sábado, 7 de novembro de 2026
Internacional

Exportação e reserva mantêm risco país em níveis baixos

Reservas internacionais de US$ 383 bilhões mais do que cobrem a dívida externa do governo e das empresas

Lucas de Godoipor em
Exportação e reserva mantêm risco país em níveis baixos
Reservas internacionais de US$ 383 bilhões mais do que cobrem a dívida externa do governo e das empresas

Exportação e reserva mantêm risco país em níveis baixos

Os rebaixamentos sofridos pelo Brasil nos últimos meses pelas agências de classificação de risco pouco afetaram um dos principais indicadores do interesse dos investidores estrangeiros.

O risco país continua em níveis baixos, próximos aos de quando o país ainda tinha grau de investimento (garantia de que não corre risco de dar calote na dívida pública). Segundo especialistas, as elevadas reservas internacionais e o bom desempenho das exportações têm ajudado a manter o índice em níveis baixos.

Definido como a diferença entre os juros dos títulos públicos brasileiros no exterior e os títulos do Tesouro norte-americano, calculada dia a dia, o risco país funciona como um termômetro da desconfiança dos investidores internacionais. Quanto maior a diferença, maior a percepção de risco dos aplicadores em relação a um papel. O indicador foi criado pelo banco de investimentos JPMorgan, em 1992.

O risco país encerrou 2017 em 240 pontos. Na última quarta-feira (18), segundo dados mais recentes, estava em 244 pontos. Pelo indicador, os títulos públicos brasileiros em circulação no exterior tinham juros 2,44 pontos percentuais maiores que os papéis equivalentes do Tesouro norte-americano, considerado o investimento mais seguro do mundo.

O nível é semelhante ao registrado no fim de 2014, quando o Brasil ainda tinha grau de investimento. No início de setembro de 2015, quando a Standard & Poor’s (S&P) tornou-se a primeira agência a retirar o selo de bom pagador do país, o índice estava em torno de 390 pontos.

Chegou a 569 pontos em fevereiro de 2016, recuando gradualmente nos meses seguintes, principalmente após a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff.

Avaliações

Atualmente, as agências S&P e Fitch classificam o Brasil três níveis abaixo do grau de investimento. Os rebaixamentos mais recentes ocorreram em janeiro (S&P)  e em fevereiro (Fitch). O principal argumento foi o adiamento da aprovação da reforma da Previdência.

A Moody’s tem uma avaliação mais otimista. Além de ter mantido o país dois níveis abaixo do selo de bom pagador, este mês elevou de negativa para neutra a perspectiva da nota do país, indicando que não pretende alterar a classificação nos próximos meses.

Segundo a agência, o crescimento da economia previsto para 2018 e a possibilidade de aprovação de reformas estruturais pelo próximo governo permitiram a conservação da nota.

Resiliência

Para o economista-chefe da Sulamérica Investimentos, Newton Rosa, as dificuldades fiscais do governo, que não consegue aprovar a reforma da Previdência e viu as medidas provisórias de ajuste fiscal editadas no fim do ano passado perder a validade, são atenuadas pela situação do país no mercado internacional.

As reservas internacionais de US$ 383 bilhões mais do que cobrem a dívida externa do governo e das empresas, atualmente em US$ 316,2 bilhões, contribuindo para manter o risco país em níveis baixos.

“Mesmo com a difícil situação fiscal, o Brasil tem um setor externo robusto. Se o capital externo quiser sair do país, existem dólares para pagar todo mundo. Isso faz com que o investidor internacional mantenha o interesse na economia brasileira”, disse o economista.

Professor de Economia e Finanças Internacionais da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ebape), Istvan Kasznar concorda com a solidez das contas externas brasileiras.

Segundo ele, o diagnóstico das agências de classificação de risco nem sempre consegue ser suficiente porque o banqueiro que quer comprar títulos da dívida brasileira no exterior não leva em consideração somente a situação fiscal.

“De fato, o Brasil não cresce, patina. O déficit primário está em torno de R$ 140 bilhões, e o governo enfrenta dificuldades políticas. Por outro lado, a inflação está baixíssima, e o país exporta muito petróleo, soja e milho. O painel de formação de reservas internacionais é muito bom. Quando se combina um elemento com o outro, chega-se à conclusão de que o Brasil é mais resiliente para a ótica externa do que pareceria”, explicou.

Eleições

Em relação à possibilidade de que o risco país suba com eventuais incertezas e turbulências decorrentes das eleições de outubro, os economistas divergem. Newton Rosa diz que as expectativas podem se deteriorar se o vencedor das eleições não se comprometer com a continuidade das medidas de ajuste. O professor da FGV tem uma postura mais cautelosa.

“As [empresas] transnacionais reclamam do Brasil, mas acreditam nele. O Banco Central não fez nenhuma artimanha para queimar as reservas internacionais. De fato, está impossível saber o que vai acontecer com as eleições brasileiras. A vertente política é volátil, mas a vertente econômica, mesmo com problemas no Brasil e no mundo, está fortificante”, disse Kasznar. 

(Agência Brasil)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil

NEGÓCIOS

Motos elétricas podem superar modelos a combustão no Brasil

Estudo aponta que a mudança pode ocorrer entre 2031 e 2037, conforme o ritmo de expansão do mercad...
desenrola adimplentes

MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

Perdão de dívidas do MEI será automático em janeiro; veja o que continua sendo cobrado

Cancelamento alcança a contribuição previdenciária vencida até 13 de outubro de 2026, mas não ...
Contribuintes têm até 16 de novembro para negociar dívidas com Goiânia e obter descontos de até 80%

DÍVIDA MUNICIPAL

Contribuintes têm até 16 de novembro para negociar dívidas com Goiânia e obter descontos de até 80%

Condições especiais incluem débitos tributários e não tributários, com abatimentos maiores par...
“Imposto do Pecado” muda tributação e exige adaptação de empresas

NEGÓCIOS

“Imposto do Pecado” muda tributação e exige adaptação de empresas

Medida provisória estabelece alíquotas provisórias para produtos como bebidas, cigarros e veícul...
“Imposto do pecado”: veja quanto será cobrado sobre cigarros, bebidas e carros

REFORMA TRIBUTÁRIA

“Imposto do pecado”: veja quanto será cobrado sobre cigarros, bebidas e carros

Cigarros terão alíquota de 66,7%, enquanto determinados destilados ficarão em 24%; cobrança come...
Quem é contra o fim da escala 6x1? Conheça as entidades que recorreram ao STF

DIREITOS DO TRABALHADOR

Quem é contra o fim da escala 6×1? Conheça as entidades que recorreram ao STF

Confederações da indústria e do comércio questionam a mudança; argumentos incluem custos, acord...
Proposta de CBS preocupa indústria goiana e pode pressionar preços

Impostos

Proposta de CBS preocupa indústria goiana e pode pressionar preços

A alíquota de 11,3% proposta pelo TCU para 2027 supera os 9,2% esperados pelo setor industrial. Re...
Banco Central mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas

TAXA DE JUROS

Banco Central mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas

Copom interrompe ciclo de cortes nos juros básicos após cinco reduções consecutivas. Instabilida...