segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Repúdio

Em nota, Adufg repudia declarações do ministro da Educação sobre universidades federais

Milton Ribeiro disse, em entrevista, que “Universidade deveria ser para poucos, no sentido de ser útil para a sociedade”.

Redação O Hojepor em
Em nota
Milton Ribeiro disse

A Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) divulgou nesta terça-feira (10/08), nota de repúdio contra as declarações do ministro da Educação, Milton Ribeiro, de que as universidades deveriam ser para poucos.

“Educar os cidadãos não é interessante para o governo Bolsonaro, que gostaria de transformá-los em analfabetos funcionais para tê-los como massa de manobra”, diz trecho da nota do Adufg.

O texto, assinado pelo presidente da entidade, professor Flávio Alves da Silva, também defende reitores e professores dos ataques do titular do MEC. “O ministro não demonstra compromisso com a qualidade do ensino e não tem competência para o cargo que ocupa”, diz o documento.

Na última segunda-feira (09/08), em entrevista ao programa “Sem Censura”, da TV Brasil, Milton Ribeiro disse que “a universidade, na verdade, deveria ser para poucos” e que o futuro são institutos federais que, segundo ele, formarão técnicos.

Ainda segundo Milton, reitores de universidades não podem ser “esquedistas e lulistas” e que as universidades não podem “se tornar comitês políticos”. “Não pode ser esquerdista, lulista. Eu acho que reitor tem que cuidar da educação e ponto-final, e respeitar quem pensa diferente. As universidades federais não podem se tornar comitê político de um partido A, de direita, e muito menos de esquerda.”, disse.

Confira a nota na íntegra:

Nota de repúdio

A Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) vem a público manifestar seu total repúdio às declarações do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que, nesta segunda-feira (09/08), em entrevista à TV Brasil, defendeu que as universidades deveriam ser para poucos. Segundo ele, as instituições não são tão úteis à sociedade. Mais uma vez, por meio do titular do MEC, o governo Bolsonaro demonstra sua falta de compromisso com a igualdade social e com a formação da população.

Milton Ribeiro reforçou o discurso obscuro da atual gestão, que ignora diariamente o conhecimento científico e o ensino público, gratuito, e de qualidade. Educar os cidadãos não é interessante para o governo Bolsonaro, que gostaria de transformá-los em analfabetos funcionais para usá-los como massa de manobra.

Ao contrário do que diz o ministro, as universidades têm papel fundamental na sociedade e são responsáveis por mais benefícios à população do que ele mesmo e o próprio governo. As universidades federais, inclusive, são responsáveis por diversas ações de combate ao coronavírus (Covid-19), como pesquisas de vacinas e medicamentos, além do atendimento aos pacientes na linha de frente aos pacientes.

Milton Ribeiro também criticou parte dos professores brasileiros. Segundo ele, há educadores que agem “com viés político-ideológico” e prejudicam o retorno das aulas presenciais. Causa estranheza que as críticas tenham partido de um ministro cuja pasta foi totalmente omissa durante a pandemia. Assim como as demais áreas do governo, a gestão do MEC foi pautada por negacionismo, afronta à ciência e descaso com a sociedade.

O show de horrores do ministro ainda teve espaço para dizer que “reitores não podem ser de esquerda ou lulistas e que as universidades não podem se tornar comitê político de um partido A, de direita, e muito menos de esquerda”. No entanto, não é isso que o governo tem demonstrado, uma vez que o presidente Jair Bolsonaro ignorou a democracia universitária e nomeou diversos reitores que são seus apoiadores.

Para a Diretoria do Adufg-Sindicato, o ministro Milton Ribeiro não demonstra o menor compromisso com a qualidade do ensino e não possui competência mínima para o cargo que ocupa. Sob a liderança dele, o MEC acumula erros em transferências de recursos, cortes orçamentários e suspeitas de atuação a favor de um grupo educacional religioso.

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