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Cultura
Dança
09/02/2018 | 06h00
Do sonho de criança à carreira profissional
Carolyne Galvão, do Teatro-Escola Basileu França, está entre as oito melhores bailarinas do mundo no Prix de Lausanne 2018

GABRIELLA STARNECK*


Carolyne Freitas Galvão, estudante do Teatro-Escola Basileu França, está entre as oito melhores bailarinas do mundo da 46ª edição do Prix de Lausanne 2018, na Suíça. Ela foi a única brasileira a se tornar, neste ano, uma Prize Winners. Além disso, durante sua participação no evento, Carolyne recebeu o Prêmio da Audiência Pública –  votação on-line entre o público que assistiu ao espetáculo de qualquer parte do mundo – e foi a mais votada. 

Com a classificação, a estudante de 17 anos terá a oportunidade de escolher em qual escola ou companhia do mundo ela vai querer estudar, tendo direito a bolsa integral. O Prix de Lausanne tem o objetivo de ajudar jovens bailarinos a iniciarem uma carreira profissional. O evento é considerado um dos mais exigentes de dança em nível internacional, inclusive os vencedores do concurso geralmente se tornam as estrelas das maiores companhias de balé do mundo. 


Prix de Lausanne

Em 2018, a organização do Prix recebeu cerca de 380 participantes (297  bailarinas e 83 bailarinos), de 38 países. Apenas 21 bailarinos, provenientes de dez países diferentes –  sendo que os mais representados foram os Estados Unidos, com cinco candidatos, e a China com quatro –, chegaram à última etapa em Lausanne, na Suíça.  Destes, oito foram Prize Winners, como Carolyne. 

No Prix de Lausanne, não há 1º, 2º ou 3º lugares. Eles escolhem oito bailarinos (as) como sendo os (as) melhores do mundo. Estas oito pessoas são chamadas de Prize Winners. E as classificadas ganham Becca’ s, que são bolsas de estudos ou contratos na área de balé em escolas ou companhias de dança internacionais. Os vencedores escolhem para onde querem ir e um patrocinador do Prix de Lausanne paga a bolsa de estudos ou contratos para o aluno por um ano.

Neste ano, a goiana Carolyne Galvão, do Balé do Teatro-Escola Basileu França, foi a única brasileira classificada como uma das Prize Winners. Shale Wagman (Canadá, 17 anos); Hanna Park (Coreia do Sul, 15 anos), Wenjin Guo (China, 16 anos), Junsu Lee (Coreia do Sul, 16 anos), Xinyue Zhao (China, 17 anos), Miguel Angel David Aranda Maidana (Paraguai, 18 anos) e Aviva Gelfer-Mündl (EUA, 16 anos) também foram os escolhidos.


Trajetória

Com apenas 2 anos de idade, quando Carolyne ainda nem sabia falar, “o interesse pelo balé já emergia”, como afirma a mãe da estudante, Núbia Galvão. Com o passar do tempo e com o crescimento da filha, Núbia afirma que a cobrança aumentou. As escolas particulares de balé eram caras, o que acabava sendo um empecilho para que os pais contribuíssem com o sonho de Carolyne. No entanto a jovem menina conseguiu uma vaga no Teatro-Escola Basileu França. “Quando a Carolyne teve que fazer o teste de aptidão, para conseguir a vaga, ela nunca havia tido contato com o balé em outra escola; foi mérito dela mesmo”, relata a mãe, orgulhosa. 

O ingresso no Basileu seria o primeiro passo de uma árdua trajetória que levaria Carolyne a uma grande conquista. “Ela vai para escola às 8h da manhã e sai às 23h da noite, praticamente de domingo a domingo. Às vezes, tem uma folga durante a semana. Além do balé, a Carolyne também faz fisioterapia, aula de pilates e ainda dieta. É uma caminhada muito árdua, mas ela é muito disciplinada e focada. Na verdade, é difícil ver uma garota com a idade dela determinada assim, mas ela faz por amor. Para a gente, pode ser árduo de assistir, mas ela ama o que faz!”, afirma a mãe. 

