Economia

Projeto de Lei 4733/20 permite o uso dos recursos dos Fundos Constitucionais da região norte

Postado em: 13-01-2021 às 09h25
A boa notícia é que o ritmo de aumento dos preços perdeu fôlego entre as duas semanas finais de 2020 e a primeira deste ano - Foto: Divulgação

Lauro Veiga

Mesmo pressionada pelo aumento nos preços das principais commodities neste começo de ano e por novo ciclo de alta do dólar – tendência não revertida ainda, a despeito do tombo observado ontem –, a inflação iniciou 2021 com moderação, ao contrário das hordas de desnaturados que passaram a virada do ano como se esta fosse a última em suas vidas (um risco sempre presente e reforçado pela atitude suicida assumida por parte da população nas festas de fim de ano). Persistem focos localizados de alta e novos surgiram a partir do final de 2020, mas a boa notícia é que as pressões têm pouca ou quase nenhuma relação com a demanda, que, de resto, tende a perder mais fôlego nestes primeiros meses do novo ano em função da baixa capacidade de geração de empregos em todo a economia e do fim do programa de auxílio emergencial.

E por que esse dado específico tem importância? Porque mostra que a elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não precisará exigir a retomada do ciclo de aumento nas taxas básicas de juros para “esfriar” a demanda (já virtualmente congelada) e assim segurar a inflação. Na verdade, a expectativa é de um enfraquecimento adicional da demanda, já que as famílias, sobretudo a mais pobres, tenderão a reduzir ainda mais o consumo em função de dois fatores principais: a ausência de políticas públicas de suporte à renda, enquanto a pandemia recrudesce, e a forte aceleração dos preços dos alimentos desde setembro do ano passado.

Como se sabe, o peso da alimentação no orçamento das famílias de renda mais baixa é proporcionalmente muito maior, como se pode observar no comportamento do IPCA, que afere a inflação para famílias com renda de até 40 salários mínimos, e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que captura o custo de vida das famílias com renda de até cinco salários mínimos. A inflação apurada pelo IPCA fechou 2020 em 4,52% (saindo de 4,31% em 2019), um pouco acima do centro da meta inflacionária fixada para o ano (4,0%). Mas o INPC atingiu 5,45%, com elevação de 15,53% para o grupo alimentação e bebidas. O IPCA registrou variação de 14,09% para o mesmo setor.

Sinal de alívio

A boa notícia é que o ritmo de aumento dos preços perdeu fôlego entre as duas semanas finais de 2020 e a primeira deste ano, segundo atestam os números do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). O IPC-S havia anotado elevação de 1,41% nas quatro semanas encerradas no dia 15 de dezembro e a taxa recuou para 1,21% na semana seguinte, fechando as quatro semanas de dezembro em 1,07%. Nos 30 dias terminados em 7 de janeiro deste ano, o IPC-S recuou para 0,79%. A “inflação dos alimentos” saiu de 2,24% na primeira semana de dezembro do ano passado para 1,49% nas quatro semanas encerradas no dia 7 de janeiro deste ano.

Balanço

·   Ainda não se pode assegurar que a tendência de desaceleração será mantida nas semanas seguintes, mas alguns bancos trabalham com a perspectiva de taxas mais baixas em janeiro e nos meses seguintes. A equipe de macroeconomia do Itaú BBA estima elevação de 0,24% para o IPCA de janeiro, saindo de uma alta de 1,35% em dezembro – a mais elevada para o mês desde 2002.

·   Praticamente 58,0% do índice de dezembro podem ser explicados, segundo o IBGE, por um conjunto de apenas cinco itens ou grupos de produtos: tarifa residencial de energia (em função da adoção do nível dois da bandeira vermelha em dezembro, o que ocasionou elevação média de 9,34% apenas naquele mês); passagens aéreas (num salto de 28,05%); carnes (3,58% de alta, já abaixo dos 6,54% anotados em novembro); gasolina (mais 1,54%, também inferior à variação de 1,64% observada no mês anterior); e frutas (6,73%, depois de elevação de 2,20% em novembro).

·   No caso das frutas e das hortaliças, o aumento das chuvas em janeiro tende a reduzir a oferta, levando a novos aumentos, que poderão ser compensados pela expectativa de entrada no mercado da nova safra de grãos, o que deverá arrefecer a tendência de alta nos preços da soja, do milho e do arroz.

·   Entre os alimentos, a alta ficou concentrada nos 13 itens que mais subiram em dezembro, responsáveis por quase 79,0% da inflação do setor e por 47,6% da variação geral anotada pelo IPCA.

·   Na avaliação do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, os chamados “núcleos da inflação” – indicadores que excluem preços mais voláteis ou consideram preços de produtos mais sujeitos à influência da demanda – experimentaram aceleração importante no acumulado em 12 meses, saindo de 2,44% em novembro para 2,80% em dezembro, “embora ainda abaixo da meta de inflação”.

·   Essa piora relativa, no entanto, prossegue ele, “não compromete as expectativas para os próximos 12 a 18 meses”. Especialmente porque quase 49,0% do índice de dezembro tiveram como origem flutuações nos preços administrados, “que não refletem a demanda”, a exemplo da tarifa de energia. Uma parcela de 16,3% do IPCA mensal refletiu a contribuição do setor de serviços, fortemente influenciada pelo aumento das passagens aéreas. Os serviços que refletem a demanda, acrescenta ele, trouxeram uma contribuição inferior a 5,2% para a formação do índice geral.

 

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