sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Política

Aumenta distância entre Dilma e o PT

Presidente, que se encontra no Chile para uma reunião, não tinha decidido se participaria das comemorações dos 36 anos do PT, no Rio de Janeiro

Redação O Hojepor em
Aumenta distância entre Dilma e o PT
Presidente

Aguerra fria entre o PT e a presidente Dilma Rousseff, que começou ainda no primeiro mandato, chegou esta semana a seu ápice. Com a decisão tomada nesta sexta-feira de ampliar sua visita ao Chile até a tarde deste sábado, Dilma, a não ser que mude de ideia na última hora, estará ausente da comemoração dos 36 anos do partido, no Rio. Se no primeiro mandato o principal motivo de divergências girou em torno da definição de quem – Lula ou ela – seria o candidato a representar o projeto político ainda com alta popularidade nas eleições de 2014, agora a disputa é pela simples sobrevivência. Na tentativa de resistir simultaneamente à maior crise econômica dos últimos 20 anos e às denúncias da Operação Lava-Jato, a presidente e o PT escolheram rotas distintas.

Em busca de sua sobrevivência como presidente, Dilma tenta colocar de pé uma agenda que vai na contramão do que quer o PT. Decidida a apresentar a reforma da Previdência e a aprovar medidas econômicas duras para debelar a crise econômica, Dilma resolveu resistir às pressões petistas, criando um ambiente de litígio.

Nos últimos dias, três movimentos da presidente demarcaram a crise com seu partido: ela não aceitou o convite da direção do PT para aparecer na propaganda partidária, que foi ao ar na última terça-feira; desistiu de participar do evento partidário de hoje e deixou os senadores petistas falando sozinhos contra um projeto do tucano José Serra (SP), que mudou as regras de exploração do pré-sal, acabando com a exclusividade da Petrobras. Enquanto o PT lutava contra a alteração, ministros, com o aval de Dilma, negociavam com Serra e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pequenos ajustes no texto.

Com o discurso ético esfacelado e sob risco de perder o que ainda tem de base social, o PT, por sua vez, busca em bandeiras históricas uma volta por cima. Rejeita a reforma da Previdência, que ainda nem foi apresentada pelo governo, e critica a política econômica conduzida pelo ministro Nelson Barbosa (Fazenda), depois de ter pressionado pela saída do liberal Joaquim Levy do posto.

– A reforma da Previdência, a política econômica, a questão da Petrobras, o pacote fiscal estão criando um choque entre o palácio e o PT. Ou o governo começa a ter uma política mais próximas às bandeiras históricas do PT, ou o PT vai ficar com o povo e se afastar do Planalto. Está se criando uma situação muito difícil. A reforma da Previdência vai unir todo mundo contra ela: servidores públicos e trabalhadores – afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS).

As divergências em relação ao governo Dilma foram explicitadas na reunião do diretório nacional, nesta sexta-feira, no Rio. (ABr) 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Lula defende mandato para ministros do STF e reforma no Judiciário

Sabatina na Globo

Lula defende mandato para ministros do STF e reforma no Judiciário

Em sabatina na TV Globo, presidente afirmou que denúncias contra a Corte tornaram discussão sobre ...
André Mendonça proíbe propaganda de Lula que diz que Flávio é contra escala 6×1

Eleições 2026

André Mendonça proíbe propaganda de Lula que diz que Flávio é contra escala 6×1

Mendonça libera críticas a Flávio, mas barra anúncio sobre escala 6x1
Davi Alcolumbre

Brasília

Senado adia PEC da Segurança e aprova aumento do teto do MEI com perdão de dívidas

Davi Alcolumbre retirou proposta da pauta após impasse sobre redução da maioridade penal; no mesm...
TSE suspende cassação do mandato de Aava Santiago na Câmara de Goiânia

Decisão

TSE suspende cassação do mandato de Aava Santiago na Câmara de Goiânia

Ministro Floriano de Azevedo Marques assegurou a suspensão dos efeitos dos acórdãos do TRE-GO; me...
Celina Leão

ELEIÇÕES DF

Celina Leão defende adiamento de balanço do BRB e diz que publicação depende de empréstimo de R$ 6 bilhões

Candidata ao governo do DF nega motivação eleitoral na decisão e diz que banco busca aval federal...
Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 47% e Lula, 45% no segundo turno

Pesquisa eleitoral

Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 47% e Lula, 45% no segundo turno

Flávio Bolsonaro cai dois pontos, e disputa com Lula fica mais apertada, aponta Datafolha
Leandro Grass quer transformar DF em referência na implementação do fim da escala 6×1

POLÍTICA

Leandro Grass quer transformar DF em referência na implementação do fim da escala 6×1

Candidato defende articulação entre governo, trabalhadores e empresários para adaptar jornadas, p...
Celina Leão convoca eleitores que não votaram no 1º turno no DF

POLÍTICA

Celina Leão convoca eleitores que não votaram no 1º turno no DF

Governadora afirma que manterá campanha nas ruas, critica distribuição de panfletos com informaç...