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05/12/2018 | 06h00
França congela preços de gás, energia e impostos dos combustíveis
Após onda de protestos, liderados pelo movimento ‘coletes amarelos’, governo cedeu às pressões populares

Com coletes amarelos, manifestantes protestaram contra aumento de impostos sobre combustíveis

O primeiro-ministro da França, Édouard Philippe, anunciou ontem (4) o congelamento dos preços do gás, da eletricidade e dos impostos sobre os combustíveis como medidas de choque para apaziguar os protestos do movimento chamado coletes amarelos.

Em declaração transmitida por emissoras de televisão, Philippe disse que "nenhum imposto merece colocar em risco a unidade da nação". Ele adiantou que também será suspenso o endurecimento da inspeção técnica de veículos, outra das exigências originais do movimento.

"Esta raiva, que vem de longe e durante muito tempo ficou muda, hoje se expressa com força e de forma coletiva. Seria preciso estar surdo e cego para não vê-la e ouvi-la", afirmou o primeiro-ministro. Disse que será aberto um diálogo nacional para revisar o sistema tributário francês.

Como primeiras medidas, a França suspende durante seis meses o aumento da taxa de carbono, a convergência de preços entre o diesel e a gasolina e o aumento da tributação sobre o gasóleo dos veículos agrícolas.

"Essas medidas tributárias não serão aplicadas antes de serem debatidas por todas as partes envolvidas. Neste tempo, queremos identificar e iniciar medidas de acompanhamento justas e eficazes. Se não as encontrarmos, tiraremos conclusões", disse Philippe.

Também será congelado por seis meses o endurecimento das condições de inspeção técnica a veículos, o que deveria entrar em vigor em 1º de janeiro.

Tarifas de eletricidade

Do mesmo modo, também não haverá aumento nas tarifas de eletricidade e gás durante todo o inverno, enquanto durar o processo de concertação nacional.

"Essas decisões, imediatas, devem trazer o apaziguamento e a serenidade ao país. Devem permitir que nós lancemos um diálogo verdadeiro sobre o conjunto de preocupações expressadas nestas últimas semanas", acrescentou.

No entanto, Philippe foi contundente ao afirmar que, desde o início do movimento dos coletes amarelos, quatro franceses morreram e centenas ficaram feridos nos protestos, por isso "a violência deve cessar".

Ao mencionar o grande "debate" que acontecerá entre 15 de dezembro e 1º de março em torno da tributação, Philippe reconheceu que os impostos e taxas na França "são os mais elevados da Europa". Trata-se de um "sistema complexo e às vezes injusto", disse.

"Se os eventos dos últimos dias mostraram algo, é que os franceses não querem aumento de impostos. [Mas] se estes caírem, também será necessário reduzir os gastos, já que não queremos deixar as dívidas para nossos filhos", frisou o primeiro-ministro francês. (Agência Brasil)

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