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Economia

Com emissões de moeda, governo poderia dobrar socorro à economia

Postado em: 25-03-2020 às 06h00
Economistas defendem que o mais indicado poderia ser a distribuição direta de recursos aos menos favorecidos - Foto: Divulgação

Crise fiscal e alegada falta de recursos não podem servir de pretexto para postergar ou evitar a adoção de medidas estratégicas para evitar que a crise seja ainda mais severa do que a já antecipada pelas projeções em cena. Os mercados tentam manter certo otimismo, irrealista a esta altura, ainda apostando, na média das previsões apuradas pelo Banco Central (BC), num crescimento de 0,89% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, muito acima da variação praticamente nula esperada pela equipe econômica do superministro. Em 20 de fevereiro, essa previsão chegava a 2,20%. O ajuste ocorrido indica a percepção de problemas à frente pelos mercados, mas sugere muito mais a expressão de um desejo do que realismo nas estimativas.

O governo poderá reforçar de forma importante o volume de recursos já anunciados para socorrer a economia se decidir aumentar as emissões de moeda, o que não deverá trazer qualquer pressão inflacionária diante da perspectiva de encolhimento da demanda. O saldo das emissões primárias de moeda tem sido mantido em níveis baixos pelo BC, proporcionalmente ao total de riquezas produzidas num intervalo de 12 meses, variando entre 3,50% e 3,74% do PIB entre janeiro de 2019 e o mesmo mês deste ano. Em valores nominais, o saldo das emissões cresceu 6,6% no período, passando de R$ 241,502 bilhões para aproximadamente R$ 257,445 bilhões.

Ao dobrar as emissões para algo próximo a R$ 514,9 bilhões (perto de 7,5% do PIB), o governo poderia mais do que dobrar o pacote de ajuda já divulgado, considerando os recursos anunciados na segunda-feira para Estados e municípios. Isso ajudaria a irrigar a economia, desde que uma parcela relevante dos recursos venha a ser destinada aos mais pobres. A forma mais indicada, no caso, como têm defendido alguns economistas e analistas, poderia ser a distribuição direta de recursos aos menos favorecidos, aos excluídos do mercado formal de trabalho e àqueles que não são atendidos nem mesmo pelos programas públicos de transferência de renda.

Projeções

Economista chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, em relatório produzido ainda na semana passada, sugere que o impacto da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) sobre a economia mundial pode não ser tão severo e revisava suas projeções para o PIB global, àquela altura, para um crescimento entre 0,5% e 2,0% neste ano, saindo de uma variação de 3,1% em 2019. Mas ressalvava: a confirmação desses números dependeria da “hipótese de intensidade da paralisação em outros lugares do mundo”, com a crise configurando-se, até ali, “essencialmente como um choque de demanda”. Para que as projeções pudessem vir a se confirmar, Barbosa considera que não poderia ocorrer uma “interrupção de cadeias essenciais de serviços e produção e que as paralisações sejam temporárias. Por isso, são estimativas bastante imprecisas a essa altura, a julgar pelas ações tardias vistas em outros países, como na Itália”. Embora não tenha sido mencionada, a reação dos Estados Unidos poderia muito bem ser comparada com a italiana, o que pressupõe problemas idênticos, senão maiores.

Balanço

·   Barbosa inclui em suas ponderações uma “dimensão financeira” da crise, com a queda no preço dos ativos em todo o mundo afetando a “riqueza financeira de empresas e famílias, levando a menor consumo”. O risco central aqui é de uma paralisação nos fluxos de receitas para as empresas e para as famílias. “Essa interrupção precisa ser evitada a todo custo, sob o risco de uma piora econômica mais severa. Mas é justamente nessa dimensão que os governos podem agir mais”, diz ele, comparando com as “dimensões” clínica (saúde pública) e econômica, que, por sua vez, está interligada com a velocidade e intensidade da contaminação das populações.

·   O economista ainda demonstrava certo otimismo relativo em relação ao PIB brasileiro, que, nesta sua avaliação, deveria crescer menos do que os 2,0% que o banco projetava anteriormente.

·   Publicadas ontem, as projeções mais recentes do Itaú BBA apontam recuo de 0,7% para o PIB brasileiro neste ano, saindo de 1,8% de crescimento na previsão anterior. A economia mundial, na perspectiva do banco, tenderia a sofrer perda de 0,4%.

·   Em ambos os casos, as estimativas para o PIB global diferem em muito daquelas agora revisadas (mais uma vez) pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF). Nas últimas duas semanas, conforme já registrado neste espaço, a instituição já havia reduzido sua previsão de crescimento de 2,6% para apenas 0,4%. Na segunda, 23, voltou a rebaixar seus números e anunciou que agora espera uma retração de 1,5%, “aproximando-se da contratação de 2,1% de 2009”, ano da crise global mais recente.

·   As incertezas continuam a se avolumar em velocidade próxima ao ritmo de avanço do coronavírus e ao sabor da atuação dos governos e de sua visão mais realista ou mais fantasiosa da pandemia (o que determina o tamanho do socorro necessário ao lado real da economia).

·   Em Goiás, ainda antes da crise, a receita bruta do Estado vinha oscilando, chegando a recuar 4,47% entre janeiro e fevereiro, embora tenha crescido 8,61% em relação ao segundo mês de 2019. Na comparação anual, o aumento da contribuição ao fundo Protege e o incremento das transferências da União responderam por perto de 58% do avanço registrado.

·   No acumulado do primeiro bimestre, a receita atingiu R$ 4,170 bilhões neste ano, em alta de 8,03% frente aos primeiros dois meses de 2019 (R$ 3,860 bilhões). Em valores, metade da alta deu-se em função do incremento de R$ 152,116 milhões na arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), para R$ 2,958 bilhões. Proporcionalmente, no entanto, a variação ficou limitada a 5,42%.

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