domingo, 20 de setembro de 2026
Essência

‘O pai de Moisés’

Roger Gobeth esteve em Goiânia para a estreia de ‘Os Dez Mandamentos’, de cujo elenco ele faz parte, e aproveitou para conversar com o ‘Essência’

Redaçãopor em
‘O pai de Moisés’
Roger Gobeth esteve em Goiânia para a estreia de ‘Os Dez Mandamentos’

FLÁVIA POPOV

Ele tem 43 anos, é bonito, inteligente e simples, muito simples. O paulistano Roger Gobeth não é dos artistas que se negam a falar com a imprensa, muito menos que se deslumbram com o sucesso da profissão. Ele tem os pés no chão e se sente ‘gente como a gente’. A notoriedade veio com o primeiro papel na TV, em Malhação, em que deu vida ao personagem Touro. Após três anos na Rede Globo, o ator assinou contrato com a Rercord, onde trabalha há dez anos. Na entrevista abaixo, Roger Gobeth fala sobre seu papel como Anrão, o pai de Moisés, na primeira fase de Os Dez Mandamentos – o filme foi lançado na semana passada em todo o País –, seus trabalhos em andamento, futuras estreias e sobre a atual crise política brasileira. 

Temos lido, na mídia, críticas com relação à edição da novela Os Dez Mandamentos, que virou filme, e à bilheteria – que ‘ingressos teriam sido esgotados an­tes da estreia em muitas capitais do País’. O que você tem a dizer sobre isso? Fale, também, sobre o seu personagem.

Meu papel foi ‘quase uma novela’: eu passei por três (papéis), mas me ofereceram o pai de Moisés, que é o Anrão, que é quem eu faço na primeira fase. Foi o papel que me deixou mais feliz, e hoje tenho muito orgulho de ter feito, porque ele é humano, poético, um cara que tem uma fé muito grande, apesar de na novela ele ter ficado muito pouco – no filme, menos ainda, porque são 150 horas de novela editadas para duas horas (há personagens que nem entraram). Depois, o Paulo Gorgulho ter­minou o papel, na segunda fase, fazendo o mesmo papel do Anrão de uma forma mais magistral. Ter dividido este papel com o Paulo para mim foi outro presente. Sobre as críticas, eu li não nada a respeito, mas o que eu acho é o seguinte: a gente fez uma novela, e a gente fez muito bem-feita. Foi a primeira novela bíblica – porque a Record, até então, fazia minisséries – em um momento em que a gente tinha perdido grande parte do público na teledramarturgia. A novela foi feita com muito carinho, muito suor, não só nosso, mas de to­do mundo que participou – atrás das câmeras também. Não foi fácil, porque se você imaginar que a gente conta a história de um povo que vive no meio de um deserto, na África, e gravando no Rio de Janeiro, numa floresta da Tijuca, espremido na cidade entre o mar e a montanha, como é que você faz para gravar? Aí você via a novela e não via o Rio de Janeiro. Não foi fácil. A novela tem muitas qualidades, e fez um enorme sucesso! Então retomamos isso. A mudança de horário para as 20h30 nos ajudou. E a história que contamos, a de Moisés, é riquíssima. Aqui em Goiânia, atingimos 35 pontos; em São Paulo, uma média de 28, nos momentos finais. Então isso nos trouxe muita felicidade! O público estava vendo a novela! A partir disso, se optou por fazer um fil­me. Talvez para quem não tenha visto e que tenha vontade de conhecer a história. É lógico que não é um trabalho fácil (como eu disse): pegar 150 horas e transformar em duas. Devemos lembrar que o produto não foi feito pa­ra o cinema: ele foi feito para TV. Então, se há crítica do cinema (você disse que está sendo criticado, mas eu não sei), hoje, eu não vou me apegar a isso, porque estamos levando um produto pela primeira vez – destinado a televisão – para o cinema, sem a pretensão de fa­lar que a gente ‘fez cinema’! Não! A gente fez uma novela que está dando a possibilidade de mostrá-la de uma maneira enxuta no cinema. Então, para mim é isso: o público que já viu a novela e que quer ver em uma versão reduzida (em horas) da história de Moisés – com algumas coisas novas – irá ao cinema. E aquele púbico que não viu a novela e ficou com vontade de ver, no meio dela, mas não quis pegar do meio, porque queria ver do início, vai poder conferir tudo no cinema. Enfim… É mais uma opção. Eu acho que a gente tem de exaltar uma opção como esta, e eu espero que esta transição que eles fizeram (de um produto da televisão para o cinema) traga para a empresa uma vontade de fazer, sim, cinema, porque está mais do que provado que podemos fazer, pensar em um produto já para o cinema.

