Patinetes da capital deixam de ser compartilhados
Adotada por muitos como opção de transporte, os equipamentos viraram sensação em 2019
Lançadas como meio de transporte compartilhado, dentro do conceito de mobilidade urbana, se contrapondo ao uso individualizado do carro, as patinetes elétricas chegaram à Goiânia em 2019. Porém, no ano seguinte foram recolhidas. Órfãos do serviço iniciaram então um novo movimento, comprando seus próprios equipamentos, o que fez aumentar a procura pelo veículo.
Eram equipamentos que ficavam disponíveis em vários pontos da cidade e eram ofertadas por serviços de aluguel por meio de aplicativos. Os primeiros modelos nas cores verde e amarelo pertenciam a Grin e Yellow. Para os usuários, o serviço tinha vantagens e desvantagens, em relação aos preços. “Já usei muito e era sempre mega divertido, uma forma mais leve de transporte. Mas realmente não eram baratos. Já cheguei a pagar quase o dobro do valor de um Uber [veículo por aplicativo]. Só pela experiência de usar o patinete. Não dá para ser rotina, a não ser que você compre um ou tenha o suficiente para gastar alugando sempre”, relembra, a designer, Eline Silva, de 29 anos.
Com o fim do serviço de aluguel de patinetes elétricas no ano passado e alta nos preços de combustíveis, teve quem preferiu adquirir a própria patinete elétrica. Foi o caso do servidor público Ivo Rodrigues de Souza, de 39 anos. “Eu já vinha pensando num meio de diminuir ou zerar o uso do carro, já que minhas distâncias quase sempre eram curtas”, pontuou o usuário.
Ivo acrescenta que a facilidade de locomoção e por ser um equipamento portátil para guardar o equipamento também foram diferenciais para a escolha. “A fácil portabilidade, que me tirava a preocupação de ter que achar lugar para estacionar e até para guardar após o uso também, além da economia com combustível e o viés ecológico”, entende.
Assim como o servidor público, a analista de mídias sociais e copywriter, Caroline Alvares, também decidiu comprar um equipamento, ao analisar as necessidades da mobilidade e dos custos benefícios. “Eu comprei a minha há alguns meses. E o custo benefício é excelente, principalmente para quem trabalha na cidade é precisa só de um veículo para se locomover,” relata.
Vendas disparam
Com tanta procura, após o fim dos serviços de aluguel, as vendas dos equipamentos dispararam em lojas especializadas de Goiânia. Segundo o gerente de uma unidade, que vende scooters elétricas, patinetes e hoverboard, Lucas Oliveira, os custos dos equipamentos são baixos, com baterias sendo carregadas à energia – beneficiando também o meio ambiente – e isso vem atraindo mais consumidores.
Já quem ainda não adquiriu a própria patinete elétrica, relembra o serviço de aluguel que funcionava na Capital. Sente falta, porém, lamenta que as viagens, em muitos casos, ficaram caras. A designer gráfica, Alexandra Rita Arruda de Souza, por exemplo, lembra de ocasiões importantes que precisou do serviço com urgência. “Eu mesmo usei para fazer o Enem, estava bem congestionado, e de carro não daria tempo, e a pé cansaria muito e demoraria mais”, lembra.
Em outro episódio, ela destaca que se descolou da Praça Universitária até a Praça Cívica e teve que pagar R$ 12. “Acho um valor um pouco alto”, frisa. No entanto, para ela, há o custo benefício. “Eu acho um meio locomoção bem dinâmico, e útil, pois às vezes você precisa se locomover uma certa distância em um certo tempo, que de carro e ônibus seria difícil”, calcula.
Imprevistos
Mas há quem, no período em que os serviços funcionaram em Goiânia, passou por percalços quase perdendo compromissos. O estudante Alexandre Paes conta que certa vez foi usar as patinetes elétricas com um colega. Eles decidiram completar uma viagem de ônibus, do Terminal Isidória até o Campus da Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), no Jardim Goiás. Porém, ao chegar no local, o aplicativo indicou que eles estavam fora do perímetro de operações de cobertura. “Tivemos que voltar e devolver o equipamento no mesmo lugar que o pegamos. Sei que ficou caro”, comenta.
Empresa pretende retornar serviços em Goiânia
A empresa FlipOn, de sistema de aluguel por aplicativo e pertencente ao grupo Muuv Eletric Motors, especializada também na venda de carros elétricos, com sede em São Carlos, no interior paulista, está organizando junto a Prefeitura de Goiânia para disponibilizar patinetes elétricas na Capital. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a operação foi até iniciada, porém teve que ser suspensa para ajustes contratuais com prefeitura.
Embora na cidade operou-se o serviço de aluguel de patinete elétrica e já há o uso particular, a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) informou, por meio de nota, que a utilização como meio de transporte ainda não foi regulamentada. Em relação a empresas interessadas em disponibilizar o serviço, a pasta destacou que elas são orientadas a assinar um termo de operação experimental com validade de três meses.
Nesse documento são acordadas que a utilização das patinetes elétricas deve seguir regras básicas como: limite de velocidade (20km/h), ser pilotada por pessoas com idade a partir dos 16 anos (menores somente com autorização dos pais ou responsáveis), a circulação só poderá ocorrer em vias cicláveis (ciclovias, ciclofaixas ou cliclorrotas).
Outros equipamentos, como as bicicletas, são obrigatórias a sinalização visual e a sonora. Uma das proibições é que as empresas não poderão instalar estações de entrega e retorno dos equipamentos em nenhuma área pública, “até que seja finalizada licitação que garantirá acesso igualitário a todos interessados”. (Especial para O Hoje)