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ECONÔMICA - Estrangeiros reduzem investimentos (mesmo com queda do risco Brasil)
Quarta-feira, 13 de novembro de 2019
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Econômica

Estrangeiros reduzem investimentos (mesmo com queda do risco Brasil)

Postado em: 31-10-2019 às 06h00
Na média, com base no levantamento realizado diariamente pelo Banco Central (BC), a cotação do dólar tem se mantido relativamente estável desde agosto

Ao que parece – e as aparências neste caso sempre enganam –, os mercados teriam tomado a decisão de desprezar a tão decantada classificação de risco do Brasil, que vem melhorando há 15 meses, persistentemente, enquanto a economia derrapa na ociosidade, no desemprego e na falta de demanda. Está certo que as agências que fazem esse tipo de classificação, que considera muito mais a capacidade de cada país honrar dívidas assumidas com os grandes banqueiros internacionais, nunca foram exatamente experts em avaliar o lado real da economia. Mas não deixa de ser um tanto constrangedor observar que as decisões de investidores internacionais parecem seguir na contramão das direções sugeridas pelas agências internacionais, como Fitch e Moody’s – as queridinhas dos mercados.

Segundo manchete estampada pela edição de ontem da Folha de S.Paulo, o índice de risco do País havia atingido, no dia anterior, o nível mais baixo desde maior de 2013, antes da “grande crise”, fixando-se em 117 pontos e sugerindo que o Brasil havia consolidado sua posição no mercado internacional como bom pagador e, portanto, um atrativo para as aplicações dos muito endinheirados, num mundo onde sobra dinheiro. Se é assim, os donos do dinheiro global deveriam estar inundando o País com seus dólares, em busca de aplicações rentáveis.

Mas não é isso o que vem ocorrendo. A queda dos juros, claro, poderia representar um desestímulo ao investidor estrangeiro. Deve-se lembrar, no entanto, que os juros estão muito próximos de zero nas maiores economias do mundo (em alguns casos, até negativos). O câmbio, da mesma forma, poderia significar outro fator de desestímulo, mas o dólar tem se mantido muito bem-comportado nas últimas semanas. Na média, com base no levantamento realizado diariamente pelo Banco Central (BC), a cotação do dólar tem se mantido relativamente estável desde agosto, saindo de quase R$ 4,02 naquele mês para R$ 4,12 em setembro e fechando em R$ 4,09 na média registrada entre os dias 1º e 30 de outubro. É claro que um processo de nítida valorização do real, rotineira nas últimas décadas, geraria perspectivas mais atrativas para especuladores de fora, mas a estabilidade virtual nesta área não é motivo para afugentar investidores de fato.

Fuga de dólares

O mais provável é que o clima de instabilidade política e a falta de crescimento venham operando como um dado mais forte a ser considerado nas decisões de investimento de estrangeiros (e, claro, também de residentes no País). Nos números do BC, o investimento direto de estrangeiros aqui dentro caiu 20,4% em setembro deste ano, saindo de US$ 7,917 bilhões no mesmo mês do ano passado para US$ 6,306 bilhões. No acumulado entre janeiro e setembro, a queda foi de praticamente 12%, com o investimento recuando de US$ 53,953 bilhões para US$ 47,519 bilhões (ou seja, uma redução equivalente a US$ 6,434 bilhões).

Balanço

·   Não foi só o investimento direto que sofreu baixas. A participação de estrangeiros na dívida federal vem caindo desde maio e sofreu forte queda na passagem de agosto para setembro, segundo relatório da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

·   Em maio deste ano, pessoas não residentes no Brasil detinham 12,74% de todos os títulos federais em circulação no mercado, somando R$ 476,039 bilhões. Em agosto, esse valor recuou discretamente para R$ 474,976 bilhões, representando 12,14% do estoque da dívida federal.

·   Já em setembro, a participação desabou para 11,42%, o que significou R$ 19,106 bilhões a menos em mãos de investidores estrangeiros, com sua posição na dívida pública federal em poder do mercado recuando para R$ 455,870 bilhões.

·   A despeito das altas experimentadas pelo mercado de ações, os estrangeiros vêm se desafazendo de seus papéis. Conforme publicado na edição de ontem do jornal Valor Econômico, ao longo dos primeiros 25 dias de outubro, aqueles investidores retiraram do chamado mercado secundário de ações algo como R$ 9,7 bilhões.

·   No acumulado desde janeiro deste ano, ainda com o dado preliminar de outubro, pelo menos de R$ 30,4 bilhões foram retirados das bolsas pelos estrangeiros (ou seja, o fluxo de saída dessas aplicações superou largamente a entrada de novos investimentos, deixando um saldo negativo para a Bolsa).

·   Por enquanto, essa fuga de investidores estrangeiros, talvez preocupados com a retórica beligerante e rasteira que viceja no Palácio do Planalto, não deve ser causa de preocupação, embora a tendência não seja mais tão positiva quanto antes.

·   No acumulado em 12 meses, os investimentos diretos no País baixaram de US$ 76,817 bilhões em dezembro de 2018 para US$ 70,382 bilhões em igual período de 12 meses encerrado em setembro deste ano, num recuo de 8,38% (ou US$ 6,435 bilhões a menos). O volume ainda é expressivo e representa 88% a mais do que o déficit em transações correntes de US$ 37,435 bilhões acumulado até setembro. A anotar: o rombo em transações correntes saltou 83,4% na comparação entre os primeiros nove meses deste ano e o mesmo período de 2018, de US$ 18,566 bilhões para US$ 34,056 bilhões.

  

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