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Mulheres
Diferenças
10/03/2018 | 09h00
Sexo feminino ainda sofre com inexpressividade na política
Número de mulheres exercendo cargos públicos ainda não passa da casa dos 20% em Goiás

Michelle Bachelet

Guilherme Araujo*

Com o fim do mandato da presidente chilena Michelle Bachelet, marcado para este mês de março, quem assume o controle do país será representante da coalização de centro-direita Sebastián Piñera, considerado um conservador. Neste momento, a América Latina passará inteiramente a ser governada por homens.

Mesmo que as leis garantam que haja uma quantidade mínima de candidatas em postos do legislativo – o número teria de ser 30%, de acordo com a Constituição de 1988 -, o crescimento de iniciativas dentro dos partidos para uma maior inserção feminina no engajamento político tem sido observado. No entanto, o que se vê é um estado de representatividade que ainda carece de atenção.

Em 2014, o continente chegou a ter qautro mulheres no topo do poderio. Além de Bachelet, ocuparam cargos de alta patente Laura Chinchilla, na Costa Rica, e Cristina Fernández de Kirchner na Argentina. Além das três, passou a levar no peito a faixa presidencial neste mesmo período a brasileira Dilma Rousseff. Eleita com 54,5 milhões de votos, a presidente foi deposta antes da metade de seu segundo mandato por acusações de crime de responsabilidade fiscal.

Representantes de 51% da população do País, 13 das 81 cadeiras do Senado Federal são ocupadas por mulheres, apenas uma representa Goiás. Na Câmara, o número é ainda menor: dos 513 deputados, 10,5% são do sexo feminino, duas são goianas - uma discrepância bastante nítida por aspectos menores, como a ausência, até há cerca de dois anos, de um banheiro exclusivamente feminino no plenário do Senado.

Por outro lado, nomes como o da senadora Lúcia Vânia, da deputada federal Flávia Moraes ou da deputada estadual Adriana Accorsi são dotados de relativa expressividade em todo o Estado - uma constatação dada pela quantidade de votos recebidas nas últimas eleições e pela agenda apertada. Procuradas pela reportagem de OHoje.com, nenhuma delas pode responder a tempo do fechamento desta matéria.

Selma Bastos

Prefeita reeleita da cidade de Goiás, antiga capital do Estado, Selma Bastos (foto: Wildes Barbosa) destaca que ainda há uma série de dificuldades a ser rompida. “Tudo ainda é muito novo. Não é redundante dizer que vivemos em uma sociedade machista que somente após a instalação da democracia nos permitiu garantir uma cota nos cargos eletivos”.

Nos 246 municípios do Estado de Goiás, de acordo com dados da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), existem 35 prefeitas em exercício – números que equivalem a 14% do total. Frente a esta realidade, Selma afirma que a realidade ainda caminha a passos lentos. “Não podemos desmerecer as conquistas feitas até agora, mas infelizmente ainda somos poucas. Se formos pensar no âmbito geral, no Brasil, esse número não chega a 8%”, lamenta.

O número de outros cargos, como o de vereadoras, é igualmente pequeno. Na capital, dos 35 vereadores eleitos em 2016, apenas 5 são mulheres. Frente a este panorama, Selma acredita que embora as mulheres estejam cada vez mais ativas e deixando um legado, ainda é preciso intensificar o processo.

Barreiras

“Lamentavelmente nós que ocupamos esses espaços acabamos sendo vítima do preconceito, da intolerância e da misoginia”, explica Selma. Definindo-se como uma mulher corajosa, no entanto, ela afirma que os comentários não são capazes de desmotivá-la. A prefeita ainda se diz feliz por perceber um senso de empoderamento atingindo um número maior de pessoas. “Isso contribui para a transformação do cenário caótico atual”.

Tatiana Lemos

Quem também advoga em favor da causa feminina e se faz representante do gênero na política é a vereadora Tatiana Lemos. “A política reflete nossa sociedade. No início cheguei a ouvir que ‘a Câmara estava mais enfeitada’, ou ainda comentários ligados aos nossos corpos e ao nosso modo de vestir. Mas acredito que unidas, somos capazes de mostrar a que viemos e nos fazer ser respeitadas” Para ela, a luta é diária. “Nunca teremos uma democracia plena enquanto as mulheres não ocuparem um espaço de igualdade nas esferas de poder e decisão”.

Filha da também parlamentar Isaura Lemos, deputada estadual, ela ressalta a importância de promoção da consciência política entre a população feminina, afirmando que a maior barreira frente ao engajamento é o machismo institucionalizado.

Machismo

Uma pesquisa divulgada pelo Ibope no ano passado, 99% dos brasileiros afirmam ter o machismo em seu cotidiano – realidade expressa no cotidiano do brasileiro que faz com que o senso de consciência política seja cada vez mais pertinente e necessário, como afirma a assistente de serviço social,  Ana Terra Meira. Livre de filiações partidárias, ela conta que participa ativamente de questões políticas desde 2013, ao entrar na faculdade. “Foi um período de ocupações e me interessei. O meu curso tem um caráter político e penso que é preciso observar a importância de se inserir em debates que agreguem e possam construir coisas”, lembra.

Como membro ativa do movimento feminista, passou a discutir questões de cunho político. “À medida que estudava, fui me inserindo em debates e espaços de participação política em relação à mulher. Só assim entendi o meu processo de formação sexual, identitário”.

Questionada sobre a quantidade de mulheres exercendo cargos, Ana acredita que foi criada numa família de mulheres politizadas e independentes, então a importância de se estar neste espaço de existência é muito grande. "Precisamos nos fazer ser enxergadas, pois creio que somente essa visibilidade conjunta, embasada por discussões, nos fará ser cada vez um número maior e mais respeitadas”, conclui.

*Guilherme Araujo é integrante do programa de estágio do jornal OHoje.com, com supervisão de Naiara Gonçalves

Foto: Divulgação

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