E o que você gravou depois de Os Dez Madamentos? Quais são os seus planos?

Eu fiz só a primeira fase da novela – o pai de Moisés –, e acabou logo, porque durou apenas três meses. Depois disso, eu já fiz Escrava Mãe, que é uma novela de época, contando a história da mãe da Escrava Isaura. A gente já gravou a novela toda, no interior de São Paulo – em uma fazenda linda –, já com a Casablan­ca no processo da terceirização e da parceria. Então foi a primeira novela em que se estabeleceu a parceria entre a Casa Blanca, que é uma produtora de São Paulo, com a Record. Esta novela já está gravada, e está linda! E, pelo que eu saiba, vai estrear em um segundo horário, neste ano, em abril – no horário das 19h30. Então vão ficar os temas bíblicos, religiosos, para o horário das 20h30, e o horário das 19h30 para os demais temas. A Escrava Mãe, portanto, vai estrear neste horário. Já acabamos, e agora eu estou iniciando a gravação da próxima série da Record, chamada Sem Volta, que é uma série de aventura, de 13 episódios, em que alguns alpinistas ficam presos na montanha, e então mostra a história deles, se eles serão resgatados ou não – tem uma ‘pegada’ meio do Lost, de  séries americanas. O nosso autor mora em Los Angeles, e trouxe de lá um conhecimento dessa coisa de escrever para as séries de lá. Está muito bem escrita. Estamos começando a gravar e, com certeza, vai ser mais um produto de excelência. Eu estarei na Record até 2017 – que é quando vence o meu contrato. Depois disso, a gente senta e conversa.

Você ficou marcado pelo seu personagem Touro em Malhação. Ouvimos alguns artistas – como Xuxa (Record) e Mariana Godoy (Rede TV) – dizerem que, ao deixarem a Globo, puderam “respirar”, se sentindo mais à vontade, por conta de mais liberdade que se tem nas outras emissoras. Com você aconteceu a mesma coisa ou você não sentiu isso? E foi isso que te fez permanecer na Record? E se, hoje, você recebesse um convite da Rede Globo para voltar, você voltaria?

Eu fui muito feliz na Globo, e eu devo a ela a minha primeira oportunidade. Gostei muito de ter participado da teledramaturgia de lá também. Mas eu nunca fui um contratado da Globo – apesar de ter ficado três anos e ter feito alguns trabalhos. E a gente precisa trabalhar. Entre a Globo e a Record, eu tive um convite para fazer uma novela infantil na Band – a Floribella –, que foi linda também (eu fiz a primeira temporada), e que foi o mai­or sucesso com as crianças! Eu adorei conversar com esse público! E, depois de Floribella, a Record me chamou para conversar, e então estabelecemos esta parceria, e eu fiquei muito feliz (e estou muito feliz), porque foi a primeira vez em que eu tive um contrato, uma estabilidade financeira – pude realizar alguns desejos, sonhos, viagens… Eu devo muito à TV Record pelo que eu sou hoje! Tive muitas possibilidades de personagens bacanas, profundos. Eu encontrei na Record amigos, que tam­bém vieram da Globo. O que eu acho é que são duas empresas diferentes, mas que trabalham no mesmo nicho, que é ‘vamos contar a história’. Então se, dentro da Record, temos maneiras diferentes de contar histórias – porque são diretores diferentes e temas diferentes –, entre as empresas também existem ma­neiras diferentes. Eu gostei muito de ter trabalhado nas duas, e acho importante que existam as duas no mercado. É importante a competição, porque isso engrandece tanto a Record, que vai em busca desta excelência que a gente trouxe para Os Dez Mandamentos, quanto a Globo, que vai em busca da excelência dos produtos deles lá. Para o mercado em geral, para nós (que trabalhamos com isso), para todos os técnicos, a classe artística toda… A gente tem que torcer para as duas se estabelecerem cada vez mais e que a teledramaturgia tenha essa vida rica e longa, mesmo com o advento da internet, que mudou muitos já.

