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Cultura

O Rei do Norte visita a Capital

Postado em: 25-01-2018 às 06h00
Banda Pequi apresenta arranjos inéditos em encontro com Lenine na noite desta quinta (25)

GUSTAVO MOTTA*


Canções na voz de Lenine – um dos principais nomes da música brasileira – com arranjos inéditos e diferenciados, sob execução da Banda Pequi, e regência do maestro Jarbas Cavendish. Essa é a expectativa para a noite desta quinta-feira (25) no Teatro Sesi. A iniciativa faz parte do projeto Banda Pequi e Convidados Especiais, realizada em série, que chega à terceira edição. O conjunto é um projeto de extensão mantido pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (Emac/UFG) e o regente destaca a relevância que o grupo tem para a formação de profissionais: “Estamos mantendo um celeiro de produção para o mercado, porque aqui cada um lida com suas dificuldades e limitações para crescer enquanto músicos”.

Interessados podem conferir o encontro doando 2 kg de alimentos não perecíveis ou um livro literário, que serão destinados a instituições de caridade. O encontro, desta noite, prevê a gravação de um DVD em sequência aos trabalhos gravados com Leila Pinheiro e Nelson Faria (2010) – que voltou a gravar com João Bosco em 2016. “O público vai se deparar com arranjos diferenciados, o que vai ser muito interessante”, destaca Cavendish. O maestro comemora a participação de Lenine no projeto, com quem mantém uma relação antiga de amizade. “Ele é uma pessoa muito seletiva, e pensa muito antes de trabalhar com alguém. Sendo assim, para nós, foi um grande privilégio contar com a participação dele nesse trabalho”.


Convites

Cavendish afirma ser um grande fã do repertório construído pelo pernambucano. “Ele me representa muito enquanto músico, poeta e cidadão que constrói uma crônica cotidiana muito apurada”, destaca. Uma das músicas favoritas do regente é Rei do Norte, parceria de Lenine com Elba Ramalho que saiu no disco homônimo da paraibana, lançado em 1996. O maestro declama os versos “Eu sou mameluco, sou de Casa Forte/ Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte” e, sendo conterrâneo do cantor, pontua: “Eu acho que quando escreveu isso, Lenine falava dele mesmo, de mim, e de todas as pessoas dessa mesma terra pela qual temos grande apego”.

“Quando ele estava concluindo o disco Olho de Peixe’ (1994, segundo da carreira) eu me lembro que ele passava em casa, porque naquele tempo morávamos na mesma rua, no bairro carioca da Urca”, conta. Anos depois, o regente veio morar em Goiás, vivendo em Paraúna e depois na Capital. “Desde então eu comecei a atuar nos projetos da banda Pequi, e quando nos reencontramos ele já era um artista reconhecido, e tivemos o interesse de realizar algo juntos”. Cavendish ressalta que também teve o interesse de chamar Carlos Malta para participar da proposta: “Ele é um dos maiores saxofonistas, flautistas e arranjadores que existem por aí, e também é um grande amigo meu”, conta. O maestro lembra que quando contou a Lenine sobre o envolvimento de Malta, o pernambucano logo aceitou a proposta com muita animação.

“Esse é um trabalho lindo”, comemora Malta. O instrumentista carioca confessa que pensava em escrever arranjos para composições de Lenine mesmo antes do convite e, por isso, aceitou prontamente criar sonoridades para a Pequi. “O Jarbas veio com essa ideia maravilhosa, e eu adorei, porque assim como ele, sou um admirador e amigo do Lenine”. Carlos Malta conheceu o pernambucano no início de 1981: “Eu estava em uma festa, na casa de um amigo, quando o vi pessoalmente pela primeira vez”, relembra. No mesmo ano, o carioca esteve na banda de Hermeto Pascoal, com quem dividiu palcos por 12 anos. “Após isso, e desde então, eu e o Lenine constantemente nos convidamos para participar de lançamentos, um do outro”.

