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Mulheres
Vida feminina
24/10/2018 | 14h04
Estudo mostra os impactos da falta de saneamento básico
Pesquisa mostra que uma em cada quatro mulheres não tem acesso adequado à água tratada, coleta e tratamento dos esgotos

27 milhões de mulheres não têm acesso adequado à infraestrutura sanitária e o saneamento (Foto: Reprodução)

Da Redação

A falta de saneamento básico tem impactos negativos para toda a sociedade, e o problema é um dos fatores que reforçam a desigualdade de gênero no Brasil. Essa é uma das conclusões do estudo “O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira”, que revela que o acesso a água e esgoto tiraria imediatamente 635 mil de mulheres da pobreza, a maior parte delas negras e jovens.

Hoje no país 27 milhões de mulheres , uma em cada quatro, não têm acesso adequado à infraestrutura sanitária e o saneamento é variável determinante em saúde, educação, renda e bem-estar. Os resultados se somam as preocupações levantadas pela Campanha Outubro Rosa de atenção à saúde da mulher. 

O estudo foi feito pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a BRK Ambiental e apoio do Pacto Global, conduzida pela Ex Ante Consultoria, com base em dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos Ministérios da Saúde, Educação e Cidades.

O economista Fernando Garcia de Freitas, responsável pela pesquisa, lembra que quando há falta de água em casa ou quando alguém da família adoece em decorrência da falta de saneamento, em geral a rotina das mulheres é mais afetada, sendo o impacto desses problemas no tempo produtivo delas é 10% maior que o dos homens.  “Temos um retrato evidente de como a falta de água e esgoto impacta a criança, a jovem, a trabalhadora, mãe e a idosa, impedindo a melhoria de vida e aprofundando as desigualdades”, explica.

Na idade escolar, as meninas sem acesso a banheiro têm desempenho estudantil pior, com 46 pontos a menos em média no ENEM quando comparadas à média dos estudantes brasileiros. O saneamento impacta ainda no ingresso ao mercado de trabalho, uma vez que o acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto poderia reduzir em até 10% o atraso escolar da estudante. Outro dado impactante aponta que 1,5 milhão de mulheres não tem banheiro em casa e que essas brasileiras têm renda 73,5% menor em comparação às trabalhadoras com banheiro em casa. 

Os números também mostram que a falta de acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário é uma das principais causas de incidência de doenças diarreicas, que levam as mulheres a se afastarem 3,5 dias por ano, em média, de suas atividades rotineiras. O afastamento por esses problemas de saúde afeta principalmente o tempo destinado a descanso, lazer e atividades pessoais. Meninas de até 14 anos são as maiores vítimas desse quadro, com índice de afastamento por diarreia 76% maior que a média em outras idades (132,5 casos de afastamento por mil mulheres contra 76). Já no caso da mortalidade, o déficit de saneamento é mais perigoso para a mulher idosa, que corresponderam a 73,7% das mortes entre as mulheres sem acesso ao saneamento.

No caso da renda, o acesso ao saneamento traria ainda um acréscimo médio de R$ 321,03 ao ano para cada uma dessas brasileiras, o que representaria um ganho total à economia do país de mais de R$ 12 bilhões ao ano.

Diferenças regionais

A pesquisa também aponta a grande disparidade entre as regiões do País, o que comprova a desigualdade territorial no acesso ao saneamento básico. No Norte e no Nordeste, por exemplo, o atendimento regular de água chega a apenas 53,2% das mulheres.

Outro dado que chama bastante atenção é que 70% do total de mulheres que não têm banheiro em casa estão concentradas no Nordeste.

Isso, no entanto, não faz da região Sudeste um oásis no acesso de adequado à água. Apesar de percentuais mais baixos, os números absolutos da região mais rica do país são bastante elevados: em São Paulo, são mais de dois milhões de mulheres sem água na torneira de forma frequente; no Rio, 2,1 milhões, e em Minas Gerais, 1,5 milhão

Com relação à coleta de esgoto adequada nas áreas urbanas, casas ligadas à rede pública de coleta ou que contam com fossas sépticas, no caso das áreas rurais o maior déficit é no Norte, onde o problema atinge 67,3% da população. Nesse cenário, um dos casos que se destaca por estar conseguindo inverter a situação do déficit de coleta e tratamento de esgoto é o Tocantins: o Estado conseguiu levar esgoto adequado a mais de 56% da população feminina e a capital Palmas praticamente universalizou o serviço 

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