Domingo, 25 de outubro de 2020
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Economia

Desemprego acumula alta de 7,4% ao longo de setembro

Postado em: 17-10-2020 às 09h00
A abertura de novas vagas, seja no setor formal, seja em ocupações informais não tem sido suficiente / Foto: Reprodução

Lauro Veiga 

Embora o emprego tenha apresentado alguma oscilação para baixo e para cima até o dia 26 de setembro, conforme medição mais recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o cenário para o mercado continuava francamente negativo, decorridos praticamente sete meses de pandemia. A versão semanal da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Covid-19), divulgada ontem, mostra que o total de pessoas ocupadas chegou a avançar de 82,341 milhões na semana entre os dias 29 de agosto e 5 de setembro para pouco menos de 83,690 milhões entre os dias 13 e 19 do mês passado (com quase 1,350 milhão de empregos a mais, numa variação de 1,64%). Mas recuou novamente para 83,043 milhões na semana seguinte, com fechamento de 646,546 mil vagas, num recuo de 0,8% (o que, para o IBGE, caracterizaria estabilidade), ao mesmo tempo em que o total de desempregados acumulava um incremento de 7,43% desde o início do mês passado.

Entre o começo de setembro e a semana terminada no dia 26, portanto, a economia conseguiu criar 702,155 mil ocupações, correspondendo a uma variação de 0,85%. Desde a primeira edição da PNAD Covid-19, realizada na semana de 3 a 9 de maio, quando o total de pessoas ocupadas chegava a 83,945 milhões, perto de 901,457 mil pessoas perderam sua colocação no mercado, o que representou uma redução de 1,07%.

A PNAD Covid-19, como o IBGE destaca, leva em conta uma amostra de famílias menos ampla do que a versão “completa” da PNAD e tem sido tratada pelo instituto ainda como “experimental”. De qualquer forma, os dados fornecem algum tipo de indicador mais atualizado sobre como o mercado de trabalho tem se comportado desde maio, quando foi iniciado o levantamento.

Além de oscilante e bastante modesta, o fato é que a abertura de novas vagas, seja no setor formal, seja em ocupações informais (trabalhadores por conta própria, sem carteira ou que prestavam serviços para familiares sem remuneração), não tem sido suficiente para abrigar as pessoas que haviam desistido de procurar emprego nas semanas iniciais da pandemia e agora começam a retomar a busca, diante da reabertura da vários setores da economia e relaxamento das medidas de isolamento social.

Disparada

Um dos reflexos daquela tendência está nos números do desemprego. Na semana de 20 a 26 de setembro, a PNAD Covid-19 registrou um total de 14,013 milhões de pessoas sem ocupação, com a taxa de desemprego subindo para 14,4% diante de apenas 10,5% na primeira semana de maio. Se confirmados pela pesquisa mais habitual do IBGE, a desocupação caminha para novo recorde negativo, o que preocupa diante do que os números antecipam em relação às possibilidades de uma retomada efetiva da atividade econômica. Sem um mercado de trabalho de fato em recuperação e de uma elevação na renda das famílias, o consumo tende a manter-se em queda, especialmente depois da redução a menos da metade do auxílio emergencial que vinha permitindo aos mais vulneráveis compensar as perdas de renda sofridas durante a pandemia.

Balanço

·   Numa tendência mais firme e muito mais negativa, o número de desempregados vinha crescendo semana a semana no mês passado, saindo de 13,044 milhões (29 de agosto a 5 desemprego) para 13,287 milhões (13 a 19 de setembro) e daí para aqueles 14,013 milhões de pessoas (20 a 26 de setembro). Desde o começo do mês, portanto, mais 968,708 mil pessoas entraram para a fila do desemprego, significando uma variação de 7,43%, conforme já anotado.

·   Na semana inicial de maio, em torno de 9,817 milhões de pessoas estavam desocupadas. Dali até os últimos dias de setembro, como se pode perceber, a pesquisa registrou um aumento de nada menos do que 4,196 milhões no total de desocupados, num salto de 42,75%. Apenas para reforçar, foram encerradas 901,457 mil ocupações no mesmo intervalo, enquanto 3,295 milhões de pessoas tentaram voltar ao mercado (e acabaram engrossando o desemprego).

·   Isso se explica porque o número de pessoas com 14 anos ou mais de idade na força de trabalho (quer dizer, ocupadas ou desocupadas) avançou de 93,761 milhões no início de maio para 97,057 milhões no final de setembro, aproximadamente, num avanço de 3,51%.

·   O total de pessoas fora da força de trabalho, que não haviam buscado emprego na semana da pesquisa, qualquer que tenha sido o motivo, sofreu redução de quase 3,7% naquele mesmo período, saindo de 76,176 milhões para 73,390 milhões (quer dizer, 2,786 milhões a menos). Ao redor de 34,8% desse contingente, em torno de 25,566 milhões no final de setembro, ainda gostariam de voltar a trabalhar, caso tivessem oportunidade. O percentual havia sido de 35,5% no início de maio, representando 27,052 milhões de pessoas.

·   O número baixou 5,49% entre maio e setembro, significando que 1,486 milhão de pessoas decidiram arriscar a sorte no mercado novamente, sem muito sucesso.

·   Quando se somam as pessoas desocupadas e aquelas que continuam fora do mercado, mas gostariam de trabalhar, o número sobe para 39,579 milhões, o que parece ser mais próximo do desemprego “efetivo” na economia, o que traria a taxa de desempregados para 32,3% ao final de setembro. Para comparar, no começo de maio, o número atingia 36,869 milhões, numa taxa de 30,5%. Em quatro meses, o contingente aumentou 7,35% (praticamente mais 2,710 milhões a mais).

·   Em outra característica dos efeitos da crise sanitária, o emprego informal (e, por definição, mais vulnerável) foi o mais atingido, com o total de pessoas na informalidade caindo de 29,961 milhões em maio para 28,381 milhões no final de setembro, com corte de 1,579 milhão de ocupações (menos 5,27%). Numa estima que considera as estatísticas da PNAD Covid-19, as ocupações formais chegaram a crescer 1,26% naquele mesmo período, passando de 53,984 milhões para 54,662 milhões, depois de atingirem 56,280 milhões na semana entre 17 e 23 de maio (neste caso, chega-se ao corte de 1,619 milhão de vagas formais, numa queda de 2,88%).


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