Mulheres

Mesmo no poder, caminho para comemorar conquistas ainda é árduo

Postado em: 08-03-2021 às 07h45
O Hoje falou com mulheres em importantes cargos de governo em Goiás sobre como lidam com o trabalho em prol do público feminino sendo minoria nestes espaços | Foto: Reprodução

Nathan Sampaio

Não é novidade, mas vale a pena reforçar: as mulheres são maioria na sociedade e, consequentemente, maioria como eleitoras, porém, no poder, elas ainda estão longe de alcançar os homens. O último censo do IBGE mostrou que, em Goiás, as mulheres representam 50,4% da população e, como eleitoras, 53,3% do total de pessoas aptas a votar. Porém, em cargos políticos ou de governo, são minoria esmagadora. Na Assembleia Legislativa (Alego), por exemplo, das 41 cadeiras, apenas 2 são ocupadas por deputadas, menos de 1%. E isso segue semelhante em outros ambientes legislativos, executivos e mesmo à frente de pastas no governo.

Para entender o que elas pensam sobre isso, nada mais justo do que ouvir delas sobre o assunto. Ocupando uma das duas cadeiras na Alego, a deputada Adriana Accorsi afirmou que, no Dia da Mulher, mais do que comemorar as conquistas, há os desafios que continuam sendo muito maiores. “Há um longo caminho para um mundo igualitário onde nós sejamos tratadas como iguais. Eu vejo que meu trabalho como deputada é muito importante neste sentido, e me sinto honrada por ser uma representante e procuro priorizar essa responsabilidade”, declarou.

Dentro disso, Adriana confirmou que o direito das mulheres, o combate a violência contra elas, são e sempre serão prioridades. “Temos que estar lá, a mulher tem que estar na política, por que nós é que sabemos o que passamos. Ainda mais porque é muito difícil ser eleita em Goiás, o estado ainda é machista. Muitas pessoas ainda não acreditam na nossa capacidade, e o ambiente político ainda é liderado na maioria por homens. Mas vejo que temos conseguido avançar”, assegurou, citando que o seu partido, por exemplo, tem procurado lutar pela igualdade e que tem um programa chamado Elas por Elas, que ajudou com que mais mulheres fossem eleitas nas últimas eleições.

Por sua vez, a secretária de Economia de Goiás, Cristiane Schmidt, uma das três à frente de uma das 17 pastas no Estado, afirmou que esta disparidade social nada tem a ver com intelectualidade feminina ou masculina. “É algo cultural. Infelizmente ainda estamos em um mundo muito masculino em que você olha pros ministros, políticos, secretários de qualquer Estado, posições de diretorias em bancos e presidências de empresas e notamos a ausência feminina ou um número reduzido de mulheres. Neste sentido, o dia da mulher é importante para que reforce a consciência das pessoas sobre a igualdade nestes espaços”, garantiu.

Cristiane, que é doutora em economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), contou, ainda, que foi a quarta mulher a completar o doutorado em sua época. “Hoje estamos ocupando mais espaços, mas ainda falta muito. Na própria academia [FGV] temos apenas uma mulher professora titular da escola de pós graduação em economia, e ao longo da história sempre foi assim”, pontuou, reforçando que não se trata de discriminação, mas de algo que precise de atenção, e que “vai mudar”.

A chefe da pasta de Economia de Goiás, também citou a pandemia como um período particularmente difícil para as mulheres. “Isso acontece porque, com a cultura machista, muitas mulheres precisaram deixar seus empregos e, com as escolas fechadas, tiveram sua jornada dificultada para continuar trabalhando. As mulheres de baixa renda, principalmente, sofreram, pois elas trabalham majoritariamente no setor de serviço e além de perder seus faturamento, muitas sofreram mais violências”, concluiu Cristiane, reiterando que esse Dia da Mulher sirva para a amplificação da consciência sobre a igualdade entre os gêneros.

Outra mulher que enfrenta um espaço minoritário na política, a vereadora Aava Santiago é uma das cinco que foram eleitas em 2020 em Goiânia, em uma Casa Legislativa com 35 cadeiras. Aava conta que seu trabalho em prol das mulheres é algo que afeta, positivamente, toda sociedade. “Um dos meus focos é trabalhar pela empregabilidade materna. Todos temos uma mulher em casa, e elas costumam ser mais empreendedoras, buscam todas as alternativas para que a renda continue dentro de casa”, avaliou, justificando que se elas forem beneficiadas, todos saem ganhando.

Apesar disso, a vereadora revelou que teve e tem suas dificuldades por ser mulher desde sempre. “Na época de campanha, por exemplo, quando expunha meus projetos para homens, eles questionavam o porquê de tantas propostas para as mulheres. Então eu precisava explicar: se as mulheres da sua família tiverem empregadas, se houver a garantia de que elas não sofram quaisquer tipos violências, não seria bom? Para então eles entenderem a importância desse trabalho”, revelou.

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