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Economia
Foco Econômico
15-05-2019 | 19h00
Até grandes bancos reconhecem que juros básicos arrastam economia para o buraco
Lauro Veiga

Há uma nova corrida em marcha dos departamentos econômicos dos grandes bancos para revisar as projeções de curto prazo para a economia, com foco preferencial neste ano, mas com reflexo também sobre o ritmo da atividade em 2020. No momento atual, arriscar qualquer coisa para o próximo ano parece um risco excessivo, neste caso, em função quase exclusivamente das surpresas que o cenário político poderá trazer, dada a instabilidade predominante no Planalto Central do País. Nada parece assegurar, até aqui, que a política e a economia, numa sequência lógica, não venham a descarrilhar de vez.

Diante das incertezas e da teimosia burra da equipe econômica e do Banco Central (BC) ao persistir, no primeiro caso, numa política de ajuste fiscal a ferro e a fogo e insistir, no segundo, numa política monetária suicida, as estimativas para o desempenho da economia no primeiro trimestre e ao longo do restante do ano vêm murchando drasticamente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2019 no próximo dia 30, última quinta-feira de maio, e as projeções sugerem novo recuo para a atividade, o que deverá complicar as chances de uma retomada mais pronunciada e relevante ainda neste ano.

A equipe econômica, incluindo desta vez também o pessoal do BC, acredita que o PIB deverá esboçar reação mais acentuada no segundo semestre. Para que isso venha a ocorrer, no entanto, a política econômica teria que sofrer uma guinada nem sequer esboçada pelo Ministério da Economia a esta altura. Ao contrário. As manifestações mais recentes de porta-vozes da equipe antecipam nova rodada de arrocho nas despesas, conforme já anotado neste espaço, enquanto o BC não demonstra qualquer intenção de reavaliar a política de juros. E, no entanto, até grandes bancos passam a questionar a diretriz estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para os juros básicos.

“Âncora negativa”

De fato, a equipe de macroeconomia do Itaú BBA e economistas independentes apontam o nível atual dos juros como, senão o mais importante, pelo menos como um dos fatores a amarrar o crescimento econômico, numa espécie de “âncora negativa”, para fazer referência a uma termologia que já foi muito cara a analistas e comentaristas mais ligados ao sistema financeiro. Entre outros motivos, aqueles setores consideram que a taxa de juros “de equilíbrio” ou “neutra” (quer dizer, que ajudariam a segurar os preços sem penalizar a atividade econômica, abrindo espaço para algum crescimento) hoje está mais baixa do que no passado recente, o que recomendaria novos cortes na taxa básica – argumento também já explorado pela coluna em outras edições.

Balanço

·   Os indicadores da atividade econômica em março convenceram a equipe de economistas e analistas do Itaú BBA a revisar novamente para baixo a estimativa para o PIB do primeiro trimestre deste ano, que passou de redução de 0,1% para baixa de 0,2% na comparação com o quarto trimestre de 2018, no dado já dessazonalizado (quer dizer, já descontando os efeitos das festas de fim de ano, feriados e outros eventos sobre a atividade econômica nos dois períodos).

·   O banco levou em conta a queda de 1,3% na produção industrial entre fevereiro e março deste ano, a queda no índice de confiança empresarial, a desaceleração na abertura de vagas no mercado formal de trabalho e, numa espécie de “mantra” do setor, “a incerteza associada à implementação de reformas” na economia, o que também estaria ajudando a segurar a economia.

·   Parece como um circuito fechado perfeito: o governo, com ajuda dos mercados e da imprensa, alardeia que, sem as reformas, a economia não vai deslanchar; os empresários decidem segurar ou rever decisões de investimento porque a demanda não deslancha como esperado, levando ao desaquecimento alardeado no princípio, como se a não aprovação das reformas fosse a causa de tudo.

·   Depois de considerações várias, o banco aponta a política de juros como “principal motivo por trás dessa fraqueza”. Sozinha, acrescenta, a taxa real de juros de 2,8% em vigor não vai permitir taxas de crescimento acima de 1%.

Um corte dos juros básicos para 5,5% (diante de 6,5% hoje), levando a taxa real para 1,8% ao ano, poderia acelerar o PIB para 2,0% no próximo ano. Se o corte fosse feito agora, possibilidade descartada pelos sábios do BC. 

(62) 3095-8700