Para você, a crise brasileira atual afetou a classe artística ou não?

Eu acho que a crise brasileira atual afetou tudo, né? A crise brasileira é uma crise humana, de caráter. O que vai mudar na vida da pessoa se ela tem 20, 40, 100 milhões de reais?! Eu fico pensando… Essas pessoas que roubaram tanto e que continuam roubando – sim, continuam roubando – para quê isso, se já têm uma vida boa?! Aí ela rouba, e ela ‘mata’ todas aquelas pessoas que estão nas filas dos hospitais públicos! No Rio de Janeiro, por exemplo, está uma catástrofe! Não afeta apenas a classe artística, mas um povo inteiro (em geral)! Hoje em dia, quem está pensando em ter filhos, não quer por causa do  ‘mosqui­to’: se você tiver um filho, e a mulher grávida for picada por ele, corre o risco de a criança nascer com microcefalia. Isso é um absurdo em um País como o Brasil! E não dá para a gente ficar ouvindo que é o ‘País do futuro, que é País disso, daquilo…’. A gente não tem resposta! O Brasil está no fundo de um poço: é uma violência, uma falta de segurança… Eu moro no Rio de Janeiro; eu sou um sobrevivente – como todos – e eu venho dando sorte! Há pessoas que, por causa de um relógio, de uma carteira, morreram! Por causa de um buraco na estrada, de um remédio que faltou, morreram! E o Brasil é um País de uma riqueza tão grande… Mas as pessoas que são vinculadas ao trabalho público desviam o dinheiro! Agora, estão desviando lá nas obras das Olimpíadas! Enfim… Eu só vou acreditar no político quando, assim que eleito, o filho dele for estudar em uma escola pública e ele só puder se tratar em um hospital público! Aí a gente vai mudar! 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Zé Neto & Cristiano

15 ANOS DE CARREIRA

Zé Neto & Cristiano fazem maior show da carreira em Brasília

Dupla celebra 15 anos de trajetória com apresentação na Arena Mané Garrincha, em outubro
Leandro

MEMÓRIA AFETIVA

Filha de Leandro emociona ao mostrar filha com vestido que usou há 30 anos

Filha do cantor compartilhou registros que mostram Isabela usando a mesma peça que ela vestia quand...
horóscopo

astros

Horóscopo do dia: veja as previsões para este domingo (20)

Domingo pede atenção ao equilíbrio, às relações e à forma de lidar com responsabilidades e em...
Mega-sena

Sorte

Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 28 milhões neste domingo (20)

Apostas para o concurso 3.060 da Mega-Sena podem ser registradas até as 22h deste sábado nas loté...
Motoboy

ATO DE CORAGEM

Motoboy que salvou menina de ataque de abelhas ganha carro e moto

Vinícius Martins de Paulo sofreu cerca de 40 picadas ao retirar estudante de 12 anos de um enxame e...
Motoboy

solidariedade

Motoboy que salvou menina de ataque de abelhas ganha destaque nas redes

Vinícius Martins levou cerca de 40 picadas ao afastar insetos de estudante de 12 anos e reapareceu ...
Horóscopo do dia (19/09): veja as previsões para o seu signo

ASTROS

Horóscopo do dia (19/09): veja as previsões para o seu signo

Quíron retrógrado coloca cura emocional, reconciliações e encerramento de conflitos no centro da...
Charles Rosa leva “Solo – A Emergência Climática e a Urgência de Amar” a Anápolis e Goiânia neste fim de semana

SEM AS TELAS

Charles Rosa leva “Solo – A Emergência Climática e a Urgência de Amar” a Anápolis e Goiânia neste fim de semana

Após estreia, artista inicia circulação do trabalho com apresentações gratuitas no IFG Anápoli...