sexta-feira, 8 de maio de 2026
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Operação resgata 116 trabalhadores em escravidão em uma fazenda

Os trabalhadores estavam em condições indignas

Maiara Dal Boscopor Maiara Dal Bosco em 22 de outubro de 2021
Os trabalhadores estavam em condições indignas | Foto: Reprodução
Os trabalhadores estavam em condições indignas | Foto: Reprodução

Uma operação em Goiás esta semana resgatou 116 trabalhadores que estavam em condições análogas à escravidão em uma fazenda de Água Fria de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. As pessoas realizavam a extração de palhas de espigas de milho, utilizadas na produção de cigarro e haviam sido aliciadas no Maranhão, Minas Gerais, Piauí e São Paulo. A ação foi realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que é composto pelo Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO), Ministério do Trabalho e Previdência, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Defensoria Pública da União (DPU).

Além de não terem nenhum direito trabalhista, como pagamento de salário, contrato de trabalho, alojamentos em condições dignas, jornada regular, entre outros, o pagamento que os trabalhadores recebiam consistia apenas em R$ 5 por quilo de palha extraída. O GEFM encontrou, ainda, cinco crianças e adolescentes trabalhando de forma irregular no local.

Condições  

Os trabalhadores estavam alojados em casebres, muitos deles sem revestimento interno, vedação adequada e as mínimas condições de higiene. Alguns dos resgatados preferiram barracas para se protegerem da chuva, tamanha era a precariedade dos alojamentos. Outros tantos dormiam em redes ou em colchões no chão. Medidas de prevenção à transmissão da Covid-19 não foram tomadas.

Segundo o MPT-GO, os valores relativos às ferramentas de trabalho e roupas eram descontados. A alimentação fornecida também era insuficiente – apenas duas marmitas por dia, contendo arroz e um pouco de carne. Às 5h os trabalhadores já tinham de estar no ônibus que os levava ao local da colheita. A primeira refeição do dia era fornecida somente às 11h. A atividade exigia movimentos repetitivos e era feita sob sol ou chuva.

Reparação

A empresa responsável foi notificada pelos auditores-fiscais do Trabalho a formalizar os contratos de trabalho (de forma retroativa) e a pagar todos os direitos trabalhistas – os quais somam R$ 900 mil. Também foram emitidas guias de seguro-desemprego (modalidade Trabalhador Resgatado), que consistem em três parcelas mensais de um salário mínimo. O MPT e a DPU propuseram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), para que todas as normas trabalhistas fossem regularizadas e fosse pago um valor a título de indenização por danos morais coletivos. Porém, a empresa não aceitou assinar o documento.

“O MPT ajuizará uma ação civil pública, para que os futuros trabalhadores contratados por essa empresa não venham a ter seus direitos lesados, bem como exigir que os danos sociais sejam reparados financeiramente”, explica o procurador do Trabalho Tiago Cabral, que representou o órgão na operação.

Como denunciar

Para registar uma denúncia, estão disponíveis os seguintes canais: Ministério Público do Trabalho – site (mpt.mp.br) ou aplicativo (MPT Pardal) e se o caso for em Goiás, o endereço é prt18.mpt.mp.br. É possível ainda, denunciar na Subsecretaria de Inspeção do Trabalho: Sistema Ipê (ipe.sit.trabalho.gov.br). (Especial para O Hoje)

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