segunda-feira, 4 de maio de 2026
Goiás

Por que mesmo com queda na mortalidade infantil índice segue alto em Goiás

Bolsa Família auxiliou na redução do índice, aponta estudo

Maiara Dal Boscopor Maiara Dal Bosco em 30 de setembro de 2021
Bolsa Família auxiliou na redução do índice, aponta estudo | Foto: Reprodução
Bolsa Família auxiliou na redução do índice, aponta estudo | Foto: Reprodução

Termo que define o óbito de crianças antes do primeiro ano de vida, calculado a cada mil nascimentos vivos, a mortalidade infantil segue sendo um desafiador indicador social. Dados do Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, dão conta que em Goiás o índice de mortalidade infantil em 2020 era de 11,4, em 2019 era 13,11. 

O relatório da Fundação Abrinq mostra ainda sobre as taxas de mortalidade infantil e na infância da região Centro-Oeste. Ainda que a região pertença ao grupo de regiões cujas taxas são inferiores à média nacional, as taxas se aproximam das verificadas para a região Sudeste. Contudo, ambas regiões ainda apresentam desafios na redução dos óbitos. Na região Centro-Oeste, em 2019, Goiás apresentou índice de 13,1 da mortalidade infantil e 15,2 da mortalidade na infância, e junto ao Mato Grosso, com 11,5 na mortalidade infantil e 22,6 da mortalidade a infância são os Estados em que as referidas taxas são mais concentradas.  

Já os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que, em 2018 Goiás registrava índice de mortalidade infantil de 12,48, enquanto Goiânia apresentava índice de 10,49. Já em 2019, ambos índices registraram aumento. Enquanto Goiás chegou a 13,11, Goiânia chegou a 12,16. A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) com o objetivo de atualizar os dados no Estado, bem como compreender se os programas “Siga Bebê” e “Siga Mamãe” ainda funcionam e quantos Municípios já o aderiram no Estado. Entretanto, a Secretaria alegou que não era possível responder até o fechamento desta edição. 

Metas da ONU 

A redução da mortalidade infantil faz parte das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a meta 3.2, até 2030, o objetivo é “acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos, com todos os países objetivando reduzir a mortalidade neonatal para pelo menos 12 por mil nascidos vivos e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para pelo menos 25 por mil nascidos vivos”.  

Entretanto, mesmo que cheguem a apresentar quedas, os índices atuais do indicador estão distantes do objetivo. Segundo o Abrinq, a Região Sul é a que mais se aproxima do valor da meta, com índice de 38,1. Na região Centro-Oeste, o índice chega a 56,4 – quase o dobro do que a ONU estima. Para se ter uma ideia, o relatório aponta que, em 2019, foram 55,3 mortes a cada 100 mil nascidos vivos, 25,3 pontos acima da meta proposta. Esse indicador é discretamente melhor do que o registrado em 2018, quando a proporção era de 56,3 mortes por 100 mil nascidos vivos. 

Bolsa Família 

Nesta semana, o jornal Folha de São Paulo divulgou dados do estudo realizado por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia, em conjunto com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Escola de Medicina Tropical e Higiene de Londres. Segundo o levantamento, o Bolsa Família, programa social de transferência de renda direta às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, criado em 2003, foi responsável pela redução da mortalidade infantil em 17%, no período de 2006 a 2015.

Segundo publicado no período, foram avaliados dados de mais de 6 milhões de famílias brasileiras com crianças menores de cinco anos de idade. Destas, 4.858.253 (77%) eram beneficiárias do Bolsa Família. Nas famílias que receberam o benefício, a taxa de mortalidade infantil foi 17% menor se comparada com as que não receberam o auxílio. Além disso, o estudo pontuou que a redução foi mais significativa entre as famílias que tinham crianças prematuras (22%), filhas de mães negras (26%) ou, ainda, moravam nos municípios mais pobres do Brasil (28%). (Especial para O Hoje)

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