terça-feira, 22 de setembro de 2026
Retomada

Setor de varejo e serviços começam a apresentar sinais de recuperação

Comércio de bens e prestação de serviços melhoram, mas indústria aguarda aquecimento

Redaçãopor em
Setor de varejo e serviços começam a apresentar sinais de recuperação
Comércio de bens e prestação de serviços melhoram

Por Alzenar Abreu

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ilustram uma tímida retomada dos setores de comércio e serviços. Nas ruas, ou nas lojas, o cenário é mais otimista com lojistas comemorando os resultados das vendas, o que sinaliza para uma possível caminhada para o fim da crise. Entre as oito atividades pesquisadas pelo Instituto, o destaque é para o ramo de artigos de uso pessoal e doméstico, que incluem lojas de departamentos, esportivas e joalherias, além da prestação de serviços.

De acordo com a empresária do ramo de semijoias, Daniela Mumbach, a loja dela teve um aquecimento de 30% nas vendas nos últimos dois meses. “Quando a pandemia chegou, pensei que iria ficar louca. Perdi 90% do meu faturamento. No auge da doença, quem iria se preocupar com joias ou outros acessórios?”, questiona.

Mas o sol volta a brilhar e iluminar as vitrines de Daniela que vê cada vez mais clientes entrarem na loja e levar produtos para sair de casa, encontrar amigos e confraternizar. Ela aposta nas festas de fim de ano. “Nessa semana atendi mulheres que desejavam peças mais elaboradas. Estou otimista”, diz.

Setor de serviços

Conforme o IBGE, o setor de serviços, o mais castigado com restrições de circulação de pessoas durante a pandemia, teve alta em julho frente a junho. Foi a quarta taxa positiva consecutiva. Essa característica deve manter-se pelo menos até o final de 2021. Com mais gente saindo de casa, setores como bares, restaurantes, hotéis, academias, ramo de festas e salões de beleza, por exemplo, vão reativando picos de consumo.

Dentro dessa perspectiva, outra empresária, Thays Vieira, que é dona de um salão de beleza no Parque Amazônia, também apontou aumento de 30% na procura pelos serviços do estabelecimento. “Chegamos a fechar muitas vezes por conta da pandemia. Vi várias lojas vizinhas falirem. Uma do ramo de roupas esportivas, outra de alimentos, atendimento de nutrição e massoterapia. Eu, mesmo desanimada, não desisti. Apesar do faturamento bem abaixo do esperado, nós tentávamos atender clientes por agendamento, quando a Vigilância Sanitária permitia”, conta.

Ela diz que a procura era por demandas básicas de higiene como depilação e manicure. Mas se restringia a isso apenas. “Agora, temos muita demanda para maquiagem e penteados. As pessoas dizem que estão mais seguras para sair de casa, encontrar amigos e familiares, por conta do avanço da vacinação”, revela. Ela também aposta na movimentação de Natal e Ano Novo.

Pé no freio

O representante da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, pondera que, mesmo com os sinais de melhora, o segmento de serviços ainda tem desafios a enfrentar com a inflação em alta. A crise hídrica, por exemplo, que eleva os preços da energia elétrica e traz risco de racionamento de luz. O que também se contrapõe a retomada do setor e da atividade econômica como um todo. A tensão na área política é outra ameaça importante.

“Essas incertezas podem funcionar como um obstáculo a mais para a economia”, ressalta o economista. “O setor de serviços, por exemplo, vem em um momento bom, mas o cenário pode não ser tão positivo no início do ano que vem. Além da inflação, vai ter uma base de comparação mais alta”.

Indústria espera decolagem pós-pandemia

Já a indústria sofre, ainda, com recuo em detrimento do setor de serviços e comércio. O segmento vem amargando resultados mensais negativos. A produção das fábricas caiu 1,3% em julho deste ano. Há um desabastecimento de peças que já comprometia a produção, crise econômica e redução da renda que afetam a demanda por automóveis e, ainda, certa instabilidade da confiança do consumidor para aquisição de bens de valor mais alto.

A retração da indústria foi mais pujante no início da pandemia. Houve forte desabastecimento de peças para atender o setor – que já comprometia a produção -, com redução da renda que afetou, por exemplo, a demanda por automóveis e a confiança abalada do consumidor, que temeu a crise para aquisição de bens mais caros.

O setor de extração de commodities, que em termos de valor exportado, o Brasil tem como principais a soja, o minério de ferro e o petróleo, foi beneficiado pela grande procura internacional. Mas o segmento de transformação sofreu porque reúne atividades que ainda padecem com a escassez de insumos e que registram alta de custos.

É a situação de veículos automotores em geral. A produção em julho dessa atividade estava em 18,5% inferior ao verificado em fevereiro de 2020. É a maior distância negativa dentro da indústria de transformação apontada antes da pandemia. Também emperram o crescimento, as atividades com máquinas e equipamentos. No sétimo mês deste ano, a produção estava 17,2% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020.

Estudiosos e empresários do ramo avaliam que a recuperação da economia deve seguir de maneira heterogênea no segundo semestre de 2021. Ou seja, com serviços em alta, comércio mais comedido e indústria fraca pela falta de insumos (matéria-prima, equipamentos, capital e horas de trabalho que são a base para produzir mercadorias ou serviços). Espera-se que o fornecimento de insumos só deva ter uma melhora mais consistente em 2022. (Especial para O Hoje)

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