Mulheres

Coletor Menstrual: entenda o que é e como usar o possível substituto do absorvente

Postado em: 28-02-2021 às 10h00
As mulheres estão optando pelo copinho pela economia, por não gerar odor e não conter substâncias químicas | Foto: reprodução

Jordana Ayres 

Um dos métodos alternativos de cuidado com a higiene íntima feminina que possui chances de atuar como um dos possíveis substitutos do absorvente é o coletor menstrual. Ele é uma espécie de dispositivo em formato de copo, feito geralmente em silicone ou borracha que possui como função principal coletar o sangue menstrual internamente. As instruções para utilizá-lo são simples, consiste em lavar bem as mãos, encontrar uma posição confortável (em pé, agachada, ou sentada no vaso sanitário), dobrar o coletor e inseri-lo.

As mulheres estão optando pelos copinhos devido a economia, já que conseguem armazenar cerca de três vezes mais conteúdo que outros tipos de absorvente e precisam ser trocados com menos frequência.  Além disso, não gera odor, não contém substâncias químicas, e ainda é capaz de promover o autoconhecimento, afinal, muitos dos tabus da menstruação relacionados ao fluxo sanguíneo são quebrados. As marcas costumam fabricá-los em dois tamanhos diferentes, sendo um para mulheres acima de 30 anos que já possuem filhos e outro para mulheres com menos de 30 anos que ainda não são mães. É possível encontrar em algumas lojas o tamanho teens, voltado para adolescentes. 

A adaptação pode não ser fácil nos primeiros meses e gerar certo incômodo, como aconteceu com a analista de business intelligence (BI), Cristiane Gellert, de 37 anos. “Nos dois primeiros meses eu tive um pouco de dificuldade com a dobra correta, então vazava, mas depois peguei o jeito”. Cristiane alega que ter descoberto um meio diferente dos comumente utilizados pelas mulheres durante o ciclo menstrual fez com que ela olhasse com outros olhos para os dias temidos pelo sexo feminino: “É prático, higiênico, posso nadar, fazer trilha, andar de bicicleta. Fora que depois que comecei a usar, percebi que aquele sangue não é sujo nem cheira mal, é simplesmente sangue e gera vidas.”

A advogada paulista Anna Carolina Prizantelli, de 25 anos, conta que não se adaptou ao coletor mesmo fazendo inúmeras tentativas durante 6 meses. “Não me adaptei, tentei colocar de todas as maneiras que vi na internet, assisti tutoriais e vídeos, mas não deu certo. Muitas vezes não ficava encaixado corretamente e vazava, sem falar que eu sentia um leve incômodo usando”. Anna afirma também que não sentia segurança com o copinho ao sair de casa: “não era tão simples tirar, higienizar e colocar novamente. Por fim, fazia uma sujeira danada.”

Segundo a ginecologista Roberta Figueiredo, é cada vez maior o número de mulheres que optam por deixar os absorventes de lado, para se renderem a novas experiências. “Eu estou sempre indicando para as minhas clientes o coletor menstrual. Além de ser super prático, é hipoalergênico e o principal: os riscos de infecção são baixos.” A médica ressalta que, caso os problemas em relação ao coletor persistam, o mercado está em constante evolução e possui uma vasta gama de opções, indo desde coletores descartáveis em formas de disco que permitem a relação sexual, até a calcinhas menstruais que lembram a absorventes de pano. 

Gineterapia

Aprofundando ainda mais em novas abordagens que remetem à saúde feminina, outro método que está ficando conhecido entre as mulheres é a gineterapia. Esse tratamento alternativo consiste em restabelecer o equilíbrio da mulher para que ela tenha uma vida plena no campo hormonal, nutricional, físico e energético. A profissional, denominada gineterapeuta, atua nos processos individuais das mulheres ao longo da vida, trabalhando na remoção de traumas ginecológicos ou emocionais conectados ao sistema reprodutor. 

Janielle Bispo Pinheiro, profissional da área, relata a perspectiva que possui sobre os coletores menstruais. “Na prática é uma alternativa saudável em quesito ecologia e saúde íntima da mulher, até porque nós não merecemos passar horas utilizando absorvente com resíduos químicos e poluentes para a Yoni (vulva ou vagina em sânscrito, que significa portal sagrado). Eu me tornei adepta há alguns anos, e desde o primeiro uso, aprendi a ter percepção dos anéis vaginais, canal da vagina e profundidade do útero durante as fases do ciclo menstrual.  Ao longo dos anos o meu corpo foi rejeitando e passou a não aceitar a entrada do coletor, e eu respeitei buscando outras respostas. O coletor dificultava a conexão com o sangue descendo esvaziando-se do ventre, e além disso agia como um tampão no chakra muladhara (que se localiza na base do períneo entre a vagina e o ânus). Esse processo me fez perceber que por longos períodos eu não estava de fato sentindo a liberação energética em sua plenitude no período menstrual.”

A gineterapeuta conta sobre a importância de conhecer o corpo, aprendendo com ele e faz uma alerta: “Já vi propaganda de vendas de coletores que utilizam a frase: ‘você nem vai perceber que está menstruada’́, deusa me livre! Quero perceber sim e sentir inteiramente esse momento que é nosso por direito à vida. Sangue que gera vida! A dica que repasso é: observem a conexão do corpo e os movimentos que emanam com o uso dos coletores, utilizem sim, mas com consciência. Uma alternativa é alternar quando possível, ou passar alguns períodos sem o coletor durante a lunação.”









 

 

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