Moradores de São Gonçalo acusam PM de chacina após encontrarem 7 corpos, no RJ
Moradores da comunidade acusam a PM de cometer chacina em represália à morte de um sargento durante confronto no último sábado (20)
Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), encontraram ao menos sete corpos com marcas de tiro em uma região de mangue próxima à comunidade, na manhã desta segunda-feira (22/11). As vítimas foram encontradas após a Polícia Militar do Rio de Janeiro realizar uma operação contra traficantes na região, no último domingo (21).
Os moradores da comunidade acusam a PMRJ de cometer chacina contra os suspeitos, em represália à morte do sargento Leandro da Silva, que perdeu sua vida durante confronto com os suspeitos no sábado (20). Nenhum dos corpos foi identificado até o momento.
De acordo com a PM, no sábado (20), equipes do Batalhão de São Gonçalo foram atacadas “nas proximidades de uma área de mangue com mata”. O sargento da PM Leandro da Silva foi ferido, levado para o hospital, mas não resistiu e morreu.
O Batalhão de Operações Especiais (Bope) esteve ontem na região após receber informações de que um dos homens responsáveis pelo ataque que vitimou Silva ainda estava ferido no interior da comunidade. A corporação afirma que foi até o conjunto de favelas para uma operação de “estabilização”.
Acusações de chacina
Em entrevista ao portal Uol, uma moradora de outra região da comunidade disse que o número de mortos pode ser muito maior. “Falam em muitos mortos no interior do mangue, pedem ajuda para retirar, famílias estão desesperadas procurando filhos e outros parentes”, disse em entrevista.
Outro morador afirmou que se estima que o número de mortos pode chegar a 15. “Disseram que entrou um grupo grande de meninos dentro do mangue e 8 fugiram. Os meninos da comunidade têm o hábito de se refugiarem no mangue”, afirmou.
A PM informou que “dará início a uma ação no local e permanecerá na região para garantir o trabalho de perícia da Polícia Civil”. De acordo com a Polícia, os militares confrontaram suspeito no domingo e um homem morreu no local. A corporação afirma que ele foi reconhecido como um dos envolvidos no ataque criminoso à guarnição da PM que vitimou o sargento Silva.
A Defensoria Pública do Rio disse que teve conhecimento sobre a operação no Complexo do Salgueiro ainda na noite de ontem. A ouvidoria comunicou o caso ao Ministério Público para adoção de medida cabíveis.
A Defensoria disse ainda que está em contato com as lideranças locais prestando orientações necessárias. O defensor público geral, Rodrigo Baptista Pacheco, afirmou nas redes sociais que o órgão acompanha o caso e que se encontrará com as famílias no começo da tarde de hoje.
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