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03/10/2018 | 06h00
ONU alerta para risco de epidemias na Indonésia
O porta-voz afirmou que as prioridades apontadas pelas autoridades são a ajuda com o transporte aéreo, com a geração de eletricidade e com o abastecimento de combustível

As agências humanitárias da Organização das Nações Unidas (ONU) estão prontas para poder responder a algumas das demandas das autoridades da Indonésia para ajudar os afetados pelo terremoto e tsunami na ilha de Celebes, e alertam para o risco que correm crianças desacompanhadas e para a possibilidade de epidemias.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, explicou que o governo indonésio informou nas últimas horas que receberá organizações internacionais que possam fornecer assistência específica sobre necessidades identificadas

“O que querem é uma resposta caso a caso. O governo tem uma grande capacidade e uma grande experiência em desastres. Haverá necessidades às quais a ONU poderá responder e outras não. Nós estamos dispostos a ajudar. Mas há muitos atores envolvidos”, disse Laerke.

O porta-voz afirmou que as prioridades apontadas pelas autoridades são a ajuda com o transporte aéreo, com a geração de eletricidade e com o abastecimento de combustível.

O governo da Indonésia elevou ontem para 1.234 o número de mortos por conta do terremoto de magnitude 7,5 e o posterior tsunami na ilha de Celebes na última sexta-feira (28).

Por outro lado, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), TarikJasarevic, advertiu para o risco de epidemias, dada a falta de água potável e de avarias nos sistemas de saneamento. Mesmo antes do terremoto, a área mais afetada já registrava casos de diarreia e problemas respiratórios, “por isso alguns agentes patogênicos já estavam presentes”.

Além disso, a malária é endêmica na região, e os mosquitos nascem em lugares com água parada e falta de saneamento.

Por enquanto, sabe-se que um hospital ficou inutilizado por causa do tremor e as autoridades estão avaliando o estado de outros centros de saúde.

“É essencial ajudar os feridos, mas também os doentes crônicos que tenham perdido seus remédios, avaliar os níveis de imunização e reconstruir os centros destruídos”, disse o porta-voz da OMS.

Atendimento psicológico 

Jasarevic acrescentou que haverá uma necessidade clara de tratamento psicossocial para muitas vítimas. Segundo a Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), além dos mortos, há 799 feridos em estado grave internados em diferentes hospitais.

O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ChristophBoulierac, destacou os problemas de proteção que podem surgir com crianças não acompanhadas, cujos pais morreram ou desapareceram.

“O epicentro do terremoto e o tsunami são em uma região com uma porcentagem muito baixa de registro de nascimentos. Conforme dados do governo, apenas 33% das crianças menores de cinco anos têm certidão de nascimento. Sem identificação, o trabalho para reunir famílias complica consideravelmente”, explicou Boulierac.

Neste sentido, o porta-voz do Unicef lembrou do risco de exploração infantil e sexual e o possível tráfico de menores que acontece nestes contextos. De acordo com ele, a região tem uma população muito jovem (35% dos habitantes são crianças) e muito pobre (considera-se que 43% dos menores vivem na pobreza).

Além disso, ressaltou que há uma alta porcentagem de menores que sofrem desnutrição infantil e que 41% das crianças não crescem no ritmo desejado. (Agência Brasil) 

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