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Esporte
Voo Livre
09/08/2017 | 15h05
Brasília recebe o Mundial de Voo Livre, com 142 pilotos de todo o planeta
O público pode acompanhar o pouso dos pilotos de 29 países na Esplanada dos Ministérios, a partir das 15h, todos os dias, até 19 de agosto

A falta de chuvas e a baixa umidade, características do Estado de Goiás nesta época do ano, podem ser um problema para a maioria das pessoas, mas para os praticantes de asa delta, uma das modalidades do voo livre, o clima de Brasília é perfeito. Não é de hoje que a capital é conhecida pelas boas condições que oferece aos pilotos. Desde 1984, o DF recebe, anualmente, o Campeonato Brasileiro de Asa Delta. E até 19 de agosto, sedia pela segunda vez o Mundial da modalidade. Ao todo, 142 pilotos de 29 países disputarão a corrida no céu pelo primeiro lugar da competição.

A pista de decolagem fica no Vale do Paranã (GO), a cerca de 100km do local de pouso, a Esplanada dos Ministérios. No ar, a distância de um voo direto é de 73km, mas como o percurso da prova passa por pontos obrigatórios, os pilotos rodam de 90km a 150km, dependendo dos locais escolhidos pelos organizadores. O trajeto é definido de acordo com a previsão meteorológica no dia da prova.

Só a chuva não é esperada, o que possibilita tempo favorável para voo todos os dias. Por isso, a cidade é conhecida como Havaí do voo livre. Assim explica o vice-presidente da Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL), Dioclécio Rosendo, 40 anos. “É praticamente impossível chover aqui. Pelo sucesso do Pré-Mundial, realizado aqui em 2016, e as boas condições climáticas, Brasília foi escolhida para sediar o evento”, conta. Além do tempo estável, o dirigente esclarece que as correntes de ventos ascendentes, conhecidas como térmicas, são intensas nesta época do ano.

As térmicas são massas de ar mais quentes, menos densas que o ar ambiente, que se desprendem do solo e tendem a subir. Devido à alta variação de temperatura ao longo do dia, a amplitude térmica é maior, logo, o potencial térmico também cresce. “Essa diferença entre as altas temperaturas encontradas durante o dia e as baixas de noite permite a criação de bolhas de ar, necessárias para o piloto voar”, esclarece Dioclécio. Ele ressalta também a facilidade de um pouso seguro, já que a cidade é cercada por planícies.  

Niemeyer no nome 

Além de facilitar a prática do esporte, Brasília tem um significado especial para um dos 12 competidores brasileiros. O próprio sobrenome mostra a ligação do comerciante Carlos Niemeyer, 58 anos, com a capital. O piloto é sobrinho de Oscar Niemeyer, arquiteto responsável por planejar a cidade. “É uma relação especial para mim. Além da ligação do meu tio-avô, eu tenho família aqui, conheci minha mulher e me casei na Catedral”, relembra Carlos, que já competiu diversas vezes no céu da capital.

O objetivo é repetir a conquista de 1999, quando foi campeão mundial por equipes. “Vamos tentar esse título novamente. Temos uma experiência grande e treinamos bastante, mas também penso em me divertir”, afirma. Campeão brasileiro em 1982, ele elogia a escolha da cidade como sede do Mundial. “Sem a chance de chuva, temos uma diversidade de diferença de vento e uma grande constância de voos”, completa o piloto, que ficou em segundo lugar no Pré-Mundial.

Entre os 97 pilotos que participaram da competição realizada em setembro do ano passado, somente um foi mais rápido que Carlos. O australiano Jonny Durand, 36 anos, estará presente no Mundial e promete dificultar a vida dos brasileiros novamente. Dono do primeiro lugar no ranking mundial, ele ganhou as últimas provas que disputou em Brasília. “É a minha cidade preferida no Brasil. É bom vir para um lugar e saber que terei bons voos. É um dos melhores lugares do mundo para voar de asa delta”, afirma.

Para ele, finalizar a corrida no centro da capital do país é algo único. “Não existe outro lugar que você pode voar tão próximo da casa de um presidente”, brinca. Atualmente, Jonny se dedica somente à carreira de piloto de asa delta. Patrocinado pela Red Bull desde 2004, ele viaja o mundo para participar de eventos e só está em casa, na Austrália, por seis meses no ano. Ele garante que a experiência é um ponto forte dele. “Eu acredito que tenho mais experiência voando aqui do que os outros pilotos, e isso pode me ajudar”, considera. Jonny conheceu Brasília em 2001 e, desde então, só não competiu em um ano na capital.

Programa-se

» O quê: 

Campeonato Mundial de Asa Delta

» Data: 

Até 19 de agosto

Salto no Vale do Paranã (GO) e pouso na Esplanada dos Ministérios

» Horário: 

Decolagem das 12h às 13h e pouso das 15h às 17h 

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