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Mundo
Ataques
14/04/2018 | 16h05
ONU teme que situação no País da Síria fique "fora de controle"
Secretário-geral Antônio Guterres pediu que se evitem “atos que possam gerar uma escalada” das tensões na região, onde há diversos países envolvidos em um conflito que começou em 2011

“Peço a todos os Estados-membros para que mostrem moderação nestas perigosas circunstâncias”, afirmou Guterres.

O secretário-geral pediu a todas as partes que respeitem a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, em geral, e acrescentou que é responsabilidade do Conselho de Segurança manuter a paz e a segurança.

Guterres pediu que se evitem “atos que possam gerar uma escalada” das tensões na região, onde há diversos países envolvidos em um conflito que começou em 2011 e já deixou centenas de milhares de mortos.

A sessão de urgência do Conselho de Segurança da ONU foi convocada a pedido da Rússia, após o ataque de mísseis realizado pelos Estados Unidos, Reino Unido e França contra alvos na Síria, na madrugada deste sábado.

De acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, foram lançados 105 mísseis contra alvos supostamente relacionados à produção de armas químicas.

O bombardeio ocorreu poucas horas antes da previsão de visita de uma equipe de investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) para avaliar se houve uso de gás cloro em um ataque que deixou dezenas de mortos em Duma, na Síria, na semana passada.

Em comunicado, o Exército sírio garantiu que as forças de defesa antiaérea derrubaram “a maioria” dos 110 mísseis lançados contra posições em Damasco e na província de Homs. Além disso, três civis ficaram feridos.

Rússia

Durante a reunião do Conselho de Segurança, o embaixador Russo, Vasyl Nebenzia, disse que “a situação na Síria representa atualmente a ameaça mais séria contra a paz e a segurança internacional”.

O diplomata acusou os Estados Unidos e seus países aliados de "pisotear" o direito internacional pelo ataque lançado e qualificou como “vergonhosas" as justificativas legais utilizadas. “Os senhores estão pisoteando a Carta das Nações Unidas e o direito internacional”, afirmou.

Para Nebenzi, a justificativa dos Estados Unidos foi "vergonhosa". Mais cedo, o secretário de Defesa norte-americano, James Mattis, deu como base legal para o ataque a necessidade de proteger os interesses dos Estados Unidos e de cumprir o Artigo 2 da sua Constituição.

"É vergonhoso que para executar uma agressão [a outro país] se invoque um artigo da Constituição dos Estados Unidos", disse o diplomata russo. "É hora de entender que o código internacional que regula o emprego da força está definido pela Carta das Nações Unidas", acrescentou.

O diplomata pediu ainda que o Conselho de Segurança condene o ataque e trabalhe para impedir novas agressões contra a Síria, com o argumento de que o uso da força pouco contribui para o processo de paz.

Armas preparadas e carregadas

Já a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, disse que o país têm suas próprias armas "preparadas e carregadas" para uma nova ofensiva contra a Síria, caso haja novo ataque com uso de armas químicas.

“Estamos preparados para manter a pressão, se o regime sírio for tão estúpido a ponto de pôr a toda prova nossa vontade”, disse a embaixadora durante a reunião.

De acordo com Nikki Haley, o ataque conjunto foi uma “mensagem clara” de que não se permitirá que o regime de Assad continue usando armas químicas.

Segundo Haley, os Estados Unidos têm “informação clara de que está demonstrada a culpabilidade de Assad” nesse suposto uso de armas químicas em Duma.

A embaixadora contou que conversou hoje com o presidente Donald Trump e ele disse que, "se o regime sírio usar esse gás venenoso de novo, os Estados Unidos têm suas armas preparadas e carregadas”.

 Com informações da Agência Brasil. 
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