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Cultura
Tradição
08/02/2018 | 06h00
Há bailes de máscara em cada esquina do mundo
Carnaval surgiu na antiguidade como festa religiosa e movimenta economia nacional. Saiba mais sobre a folia

GUSTAVO MOTTA*


O Carnaval é a festa popular mais celebrada no País, e se tornou um dos principais elementos da cultura brasileira – tanto que a festividade tupiniquim é a mais famosa do mundo. Apesar disso, a tradicional celebração não se originou nos trópicos sul-americanos, nem tampouco foi invenção dos colonizadores portugueses. A história do Carnaval remonta à Idade Antiga, ao contexto de grandes civilizações do passado.


Antiguidade

Os antigos babilônicos já celebravam duas festas muito semelhantes ao que se conhece hoje. Nas Saceias, como eram chamadas na língua local, um prisioneiro era vestido como rei, sendo cuidado e alimentado como um monarca – até mesmo com direito a duas esposas. Apesar da vida de luxo após o sofrimento das prisões, a celebração terminava com a morte do protagonista, geralmente chicoteado, e depois enforcado ou empalado. Em outra ocasião, antes do Equinócio de Primavera (20 de março), o templo do deus Marduk era palco de uma cena única, quando o próprio rei era surrado em frente à imagem da divindade, oferecendo um contraponto às festas que tornavam prisioneiros, donos do poder. O momento coincidia com o Ano Novo Babilônico, e simbolizava a submissão da autoridade terrena ao poder divino.

A subversão dos papéis em ambas as festividades é identificada por alguns pesquisadores como o embrião da tradição moderna da troca de papéis nas fantasias, quando homens se vestem como mulheres, e vice-versa. Para a tranquilidade de alguns e, talvez, a frustração de outros, os ritos violentos foram abolidos nos costumes atuais. Apesar do choque social que a exposição pública que tais atos causaria, a associação do Carnaval com orgias regadas a sexo e bebidas persistiu, originária de tradições greco-romanas. Os antigos gregos realizavam festas em honra ao deus Dionísio (protetor do vinho e guardião dos prazeres) denominadas Bacanais, cujo nome deriva de Baco, versão romana para a deidade clássica – ainda nos dias modernos, o termo é frequentemente associado a orgias.

Embriaguez e entrega aos prazeres da carne eram características dessas festas clássicas, mantidas sob o Império Romano até os primeiros séculos do cristianismo. Não foi à toa que a ética judaica-cristã condenou as cidades de Babilônia e Roma a serem lembradas, por muitos, como localidades famosas por ‘perversões e pecados’. Na antiga cidade italiana, a população comemorava duas festas, as Saturnálias, e as Lupercálias. As primeiras ocorriam durante o Solstício de Inverno (22 de dezembro), e as segundas comemorações aconteciam em fevereiro – considerado o mês das divindades que cuidavam da terra, fertilidade e do reino dos mortos. Essas festas duravam longos dias e, assim como na tradição babilônica, havia a troca de papéis, sendo que escravos se passavam por senhores, e vice-versa.


Cristianismo

Com o advento da fé cristã na estrutura do Estado Romano, a religião se tornou oficial no Império, no ano 380. As festas carnais eram de origem pagã, e por isso passaram a ser criticadas, e depois proibidas pela Igreja. Havia a repressão à entrega das massas aos prazeres carnais e à inversão de papéis sociais, típica das festividades. O entendimento religioso era de que, ao trocar posições, também se trocavam os papéis de Deus e do diabo. Apesar da desaprovação, o clero percebeu que seria mais fácil ‘cristianizar’ a festa.

A partir do século 8, as quaresmas passaram a ser realizadas para que as pessoas pudessem cometer excessos com alguma antecedência à data de purificação (Páscoa). Sendo assim, entre as comemorações e a data sagrada, haveria um intervalo de aproximadamente 40 dias para que houvesse um preparo espiritual na véspera do Domingo de Ramos. O período de penitência pós-Carnaval proibia diversos prazeres carnais, como o consumo de carne. Mesmo com o estabelecimento de datas oficiais, as festividades carnais continuaram acontecendo, em espaços rurais, longe dos centros de poder. No período fértil da agricultura, homens jovens se fantasiavam de mulheres e invadiam casas, se fartando de comida e bebidas.

No século 15, surgiu em algumas cidades italianas o costume de se improvisar teatros. O comércio em cidades como Florença e Veneza expandiu o poder político e cultural dessas localidades. Na primeira, canções foram criadas para acompanhar desfiles, que contavam com carros decorados. Na segunda, os participantes usavam um capuz negro que cobria os ombros, chapéus de três pontas, e uma máscara branca. Essa tradição também foi registrada em Roma, sendo que o movimento nas cidades peninsulares se intensificou ao longo do período do Renascimento.


Brasil

A festa atravessou o Atlântico e chegou na época colonial. Uma das manifestações mais antigas foi o entrudo, de origem lusitana. No começo, não havia música ou dança, mas era comum o uso de baldes d’água para os foliões atirarem uns nos outros, o que originou as brincadeiras infantis de ‘guerrinhas com água’. Lama, laranjas e até ovos eram constantemente usados como artilharia. Pequenas bolinhas recheadas com água, chamadas de limões-de-cheiro, também eram comuns nesses jogos. Depois, surgiram os cordões, ranchos e festas de salão. Escolas de samba e academias de frevo e maracatu complementaram os ritmos e cores do Carnaval brasileiro. Blocos de rua apareceram no século 19, sendo que o primeiro que se conhece foi fundado por um sapateiro português, chamado de Zé Pereira, que saiu pelas ruas do Rio tocando bumbo, em fevereiro de 1846.

