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Política
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14-03-2019 | 06h00
Ronaldo Caiado defende que partido declare apoio a Bolsonaro
Caiado indicou que um eventual apoio formal da legenda vai contribuir com os avanços do País

Raphael Bezerra*

O Democratas se articula para apoiar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) para conseguir construir a maioria necessária para a aprovação da Reforma da Previdência. Governador de Goiás e presidente do partido no Estado, Ronaldo Caiado (DEM) defende que os correligionários do partido declarem apoio ao presidente. O presidente nacional do Democratas e prefeito de Salvador (Bahia), ACM Neto, afirmou que o partido deve ajudar o governo na aprovação da Reforma da Previdência. As declarações foram feitas após reunião da Executiva Nacional da legenda realizada na manhã de ontem (13). “Aos poucos as coisas vão se acomodando. Não podemos deixar que pequenos detalhes se transformem em grandes crises”, argumentou Caiado.

No encontro, Ronaldo Caiado indicou que um eventual apoio formal da legenda vai contribuir com os avanços do País. “O presidente ACM Neto ficou de convocar mais membros do partido para ter uma pauta específica e deliberarmos. Levei essa matéria à discussão por entender que temos um partido orgânico, estruturado e composto por pessoas qualificadas para debater as áreas do governo”, declarou.

Apesar da defesa do governador, o presidente da Câmara dos Deputados Federais, Rodrigo Maia (DEM), considera que o movimento do governador de Goiás de levar o apoio incondicional ao governo Bolsonaro é um equívoco, como declarou anteriormente à Folha de S. Paulo. “Ir sozinho para a base do governo, como sugeriu o Caiado [Ronaldo Caiado, governador de Goiás], é uma precipitação, um erro de avaliação de como forma a base no parlamento brasileiro”, garantiu anteriormente. Procurado ontem pela reportagem, Maia preferiu não comentar a declaração.

O deputado Pedro Lupion, vice-líder do governo no congresso reconheceu que tem muita gente insatisfeita com o aceno de Caiado. Segundo ele, muitos parlamentares consideram "cedo" uma adesão completa. Questionado sobre qual o percentual de insatisfeitos, admitiu que é a maioria. 

Ao O Hoje, o presidente da legenda, ACM Neto negou que um clima de insatisfação prevaleça, dizendo ser objetivo da legenda ajudar o governo a construir maioria no Congresso, especialmente para as reformas econômicas. Ele também afirmou que o partido quer ajudar o governo a construir maioria para garantir a aprovação da reforma da Previdência, mas cobrou do Planalto clareza na articulação no Congresso pelas mudanças nas aposentadorias. Entretanto, ele afirmou, em coletiva de imprensa após a reunião, que “do ponto de vista principiológico (SIC), o partido tem absoluta concordância com o governo”, indicou. "Não acho que o governo perdeu o tempo de organização, mas precisa definir claramente a articulação política que ele quer fazer", acrescentou. 

O Democratas é um dos partidos com grande representação no governo de Jair Bolsonaro. Além de ter três ministros no governo, a legenda também tem a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Apesar disso, ainda não definiu sua posição frente ao Executivo. “Não vamos participar de nenhum tipo de toma-lá-dá-cá, temos compromisso com a agenda do País”, disse. A bancada do DEM na Câmara Federal conta com 29 nomes, desses, apenas dois são goianos; o Deputado José Mario Schreiner e Zacharias Calil. Os deputados goianos foram procurados para saber a posição em relação ao governo mas até o fechamento da edição não responderam as solicitações. 

Sinalização do presidente 

Antes de definir uma aliança formal, o presidente do Democratas, ACM Neto,  sinalizou que espera entender melhor qual é o ambiente de construção política de Bolsonaro para se posicionar. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), entende que a decisão de o partido figurar na base ou na oposição se dará “em tempo oportuno”. ACM Neto ressaltou que o governo Bolsonaro tem que trabalhar para aprovar a matéria no primeiro semestre. A expectativa do governo federal é da aprovação que a Reforma da Previdência ocorra ainda no primeiro semestre para auxiliar a retomada de investimentos na economia nacional. 

Apesar da defesa do partido, o líder do Democratas na Câmara dos deputados, Elmar Nascimento (DEM-BA) tem se posicionado contra alguns itens da proposta levada ao Congresso pelo presidente. Segundo ele, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a aposentadoria Rural não deve ser alterados. Além disso, ele cobra maior diálogo do governo com os deputados e relata a dificuldade de articulação do governo. “Se agora, na reforma da Previdência, tivesse sido feito um diálogo mais aprofundado com os líderes talvez se ganhasse tempo e se evitasse alguns equívocos que terminam contaminando a comunicação da reforma. O nosso mandato não vai servir para prejudicar o trabalhador rural mais pobre, quem precisa do Benefício de Prestação Continuada”, afirmou. 

Para conseguir os votos para aprovar a Reforma da Previdência o governo precisa de maioria absoluta (308 votos).Aliados do governo dizem que Bolsonaro precisa utilizar a comunicação nas redes sociais como a principal arma política para convencer os parlamentares e a opinião pública. Um dos principais entraves para a pauta, pode ser o lobby, principalmente por parte do representantes dos funcionários públicos, explica o secretário da Previdência Rogério Marinho. (* Especial para O Hoje)

 

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