quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Segurança

Com presença de líderes, Buenos Aires é blindada para o G20

Esta é a primeira vez que os líderes das 20 maiores economias se reúnem na América do Sul

Sheyla Sousapor em
Com presença de líderes
Esta é a primeira vez que os líderes das 20 maiores economias se reúnem na América do Sul

Os sete países mais ricos e as 13 economias emergentes, incluindo o Brasil, participam do encontro

A capital argentina amanheceu blindada. No centro de Buenos Aires, onde ficam os hotéis de luxo e as embaixadas, barreiras foram montadas nas ruas, interrompendo o trânsito. O transporte público deixará de funcionar normalmente ontem (29) à tarde. O presidente da Argentina, Mauricio Macri, decretou feriado na amanhã (30), quando começa a Cúpula dos Líderes do G20. Encontro vai até sábado (1º).

É a primeira vez que os líderes das 20 maiores economias do mundo se reúnem na América do Sul. A primeira cúpula, em 2008, ocorreu nos Estados Unidos – no ano da pior crise financeira, desde a “grande depressão” de 1929.

Participam do G20 os sete países mais ricos (G7), 13 economias emergentes (entre elas, a China, a Rússia, a Índia e o Brasil), e a União Europeia (UE), além de representantes de organizações multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Segurança

A Argentina mobilizou 25 mil agentes para proteger as delegações da ameaça de atentados e de protestos violentos, como os da ultima cúpula, na Alemanha, que deixaram dezenas de pessoas e policiais feridos.

O presidente argentino e anfitrião da Cúpula do G20, Mauricio Macri, aproveitará a ocasião para se encontrar com sete lideres – entre eles, os presidentes Donald Trump (dos Estados Unidos), Xi Jin-Ping (da China) e Vladimir Putin (da Rússia).

A Argentina enfrenta um momento difícil: o país fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para superar a crise cambial, que fez com que a moeda nacional perdesse metade de seu valor este ano.

Em troca de uma linha de crédito de US$ 36,3 bilhões, Macri se comprometeu a zerar o déficit fiscal em 2019 – justamente no ano em que disputará a reeleição. As estimativas são de que este ano a economia argentina encolherá 2,6% e que a inflação anual superará os 45%. O índice de aprovação do governo de Macri está em torno de 30%. Mas o governo aposta numa recuperação econômica no ano que vem.

Agenda

A Argentina, que preside o G20 este ano, determinou a agenda: quer discutir o futuro do emprego e o desenvolvimento econômico, num mundo que está sendo transformado pela revolução tecnológica e pelo aquecimento climático.

A cúpula ocorre em meio de uma guerra comercial, entre as duas maiores potencias  (Estados Unidos e China),  e de uma disputa politica pelo poder com a Rússia (que avança para recuperar territórios perdidos com a dissolução da antiga União Soviética). Soma-se a esse quadro, a complexa situação do Oriente Médio.

Suspeitas

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin-Salman, foi o primeiro líder do G20 a desembarcar em Buenos Aires ontem (28). Ele é o centro das atenções, pois a organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu à Justiça argentina que investigue a participação dele em crimes de guerra na Iêmen e no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

A família real saudita reconheceu que Khashoggi foi morto, mas nega qualquer participação do assassinato. Nos Estados Unidos, a oposição cobrou do presidente Donald Trump uma postura mais dura em relação ao príncipe saudita, que também ocupa o cargo de Ministro da Defesa.

Trump disse que acredita na palavra do herdeiro do trono da Arábia Saudita, que além de ser um dos maiores produtores de petróleo e um aliado histórico do governo norte-americano.

Cúpula atípica

Nos próximos dias, a atenção do mundo estará voltada para as reuniões bilaterais, que estão sendo organizadas paralelamente à agenda oficial. A principal é a dos presidentes norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi-Jinping. Os líderes das duas potências estão em meio a uma guerra comercial que atinge a economia mundial.

As expectativas são de que haverá uma trégua. Mas a incerteza, sobre o resultado do encontro, tem repercutido sobre o mercado financeiro internacional.

O analista de política internacional Jorge Castro disse que a troca de farpas e retaliações tarifárias entre Estados Unidos (EUA) e China estão prestes a acabar. Tudo indica que haverá uma trégua entre os norte-americanos e chineses, que começou a ser negociada há duas semanas”, disse o especialista à Agência Brasil.

“O acordo entre as duas potências vai além do comercial. Estabelecerá as bases de um novo sistema de poder global”, acrescentou. Na opinião de Castro, o que está em jogo hoje é “quem domina as novas tecnologias deste século – especialmente a inteligência artificial”.  (Agência Brasil)

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