terça-feira, 14 de abril de 2026
Negócios

Combustíveis, mercadorias, aluguel e energia estão sufocando os pequenos negócios

Pesquisa de Impacto da Pandemia nos Pequenos Negócios mostra dificuldades para negócios se manterem ativos

Augusto Sobrinhopor Augusto Sobrinho em 27 de novembro de 2021
Pesquisa de Impacto da Pandemia nos Pequenos Negócios mostra dificuldades para negócios se manterem ativos | Foto: Reprodução
Pesquisa de Impacto da Pandemia nos Pequenos Negócios mostra dificuldades para negócios se manterem ativos | Foto: Reprodução

Pequenos negócios têm sido pressionados pela alta dos preços das mercadorias, os sucessivos aumentos nos combustíveis, aluguéis de imóveis mais caros e cobranças de energia elétrica cada vez mais alta. Esta realidade foi verificada através da 12ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia nos Pequenos Negócios, que é realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre o fim de agosto e o início de setembro, com mais de seis mil respondentes de todos 26 Estados e do Distrito Federal.

Segundo o levantamento, mais da metade (63%) dos microempreendedores individuais (MEI) e 61% das micro e pequenas empresas (MPE) afirmam que os gastos com insumos, mercadorias e combustíveis estão comprometendo os rendimentos dos negócios. Além disso, se estes três foram somados as despesas com gás e energia elétrica as reclamações sobem para 76% para os MEI e 77% para as MPE e, por fim, com o aluguel, o número alcança 13% dos MEI e por 15% das MPE.

Este cenário ainda pode ser mais crítico se for levado em consideração o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deste ano até agosto, pois, neste período, o preço da gasolina avançou 31,09%, enquanto o do diesel acumula alta de 28,02%, segundo o indicador dos preços que chegam as famílias brasileiras. A expectativa do setor financeiro é que o indicador fique em torno dos 8% em 2021.

O presidente do Sebrae, Carlos Melles, afirma que esta realidade dificulta ainda mais a manutenção do pequenos negócios. “Caso essa estimativa se confirme é possível que mais empreendedores sintam esse impacto, o que dificultará ainda mais o processo de retomada dos pequenos negócios, que estão começando a se recuperar dos danos causados pela pandemia”, comenta.

Quando analisados por porte da empresa e setores, a alta dos preços das mercadorias e combustíveis exercem pesos diferentes. Apesar dos dois itens seguirem o mesmo grau de importância entre os microempreendedores individuais (MEI) e as micro e pequenas empresas, o preço dos insumos têm um impacto maior nas MPE (39%) do que entre os MEI (35%), e o preço dos combustíveis pesa mais nos microempreendedores individuais (28%) do que nas micro e pequenas (22%).

A mesma diferença acontece entre homens e mulheres. Para 32% dos homens, os gastos com combustíveis têm maior peso, contra 17% das mulheres. Já entre as empreendedoras, o que mais pressiona são os gastos com insumos e mercadorias: 41% delas indicaram esse quesito, enquanto apenas 34% dos homens escolheram essas mesmas opções.

“Esse resultado é reflexo de muitas atividades que existem mais em determinados portes e perfis, como por exemplo, motoristas e entregadores de aplicativos, que são na maioria das vezes microempreendedores individuais, homens e que dependem do combustível para trabalhar. Assim como as indústrias, que geralmente são micro ou pequenas empresas e dependem mais de matéria-prima”, analisa o presidente do Sebrae.

De acordo com a 12ª edição da pesquisa de Impacto, para 62% das Indústria o custo das mercadorias é o que tem mais peso, seguido pelo Comércio (49%), Agropecuária (47%), Construção Civil (36%) e Serviços (25%). Já quando o assunto é combustível, ele pesa mais nos empreendimentos da Construção Civil (41%), Agronegócio (34%), Serviços (32%), Comércio (18%) e Indústria (14%).

Apesar desta difícil realidade, o relatório produzido pelo Sebrae, pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ) e a Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020 aponta que o empreendedorismo ainda se mantém como possibilidade para superar a pandemia. “A pesquisa fez uma estimativa de que 50 milhões de brasileiros ainda não empreenderam e querem abrir um negócio. Desse total, 1/3 teria sido motivado pela pandemia”, afirmou Carlos Melles.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.