quinta-feira, 25 de junho de 2026
Briga

Desapropriação pode tomar proporções do Parque Oeste Industrial

Cerca de 500 famílias estão na maior área urbana ocupada irregularmente em Goiânia

Maiara Dal Boscopor Maiara Dal Bosco em 29 de outubro de 2021
Cerca de 500 famílias estão na maior área urbana ocupada irregularmente em Goiânia. | Foto: Reprodução
Cerca de 500 famílias estão na maior área urbana ocupada irregularmente em Goiânia. | Foto: Reprodução

As cerca de 500 famílias que vivem na maior área urbana ocupada irregularmente em Goiânia desde 2014, nas chácaras 298, 299 e 300 no Jardim Novo Mundo, aguardam um novo capítulo nessa briga pela ocupação. Isso porque um dos advogados à frente do caso, Fernando Sales, requereu ao juiz da 8ª Vara Federal, Urbano Leal Berquó, que não despeje a população que mora no local, de titularidade da União.

De acordo com o advogado, que está à frente do caso, as famílias iniciaram as casas com lona e madeira e, ao longo do tempo, investiram com alvenaria. Ele destaca que estas pessoas são honestas e trabalhadoras em vivem em condições de vulnerabilidade, e que as famílias temem pelo uso da força policial no local, a exemplo do que aconteceu no Parque Oeste Industrial, em 2005. “Prezamos pela vida e pela dignidade da pessoa humana, e junto à Comissão de Direitos Humanos da OAB, pedimos por esse cumprimento”, afirma. Fernando Sales destaca que a Prefeitura de Goiânia e o Estado de Goiás foram omissos por não cumprirem a decisão judicial.

“Somente fizeram o cadastro social para a inserção no Cad Único, sendo que a outra condição na decisão é que a transferência dessas famílias para unidades habitacionais e essas unidades não foram construídas”, aponta. Segundo ele, a omissão do Estado e do município dizem respeito ao não atendimento integral à determinação do juiz para a retirada de forma pacífica dessas famílias do local. “Agora, eles não podem transferir as responsabilidades [da saída] para essas famílias”, afirma.

Trâmites

Fernando Sales explica que em 2019 foi concedida uma decisão liminar pelo juiz Urbano Leal Berquó, para reintegrar a posse da área à União. O juiz, apesar de ter concedido a decisão, deu 12 meses para que a prefeitura e a União, direcionassem as famílias para locais habitacionais. Em novembro de 2020, no dia 10, o advogado entrou com um pedido fundamentando que, diante da pandemia causada pela Covid-19 e também pelos entes públicos não terem conseguido avançar no cumprimento da ordem, que as famílias não poderiam ser prejudicadas em uma reintegração.

“Isso tendo em vista que o principal objeto das recomendações sanitárias era de que as pessoas ficassem em casa, e o juiz acatou. Entretanto, essa mesma decisão veio concedendo o prazo de mais 12 meses, ou seja, com validade até 10 de novembro de 2021”, afirmou, Diante disso, o advogado destacou que ingressou novamente com o mesmo objeto e pedido, uma vez que, além do não cumprimento e de a pandemia ter postergado, a prefeitura não conseguiu, juntamente com o Estado e União a construção do direito social – o direito à moradia.

Próximos passos

O membro da comissão de Direitos Humanos da OAB Goiás, explicou à reportagem ainda que, os próximos passos no caso seriam a revogação da decisão para que não ocorresse a retirada das famílias dessa área. Os advogados responsáveis, Leandro Sales e Fernando Sales, informaram ainda que já solicitaram uma audiência em grau de urgência com o juiz federal da 8ª Vara para que seja apreciado o requerimento formulado e acatado o pedido para que as famílias permaneçam no local diante das circunstâncias que foram fundamentadas por eles no referido requerimento jurídico.

“São famílias que estão ali e que querem ter identidade e lutam por um direito social que estão estabelecidos na Constituição Federal no artigo 6, que dispõe sobre o direito à moradia digna e na Declaração Universal dos Direitos Humanos – artigo 17, que dispõe do direito à propriedade aos vulneráveis além do reconhecimento da dignidade, justiça social. São seres humanos que acreditam na justiça e que não vão ser desamparados”, destaca.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Planejamento (SEPLANH) para se pronunciar sobre o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. (Especial para O Hoje)

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