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Cultura
Solidariedade
10/07/2018 | 06h00
Doar sangue: sempre um ato de amor
O estímulo à doação regular precisa ser constante e com esclarecimentos sobre a necessidade dessa parceria

SABRINA MOURA*


Basta chegar o período de férias para os bancos de sangue enfrentarem baixas nos estoques. As campanhas na mídia sobre a importância da doação de sangue ainda são poucas e restritas a períodos de férias ou feriados prolongados, quando diminui a presença do doador nos bancos de sangue. O estímulo à doação regular precisa ser constante e com esclarecimentos sobre a necessidade dessa parceria, destacando a segurança que envolve o processo de doar e os benefícios para a saúde de quem recebe o sangue doado.

A diretora do Conselho Regional de Biomedicina da 3ª região (CRBM-3), Ana Paula de Araújo Santos, que também responde pelo setor de Sorologia do Hemocentro Coordenador Estadual de Goiás dr. Nion Albernaz, explica que o órgão atende a rede pública de saúde do Estado e, exclusivamente, os hemofílicos. Por conta da alta demanda, essas unidades de saúde contam com a boa vontade dos doadores para manter os estoques em patamares considerados satisfatórios. Não existe nenhum tipo de medicamento que substitui o sangue.

A doação é simples e segura. Nas amostras dos doadores de sangue, são realizados dez exames: para HIV; hepatite B (HBSAG e anti-HBc) e hepatite C; pesquisa de Chagas, sífilis, HTLV e o teste NAT para HIV, hepatite B e hepatite C. O teste do ácido nucléico (NAT) detecta a partícula viral e isso diminui a janela imunológica, ou seja, o período entre a infecção do paciente e o momento em que os reagentes conseguem detectar a presença do vírus ou dos anticorpos produzidos por nosso organismo. Também são feitas a fenotipagem sanguínea (o sistema A-B-O e o RH), a pesquisa de anticorpos irregulares e a pesquisa de hemoglobina anômala.

O profissional biomédico nos bancos de sangue atua como uma espécie de ‘investigador’, durante a triagem clínica, que é feita baseada na legislação e poderá rejeitar o candidato a doação se houver discordância entre as respostas e o que preconiza a portaria 158/2016. A portaria redefine o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos. Prevê, entre outros, que os serviços de hemoterapia promoverão a melhoria da atenção e acolhimento aos candidatos à doação, realizando a triagem clínica com vistas à segurança do receptor.

A diretora do CRBM-3 reforça sobre a importância de fazer a doação consciente de que a própria saúde está ‘em dia’. “Não se deve procurar o Hemocentro para doar sangue apenas porque quer o resultado do exame”, diz. Segundo Ana Paula, muitas pessoas doam pensando apenas em obter o resultado.  Por exemplo, alguém que teve relação sexual com parceiro suspeito e quer saber se adquiriu alguma doença sexualmente transmissível. “Mesmo com o resultado negativo e a utilização de reagentes de última geração, existe uma janela imunológica de dez dias, e a presença do vírus não aparece nos testes nesse intervalo, por isso é importante a consciência do doador”, completa. 

O Ministério da Saúde divulgou, em 2016, dados que demonstram que apenas 1,6% da população brasileira doa sangue, ou seja, 16 a cada mil habitantes. O percentual fica dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 1% da população doadora, mas ainda assim no limite. Uma única bolsa de sangue pode beneficiar até quatro pacientes.

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da  editora Flávia Popov; com informações do CRBM-3

 

Entrevista: ANA PAULA DE ARAÚJO SANTOS 

Há algum risco para o doador?

Não há nenhum risco para quem doa. A doação é livre e altruísta. E a pessoa precisa estar ciente de que trata-se de uma doação, portanto não há nenhuma contrapartida e nenhum tipo de pagamento ou remuneração de espécie alguma.


Quais as vantagens para quem doa?

Quem doa faz um bem ao próximo. Não existe fabricação de sangue. Quando se necessita de sangue ou plaqueta, tem de ser doado, tem de ser transfundido de uma pessoa para outra, portanto o doador ajuda na recuperação da saúde de quem precisa de sangue pelas mais diversas razões.


A doação pode ser considerada também um jeito de a pessoa avaliar a própria saúde?

Isso é outra vantagem. Quem doa vai receber os resultados dos exames de hepatites B e C, HIV, doença de Chagas, sífilis e outros. São exames de alta especificidade e alta sensibilidade pelo uso de reagentes de 4ª e 3ª gerações.


O dia de descanso para quem doa tem previsão em lei?

Tanto o trabalhador celetista quanto o estatutário têm direito ao atestado com um dia de descanso sempre que fizer uma doação. O atestado é emitido pelo próprio Hemocentro. 


Quem são os pacientes atendidos pelos Hemocentros?

Os Hemocentros atendem pacientes da rede SUS vítimas de traumas, leucemia, queimaduras, anemia profunda e hemofilia.  


Saiba mais 

Quais as condições para doar sangue?

Estar em boas condições de saúde.

Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos precisam de autorização).

Pesar no mínimo 50kg.

Estar descansado (ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas).

Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação).

Apresentar documento com foto emitido por órgão oficial.


Quem não pode doar sangue?

Pessoas que tiveram hepatite ou doença de Chagas.

Pessoas com malária ou sífilis.

Usuários de drogas que compartilham seringas injetáveis.

Homens e mulheres com múltiplos parceiros e que mantenham relações sexuais sem o uso de preservativo (camisinha).

Parceiros sexuais de pessoas infectadas pelo HIV ou enfermos com Aids.

Pessoas com histórias prévias, recentes, de doenças sexualmente transmissíveis.

Mulheres grávidas.

Outros (restrições/inaptidões temporárias ou definitivas de acordo com a legislação vigente).


Intervalos para doação

Homens – 60 dias (máximo de quatro doações nos últimos 12 meses).

Mulheres – 90 dias (máximo de três doações nos últimos 12 meses).


Cuidados após doar sangue

Permaneça no Banco de Sangue por mais 15 minutos para evitar que você se sinta mal com a doação.

Mantenha o curativo por pelo menos quatro horas.

Não ingerir bebidas alcoólicas.

Não fumar por duas horas.

Evitar esforço físico exagerado por 12 horas, especialmente com o braço utilizado para doação.

Beber bastante líquido.

Se for dirigir veículo automotor ou ser transportado em motocicleta, parar imediatamente o veículo em caso de mal-estar.

(Fonte: Hemocentro) 

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