“Ele adicionou muito ao nosso trabalho”, destacaCavenish sobre a contribuição de Malta. Opinião semelhante é mantida por Bruno Rejan, baixista do conjunto: “É sempre desafiador trabalhar com outro artista, porque é necessária muita sensibilidade aos elementos da música que ele faz, e o Malta trouxe arranjos tão diferentes que às vezes éramos desafiados a lembrar as versões de estúdio – tamanha a originalidade e a nova abordagem às composições, trazidas pelo arranjador. Cavendish acredita que a noite de apresentação consolida o trabalho desempenhado pela banda, da qual Rejan faz parte e construiu um grande histórico ao longo de uma graduação e mestrado pela UFG.


Banda

“A Pequi nasceu na UFG como projeto de extensão, com estudantes da universidade, e depois com a inclusão de músicos da comunidade goianiense”, conta o baixista – que divide a direção musical com Cavendish. O grupo nasceu em 2000, e o maestro se orgulha que, ao longo de 18 anos, o coletivo tenha atuado sem pausas. O regente conta que a equipe tem grande importância na formação de artistas para o mercado e, por isso, destaca o papel realizado no seio da instituição. Bruno Rejan é um exemplo dessa formação.

Graduado em Educação Musical (2008) e mestre em Música (2011) com um trabalho sobre aspectos performáticos do contrabaixo acústico, Rejan tem longa história na banda, que se estende até a atualidade. “Eu estive presente no lançamento que realizamos conjuntamente com o João Bosco e Nelson Faria e, mesmo após a conclusão da minha vida acadêmica, continuei compondo a banda”. O baixista pontua que apesar da dinâmica educacional mantida pelo conjunto, a realidade cotidiana da Pequi é semelhante à de qualquer grupo musical. “Isso nos permite conhecer como se dá o trabalho no mercado, além da escola’.

“Temos desenvolvido procedimentos técnicos, de rotina”, afirma. Entre essas atividades, Rejan cita a leitura de partituras, correção de afinações e ritmos, além da realização de ensaios. O cotidiano da equipe também inclui uma experiência que, para o baixista, é mais sensorial e subjetiva: “A parte da experimentação, na busca por um resultado musical, exige um esforço muito grande da banda, especialmente do regente”, avalia. Bruno Rejan conta que, pelo maestro geralmente ter uma visão mais ampla sobre a música a ser executada, Cavendish tem um trabalho relevante na construção dos elementos subjetivos que devem acompanhar a obra.

Carlos Malta afirma que começou a escrever os arranjos no segundo semestre de 2017 e, desde então, os encaminhava ao maestro. “Os ensaios aconteciam na medida em que eu escrevia, mas confesso que demorava muito compor cinco minutos (risos)”. A banda é composta por Antônio Alves (alto, soprano e flauta), Juarez Portilho (alto e soprano), Everton Luiz (tenor e flauta), Anastácio Alves (tenor), Marcos Lincoln (barítono); Manassés Aragão, Nivaldo Júnior, Wellington Santana e Tonico Cardoso (trompetes). “Leva muito tempo para escrever uma peça musical com tantos membros”, avalia. Apesar das dificuldades, o arranjador conta que veio à Goiânia no começo da semana para assistir aos últimos ensaios e declara: “Eu fui impactado pela qualidade dos músicos e acho que é muito bonito ver aquilo que eu criei ganhando vida dessa forma”.


Repertório

Frevo Fuleiro (Jarbas Cavendish);

Sou sim (Carlos Malta);

Leão do Norte (Lenine/Paulo Cesar Pinheiro);

O universo na cabeça do alfinete (Lenine/Lula Queiroga);

Candeeiro encantado (Lenine/Paulo Cesar Pinheiro); 

Chão (Lenine/Lula Queiroga);

O silêncio das estrelas (Lenine/ Dudu Falcão);

Que baque é esse (Lenine);

Paciência (Lenine/ Dudu Falcão);

Jack Soul Brasileiro (Lenine).

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da editora Flávia Popov


SERVIÇO

Banda Pequi, Lenine & Carlos Malta

Quando: quinta-feira (25)

Onde: Teatro Sesi (Avenida João Leite, nº 1.013, Setor Santa Genoveva – Goiânia)

Entrada: 2 kg de alimentos não perecíveis ou 1 livro literário

 

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