sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Denúncia

MPF denuncia ex-tesoureiro do PP por crimes investigados pela Lava Jato

O Ministério Público Federal denunciou o ex-tesoureiro João Claudio Genu pelo recebimento de mais de R$ 6 milhões em propina da Petrobras

Redação O Hojepor em
MPF denuncia ex-tesoureiro do PP por crimes investigados pela Lava Jato
O Ministério Público Federal denunciou o ex-tesoureiro João Claudio Genu pelo recebimento de mais de R$ 6 milhões em propina da Petrobras

MPF denuncia ex-tesoureiro do PP por crimes investigados pela Lava Jato

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal, em Curitiba, o ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP) João Claudio Genu pelo recebimento de mais de R$ 6 milhões em propina da Petrobras. Ele é acusado pelos crimes de participação em organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga desvios de recursos na estatal. Genu foi um dos presos na 29ª fase da operação, no mês passado.

Além de Genu, que é ex-assessor parlamentar do ex-deputado José Janene, foram denunciadas, na noite de ontem (23), mais cinco pessoas: Lucas Amorin Alves, Jayme Alves de Oliveira Filho, Rafael Ângulo Lopes e Carlos Rocha (o Ceará) e a mulher de Genu, Cláudia Contijo Genu. Na denúncia, os procuradores pedem que o valor para a reparação do dano seja fixado em R$ 357.945.680,52.

“As investigações apontaram que Genu era um dos beneficiários e articuladores do esquema de desvio de recursos da estatal petrolífera, recebendo um percentual fixo da propina destinada ao PP”, diz a nota divulgada pela Procuradoria da República no Paraná. Entre as provas apresentadas pelos procuradores da Lava Jato, estão planilhas, depoimentos de colaboradores e e-mails. Foram encontrados também registros da portaria dos escritórios do doleiro Alberto Youssef que mostram que Genu visitou diversas vezes o local entre 2011 e 2014.

Pelo crime de corrupção passiva, o ex-assessor e ex-tesoureiro teria atuado junto com o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa no recebimento de propina que soma R$ 357.945.680.52, entre 2007 e 2012. O valor corresponde a 1% do valor de contratos firmados entre a Petrobras e empreiteiras.

Posto da Torre

Segundo o MPF, a denúncia mostra que Genu recebeu R$ 4.393.195, 125 mil euros (R$ 475 mil) e US$ 390 mil (R$ 1.365.000) entre 2008 e 2013. O dinheiro era repassado por Alberto Youssef, que usava como emissários Rafael Angulo, Jayme Alves e Carlos Rocha. “Em outras oportunidades, o doleiro também utilizava a estrutura de lavagem de dinheiro montada no Posto da Torre, em Brasília, para o envio de propina. Neste caso, Genu contou com a ajuda do seu sócio, Lucas Amorin Alves, também denunciado, para a retirada dos valores no local”, acrescenta o texto.

Com relação ao crime de lavagem de dinheiro, pelo qual a esposa de Genu também foi denunciada, o MPF diz que para ocultar os recursos e dar aparência lícita ao dinheiro, Genu disponibilizou recursos em espécie para Cláudia comprar joias, no valor de R$ 134 mil, em uma loja especializada localizada em Brasília, entre 2013 e 2014. As joias não foram declaradas à Receita Federal.

“Para o MPF, a esposa de Genu tinha conhecimento direto que o dinheiro se tratava de produto de crime, considerando que, na época, o ex-assessor parlamentar já tinha sido condenado no processo do mensalão pelo saque em espécie de aproximadamente R$ 1,1 milhão das contas das empresas de Marcos Valério no Banco Rural”, acrescenta a nota.

A assessoria de comunicação da defesa de João Claudio Genu e de sua esposa informou que ainda não tem conhecimento da denúncia.

O PP informou que não se pronuncia sobre a denúncia oferecida contra Genu. “[Mas, o partido reitera que não compactua com atos ilícitos e acredita no trabalho da Justiça para esclarecer os fatos.” (Agência Brasil)

Foto: reprodução 

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