânia Mostra Curtas, o show do disco vencedor do Prêmio da Música Brasileira se despede de Goiânia. No palco, o cantor desfia todas as músicas do álbum, cujo ciclo se aproxima do fim. Para este ano, o cantor reserva algumas surpresas: “Ainda faremos participações em festivais grandes do País, mas não posso falar sobre isso ainda”. 

A abertura do show fica por conta do cantor João Lucas, integrante da banda Johnny Suxxx’n the Fucking Boys. No palco, ele vai cantar as músicas de seu recente trabalho, João Canta Brandão, uma homenagem à obra do compositor goiano Carlos Brandão. O disco e o show são frutos de uma pesquisa completa sobre a obra do compositor, principalmente acerca das músicas. Os novos arranjos são compostos por uma banda de jovens músicos e produtores locais Goiaba & Mendez (Eduardo Veiga e Bruna Mendez) que produziram o disco e assinam a direção musical do show.


SERVIÇO:

Show ‘Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!’ – com Johnny Hooker 

Data: Sexta-feira (17)

Local: Teatro Sesi GO (Av. João Leite, nº 1.013, Setor Santa Genoveva – Goiânia)

Horário: 20h30

Show de Abertura: João Canta Brandão

Entrevista: Johnny Hooker 

Como é ser “uma mulher em fúria no corpo de um homem de olhos marejados de lágrimas”?

Essa descrição do personagem que eu incorporo no palco é para dar ideia da dimensão da persona. No palco, o cantor ou performer engloba ou tenta englobar a experiência humana. Em algumas canções, sou um homem; em outras, sou uma mulher, em outras, sou um narrador onisciente que narra essas histórias de amor, de tesão, de liberdade. 

Seu trabalho tem como marca ser despudoradamente romântico. De onde vem essa marca?

Acho que vem da minha personalidade: sou uma pessoa dramática por natureza, romântica por natureza. E despudorada em mostrar meus sentimentos por natureza. Então meu trabalho é um muito um reflexo disso. 

Quase ao mesmo tempo em que você, surgiram outros artistas que desafiam os estereótipos de gênero e colocam a heteronormatividade em cheque, como Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira, Rico Dalasan e Filipe Catto. Para você, isso é coicidência ou um reflexo destes tempos?

Tenho que fazer um adendo aqui: eu trabalho com música e performance dessa maneira faz mais de dez anos, inclusive já estive em Goiânia em vários festivais – em 2007 e 2009. Esse momento, que eu considero geracional de artistas queer, veio de dois anos pra cá embalado por uma discussão internacional que vem rolando sobre gênero. Estou na estrada desde os 16 anos, desde 2003, com um delineador nos olhos. A grande coincidência foi que lancei meu primeiro disco solo, em 2015, e toda essa expressão de artistas foi ganhando destaque, também, junto a essa discussão.

Para você, sua música e sua estética são mais expressão artística, política ou uma combinação de ambas?

Toda arte é política, histórias de amor são políticas. São reflexos do tempo nas quais estão inseridas. Muitas vezes, não é nem intencional. É algo que você capta da essência do seu próprio tempo.  

Seu processo de composição vem da observação das coisas ao redor ou de suas próprias experiências?

Com certeza. Você observa essas histórias na vida, em filmes, em livros, nos jornais, e elas se misturam com sua própria vida e ganham formas de canções, de performances, de clipes.  

Você se considera mais um cantor que atua ou um ator que canta? Como você mistura as duas facetas nos seus shows?

Eu me considero um compositor que canta suas próprias composições. No palco, a performance é um reflexo de uma energia que começa na criação da música. Sem a música, nada existiria. É minha grande paixão.  

Este é o último show da turnê do disco Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito! em Goiânia. Já tem em vista seus próximos passos? O que os fãs podem esperar para neste ano?

Este é o último em Goiânia. Antes, fizemos um pocket show na abertura do Goiânia Mostra Curtas, e foi uma delícia. Tenho muito carinho pela cidade. Foi uma das primeiras cidades, fora de Recife, que me chamaram para fazer shows lá no começo. Neste ano, faremos o próximo disco,  que será patrocinado pela Natura, e, depois, uma turnê em cima do material do próximo disco. Ainda faremos participações em festivais grandes do País, mas não posso falar sobre isso ainda.

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