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Ser do bem

Doutores animais

Postado em: 29-06-2019 as 06h00
Cachorros auxiliam em sessões de fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia

Isabela Martins

A companhia de animais além de alegrar o ambiente pode servir como terapia para pacientes que fazem algum tipo de tratamento de saúde. Em Morrinhos um projeto com cachorros que ajuda crianças e adultos durante sessões de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia é realizada na rede pública. Os encontros que ocorrem no Centro de Reabilitação em Fisioterapia de Morrinhos (Crefim) já atenderam quase 30 pacientes.

A criadora do projeto a veterinária Aline Camargo conta que não é qualquer cachorro que pode participar da terapia. “Ele tem que ser vacinado, vermifugado e ter controle dos carrapatos. Eles passam por uma seleção de exames de comportamento, e se tiver um mínimo de agressividade não pode participar. Além disso, tem o bem estar, o animal precisa gostar do que está fazendo”. 

A psicóloga Lorena Morais destaca no caso do paciente ter algum problema neurológico, deficiência física, ou crianças com alto grau de agressividade, busca através do animal trabalhar a disciplina e alteração de comportamento. “Muitos pacientes com algumas dessas dificuldades, a partir do momento que a gente insere os animais conseguimos um resultado, pelo tipo de relacionamento, afeto que você vai estar trabalhando”.

Bichos que curam

Natália Eugênia da Silva conheceu o projeto de duas formas. Ela estava voltando a estudar depois do nascimento do filho Ângelo e ficou sabendo do projeto que era realizado próximo a escola em que ele estudava quando resolveu ser voluntária. “Quando o Ângelo nasceu minha vida mudou, era tudo novo, diferente e eu não entendia. E o projeto me ajudou muito em tudo. Primeiro eu conheci várias pessoas com deficiência, vi que a minha realidade era igual de outros pais, aprendi com aquelas crianças. Era uma coisa nova pra mim, terapias assistida por animais, desde o começo a gente viu a evolução das crianças com os animais ajudando nas sessões”.

Paciente

O segundo momento dela na terapia foi como paciente. Após cirurgias que botaram a vida do filho em risco, Natália sentiu o impacto no psicológico. “Fiquei muito mal, e eu sempre tive bloqueio de falar o que sinto tipo de travar mesmo e não conseguir falar nada. Então comecei no projeto, só que dessa vez como paciente”, conta. “Lembro que no primeiro dia fui tremendo, estava muito ansiosa, preocupada. Tinha muita coisa acontecendo comigo na época e eu não sabia se ia conseguir falar tudo. Mas com os cães é muito diferente”.

Ela conta que os momentos com o animal se tornam uma verdadeira terapia. “Como eu travava, sentia vergonha de falar aquilo frente a frente com alguém, com o cachorro ali junto, me distraia. A presença dos animas acalma tira a ansiedade, a gente sente o carinho dos cães. Aí assim vai fluindo as coisas, as palavras. E animal é tudo de bom”, conta.

 

Projeto autoriza animais domésticos em unidades de saúde  

Foi aprovado em primeira votação pelo plenário da Câmara de Goiânia o projeto de lei do vereador Romário Policarpo (PROS) que autoriza e normatiza a entrada de animais domésticos e de estimação nas unidades públicas e particulares integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS). A regulamentação da visita dos pets em hospitais, clínicas e asilos permitirá a adoção da chamada Terapia Assistida por animais (TAA), reconhecida como uma poderosa aliada na evolução do tratamento de pacientes.

"A Terapia Assistida por Animais, também chamada de animal terapia ou pet terapia, é reconhecida em diversos países e já foi implantada com muito sucesso em hospitais de referência no Brasil, como o Albert Einstein", afirma Policarpo. Aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), o texto segue para a apreciação da Comissão de Saúde, em seguida retorna ao plenário para segunda votação. 

A proposta estabelece as condições de ingresso e circulação dos animais nas unidades de saúde e observa que não estará permitida a entrada dos pets em setores de isolamento, quimioterapia, UTIs, farmácias e áreas de manipulação, entre outros.

De modo geral, as regras de ingresso estão estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). (Isabela Martins é estagiária do Jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian) 

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