domingo, 8 de novembro de 2026
Essência

Diagnóstico de daltonismo deve ser feito na infância

Médico explica a importância do diagnóstico correto desde cedo e como lidar com esse distúrbio

Redação O Hojepor em
Diagnóstico de daltonismo deve ser feito na infância
Médico explica a importância do diagnóstico correto desde cedo e como lidar com esse distúrbio

Imagine um mundo sem cor: um céu ensolarado e cinza ao mesmo tempo, um jardim florido, mas monocromático, ou, no máxi­mo, bicolor; um pôr do sol que não mescla, de forma extraordinária, o amarelo, o azul, o verde e o vermelho. Pode parecer um detalhe, mas você só achará isso se não fizer parte de parcela da população que vê tudo da forma como descrita acima: cores trocadas ou tudo cinza, bran­co e preto. O problema que afeta cerca de 8% da população mundial tem nome conhecido: daltonismo. No entanto, poucas pessoas param para pensar sobre a importância das cores na qualidade de vida. O oftalmologista do Hospital Cema, Omar Assae, chama a atenção, por exem­plo, para a importância de identificar o distúrbio cedo, ainda na primeira infância.

“Como na idade escolar surgem as primeiras dificuldades com cores, sobretudo em desenhos e mapas, os pais e professores devem estar atentos ao problema, evitando constranger e traumatizar a criança”, avalia. O médico explica ainda que o problema pode passar despercebido pelos pais. Segundo ele, o daltonismo não deve servir como fator limitante e o portador do distúrbio pode e deve levar uma vida normal, mas é importante que tenha conhecimento das suas restrições. “Exis­tem algumas limitações quanto à profissões específicas, mas não há limitação para o que o daltônico possa ou não fazer”, detalha.

O daltonismo ocorre por causa de uma mutação genética, ligada ao cromossomo X. Nela, o portador não consegue reconhecer e diferenciar algumas cores específicas. Por tratar-se de uma doença recessiva, é necessário “herdar” o cromossomo defeituoso de ambos os pais. Os homens são mais atingidos: dos 8% afetados, apenas 1% inclui as mulheres. “Nesse distúrbio, ocorre um problema com os pigmentos de determinadas cores em células nervosas dos olhos, mais precisamente na região da retina, chamadas de cones”, esclarece o especialista. Os cones são células fotossensoras responsáveis pela visão diurna e percepção de cores. Por isso que uma falha neles gera essa distorção.

Há três tipos de daltonismo: o mais co­mum de todos é a Protanopia, responsável pe­la diminuição ou ausência total do pigmento vermelho. No lugar dele, o portador pode enxergar tons de marrom, verde ou cinza. O outro tipo faz a pessoa incapaz de distinguir a cor verde (Deuteranopia). Nesse caso, o indivíduo também vê tons de marrom. Já na Tritanopia – o mais raro de todos – a pessoa não consegue distinguir bem cores na faixa azul/amarelo e não enxerga o laranja.

Não há tratamento para o daltonismo, mas novos pesquisadores têm desenvolvido produtos visando a possibilitar para os daltônicos a percepção das cores, da forma como a maioria das pessoas vê. Uma fabricante de tintas americana, em parceria com uma empresa que estuda a percepção de cores, desenvolveu óculos que corrigem o daltonismo. É possível comprar o acessório via site, inclusive no Brasil. Há também um aplicativo, disponível para IOS, chamado Collor Blind Pal, que permite essa correção de cores também.

 Retiradas das amígdalas, em alguns casos, é indispensável

Tudo o que existe no corpo humano tem uma função, certo? Sim, claro. Até mesmo o apêndice, que muitos chamam de resquício inútil da evolução, existe pa­ra abrigar bactérias “boas” do intestino, que ajudam na digestão, segundo estudo da Universidade de Duke, EUA. Outro ór­gão “mal falado”, as amígdalas também não são inúteis. “Elas são responsáveis pela defesa do organismo”, explica o otor­­rinolaringologista do Hospital Ce­ma, Cícero Matsuyama. 

Localizadas entre o nariz, a boca e a garganta, elas têm um importante pa­pel, principalmente nos primeiros anos de vida. As amígdalas criam anticorpos para todas as bactérias a que o corpo tem acesso via ar ou alimentação. No en­tanto, há algumas décadas tem sido moda a extração delas, principalmente em crianças. Afinal, pode ou não retirar as amígdalas?

“Como médico, sou a favor da retirada das amígdalas, quando bem indicadas e favoreçam o bem-estar dos pacientes”, afirma o especialista. Segundo ele, a indicação de cirurgia só é indispensável quando existe um aumento excessivo das amígdalas, o que pode ocasionar em dificuldades de res­piração durante o dia e até apneia (quando há uma parada respiratória, durante o sono). Já nos casos de amig­dalites de respiração, comuns na primeira infância, o médico deve avaliar se há ou não necessidade de cirurgia, já que, atualmente, os an­tibióticos para combater as infecções estão cada vez melhores.

Se for necessário operar, vale ressaltar, é melhor que seja na infância. “A cicatrização do pós-operatório das cirur­gias de amígdalas em crianças costuma ser breve e indolor. Já em adultos, a evolução é mais delicada e necessita de alguns dias de dieta especial e repouso”, detalha o médico do Hospital Cema. O procedimento é relativamente simples, dura menos de uma hora e a criança volta para casa no mesmo dia.  

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