As marchinhas apareceram no fim do século, sendo que a mais famosa, Ó Abre Alas, é considerada a primeira escrita especialmente para a data, em 1899, com autoria de Chiquinha Gonzaga. Outra canção popular foi escrita pela compositora no mesmo ano: Música para Dançar, destaque do bloco carioca Rosa de Ouro. Ainda antes de 1900, os bailes de máscara, festas populares e luxuosas na Europa, começaram a se popularizar nos baixos trópicos. Antes privativas à nobreza, os bailes se tornaram símbolo da alegria pública. Trajes de burros, caveiras, diabos, e de personagens, como a Colombina e o Arlequim, se tornaram os favoritos das multidões.

O hábito de homens se vestirem como mulheres começou no século 20, com o objetivo de ser, em um único dia do ano, aquilo que não se era nos demais dias. A criação tradicional mais ‘nova’ do Carnaval brasileiro surgiu, em 1950, quando os baianos Dodô e Osmar, músicos conhecidos como a ‘Dupla Elétrica’, equiparam um Ford 29 com alto-falantes e saíram tocando músicas pelas ruas de Salvador – nascia o trio-elétrico. Em 1951, o sucesso foi repetido com uma picape e, desde então, iniciativas do gênero povoaram o movimento nas ruas durante o mês de fevereiro, em especial na capital da Bahia.


Economia

Desde então, o Carnaval celebrado no Brasil é a festa mais popular do mundo. Além do impacto visual provocado pela multidão rodeada de cores e ritmos, as festividades são importantes para o turismo nacional. Uma pesquisa da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), cidade cujo Carnaval é o mais famoso do mundo, afirma que 1,1 milhão de turistas passaram pela localidade nas datas que coincidem com o evento popular. Cerca de R$ 3 bilhões foram movimentados na economia fluminense, sendo que 94% dos visitantes afirmaram que pretendiam voltar à capital carioca. A pesquisa foi realizada no Sambódromo local, entre 25 e 27 de fevereiro.

Pelo País, o Ministério do Turismo espera que o Carnaval 2018 injete cerca de R$ 11,1 bilhões na economia. A previsão aponta que 10 milhões de brasileiros devem viajar internamente durante as datas de festas, e 400 mil estrangeiros são esperados para curtir a folia à moda tupiniquim. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Olinda são as cidades que mais devem atrair foliões, sendo responsáveis por 65% da movimentação de dinheiro – o equivalente a R$ 7,4 bilhões. No setor de viagens, a expectativa também é positiva, sendo que a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) previu um aumento em 15% na venda de pacotes turísticos, em comparação a 2017.

Os números dos foliões devem ser astronômicos, assim como apontam outros dados levantados. No Rio de Janeiro, o governo espera a visita de 6,5 milhões; em Salvador, são esperados 770 mil turistas; em Belo Horizontes, 3,6 milhões; e as cidades pernambucanas de Recife e Olinda esperam 1,7 milhão de visitantes ao longo das festividades.

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da editora Flávia Popov 


Como o Carnaval é comemorado em outros países 

Japão

No bairro de Asakusa, em Tokyo, ocorre, em agosto, um dia inteiro de desfiles parecidos com os do Brasil. O evento recebe cerca de 500 mil espectadores anualmente, e é um marco da aliança entre o Brasil e a terra do sol nascente.


México

O Carnaval da cidade de Mazatlán (estado de Sinaloa) é um dos mais tradicionais do país, e conta com bailes de salão, coroação e desfile do rei e rainha e ainda diversas apresentações musicais. A ‘queima do mau humor’ também marca presença no evento.


Eslovênia

Na cidade de Ptuj, o Carnaval mescla elementos do Cristianismo e do paganismo esloveno. Um dos personagens que marcam presença é o Kurent, figura monstruosa encarregada de espantar o inverno. Na Quarta de Cinzas, o enterro do Pust encerra os festejos, representando o ‘enterro de todos os males’. 


Itália

Em Veneza, o Volo dell’Angelo (“voo do anjo”) marca o início do festival, que é celebrado com trajes pomposos e elegantes, além das máscaras nobres dos bailes europeus. Dizem que a tradição surgiu no século 16, quando os nobres se disfarçavam para se misturar aos plebeus.


Canadá

O frio intenso não impede que o Carnaval (ou Carnaval de inverno) ocorra no Quebec, entre o fim de janeiro até o meio de fevereiro, com a mascote oficial chamada Bonhomme. Atividades como competições de esculturas de gelo, desfiles, ‘banho de neve’ e hóquei marcam a festança.


Suíça

A cidade de Basileia possui uma forte tradição carnavalesca: o Morgestraich ocorre na segunda-feira que antecede a Quarta de Cinzas, evento do qual todas as luzes das ruas se apagam às 4h da manhã e várias pessoas desfilam com lanternas ao som de músicas tradicionais tocadas com flautas e tambores.  

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