A professora de Carolyne no Basileu França, Simone Malta, também ressalta o processo que a jovem enfrentou até se tornar uma Prize Winners: “Para chegar a ganhar um contrato, a Carol passou por muitos anos de treinamento: treinos puxados, sem feriado ou fim de semana... É realmente uma dedicação quase exclusiva, abrir mão de uma vida social com amigos!”, afirma a profissional da escola. 


Dificuldades

Núbia destaca como foi para ela, como mãe, acompanhar essa trajetória. “Houve momentos de altos e baixos. Nós tínhamos a dificuldade de levar e buscar, até que conseguimos comprar um carro, o que facilitou. Era difícil conciliar o nosso horário com o da Carolyne. Também existia a dificuldade financeira, porque precisávamos pagar viagens, figurinos, sapatilhas. Na verdade, era um misto de dificuldade e prazer, mas fomos vencendo etapa por etapa. A professora dela, Simone Malta, também dava força, apoio e fazia de tudo para manter a Carolyne na escola”, ressalta Núbia. 

A mãe da bailarina ainda conta que  cerca de quatro anos atrás, chegou a conversar com a filha sobre as aulas de balé, porque, de certa forma, a dedicação a dança acabava prejudicando Carolyne na escola. Eu, como mãe, não iria deixar ela largar a escola por causa do balé, porque a princípio pensávamos que não daria futuro. A partir do momento em que ela terminou o Ensino Médio e o foco passou a ser exclusivamente o balé, eu e o pai dela apoiamos. Nós vimos que aquilo era o que a Carolyne queria, então passamos a acreditar no balé como uma profissão para ela. Antes, pensávamos que nossa filha não iria sair desses concursos regionais e nacionais, mas ela começou a ganhar destaque em grandes eventos. Agora, a gente corre atrás de tudo, é uma dedicação total por parte da família, dos amigos e dos professores. 


Basileu França

O Instituto Tecnológico (Itego) em Artes Basileu França, uma das maiores instituições públicas da área artística no Estado, tem se destacado na preparação e aperfeiçoamento dos bailarinos que se apresentam pelo mundo. Desde as primeiras edições do Prix de Lausanne, os alunos do Basileu França competem nas etapas finais. Assim, Goiânia e o Estado de Goiás estão sendo representados pelo mundo por grandes talentos, como o da bailarina Carolyne Galvão. A jovem ingressou na escola em 2012, e, de lá para cá, vem evoluído na área em que escolheu atuar. 

“O Basileu é de suma importância na descoberta e carreira de bailarinos. As crianças passam por processos de refinamento técnico e artísticos para estar neste concorrente mundo artístico e do trabalho. O Basileu se torna na vida dessas pessoas uma ponte para que elas consigam trabalho não só no Brasil, mas no exterior. Na escola, os alunos passam pelas mesmas experiências de grandes companhias, com horas de aula e ensaios, apresentações de balés e experiências com coreógrafos de várias partes do mundo. Eles saem preparados para o mercado. O Basileu é, muitas vezes, a porta de saída desses talentos, pois nós trabalhamos para que os alunos ganharem o mundo!”, destaca a professora de dança. 


Mercado de trabalho

Simone Malta discorre sobre da dança, como profissão, em Goiás. A professora ressalta que os profissionais – não apenas do Estado, mas de todo o Brasil – enfrentam dificuldades para se efetivarem na carreira artística. “Para bailarinos clássicos, principalmente, porque o único recurso são bolsas ou contratos de trabalho no exterior. Infelizmente, vivemos uma enorme dificuldade em colocá-los no mercado, e o exterior está buscando muitos brasileiros, não só por causa do lado técnico, mas também pelo artístico”, afirma Simone. 

Por esse motivo, a profissional destaca a importância de conquistas como a de Carolyne para dar visibilidade não somente a Goiânia, mas ao Brasil. “É magnífico! Atualmente, a escola e o Estado são vistos como grande celeiro de bailarinos clássicos, pois temos uma grande quantidade de profissionais da dança pelo mundo. E, por isso, quando chegamos aos eventos, já somos respeitados por saberem que, dali, saem bailarinos bem preparados, com qualidade técnica e artística”, finaliza Simone. 

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da editora Flávia Popov

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