terça-feira, 28 de abril de 2026
Coluna Foco Econômico

Produtos de base agrícola respondem pela maior parte das exportações da indústria

Na indústria goiana de transformação, as vendas externas saíram de US$ 2,804 bilhões no acumulado entre janeiro e agosto do ano passado para US$ 3,340 bilhões, num avanço de 19,13%.

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 25 de setembro de 2021
Na indústria goiana de transformação, as vendas externas saíram de US$ 2,804 bilhões no acumulado entre janeiro e agosto do ano passado para US$ 3,340 bilhões, num avanço de 19,13%. | Foto: Reprodução
Na indústria goiana de transformação, as vendas externas saíram de US$ 2,804 bilhões no acumulado entre janeiro e agosto do ano passado para US$ 3,340 bilhões, num avanço de 19,13%. | Foto: Reprodução

O nível de complexidade de uma economia pode ser avaliado, entre outros critérios, com base no perfil de suas vendas externas. Economias mais diversificadas, com índices elevados de sofisticação e complexidade, anotam participação mais relevante de produtos de maior intensidade tecnológica em sua pauta de exportações e registram, como características centrais, uma indústria forte, com grande capacidade para inovar, assim como serviços de alta especialização, relacionados à fronteira do conhecimento.

Na posição radicalmente inversa, aquelas com baixa participação de produtos tecnologicamente mais sofisticados e de valor agregado mais alto encontram-se invariavelmente em posições inferiores no ranking global do desenvolvimento econômico. Vale dizer, são economias que enfrentam dificuldades para avançar aos estágios seguintes do processo de desenvolvimento, engendrando um crescimento baseado na incorporação de inovações produzidas de forma autônoma. Ao contrário, aquelas economias mantêm-se estagnadas no que muitos especialistas chamam de “armadilha da renda média”, demonstrando incapacidade para sustentar taxas de crescimento vigorosas por longo espaço de tempo, incluindo as massas de excluídos e necessitados ao longo do processo.

Observada à distância, muito embora sua fatia no geral venha recuando, a indústria de transformação de Goiás ainda respondia por mais da metade das exportações goianas no ano passado e chegou a multiplicar suas vendas externas em quase 14 vezes desde 1997. Sem uma avaliação mais criteriosa, o analista mais apressado poderia concluir que o Estado teria sido muito bem-sucedido no desafio de diversificar sua economia, agregar valor e criar um setor industrial relevante. Na verdade, a despeito dos esforços realizados em Goiás, a industrialização de sua economia, essencialmente agropastoril em suas origens, não se completou ainda.

Abaixo da média

A observação mais detalhada do comportamento das exportações do setor e de sua composição ao longo do tempo parece reforçar essa perspectiva. As exportações totais do Estado saltaram de US$ 475,436 milhões em 1997 para US$ 8,134 bilhões no ano passado, no mais recente recorde anotado pelo lado externo da economia estadual. Impulsionadas por dois ciclos de alta das commodities, o primeiro deles experimentado na década inicial dos anos 2000 e o segundo, mais recente, iniciado na segunda metade do ano passado, as vendas externas saltaram 1.611% no intervalo analisado. A indústria de transformação elevou suas exportações de US$ 311,018 milhões para US$ 4,354 bilhões, num avanço de 1.296%, quer dizer, ligeiramente abaixo da média, o que fez a participação do setor na pauta goiana de exportações baixar de 65,61% para 53,53% entre 1997 e 2020. Além de ter sido inferior à taxa registrada pelo total das exportações goianas, o avanço foi puxado por três itens ou grupos: farelo de soja, carnes (de aves e bovina, congelada e resfriada) e açúcar.

Balanço

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