segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Esgotamento mental

Síndrome do Burnout passa ser considerado doença do trabalho pela Organização Mundial da Saúde

Para especialista, empresas poderão ser responsabilizadas em processos judiciais por esgotamento mental de funcionários

Fernanda Santospor Fernanda Santos em
Para especialista, empresas poderão ser responsabilizadas em processos judiciais por esgotamento mental de funcionários | Foto: Reprodução/ Google
Para especialista, empresas poderão ser responsabilizadas em processos judiciais por esgotamento mental de funcionários | Foto: Reprodução/ Google

A Organização Mundial da Saúde (OMS) irá considerar, a partir de 1º de janeiro de 2022, a Síndrome de Bornout uma doença do trabalho. Com isso, ela passará a ser classificada como CID 11, conforme proposto durante conferência internacional de 2019, cujo documento passa a valer no próximo ano.

A CID 11 ainda inclui o estresse pós-traumático, distúrbios em games e resistência antimicrobiana. No documento, a Síndrome de Burnout é oficializada como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. Com a mudança, ela terá relação direta com o ambiente de trabalho e traz responsabilidade para a empresa sobre a saúde dos funcionários.

De acordo com Roberto Aylmer, médico, PhD e professor da Fundação Dom Cabral, para a revista Exame, o reconhecimento pela OMS terá efeito em processos trabalhistas relacionados ao tema. “Com essa classificação, uma vez que o médico faz o diagnóstico, a empresa tem culpa. Não é a pessoa que é exigente demais, perfeccionista ou faz parte de um perfil mais propenso, não é mais uma cobrança interna apenas”, afirma.

A Justiça irá avaliar o caso a partir do laudo médico. Deverão ser coletadas provas de degradação emocional e fatores que podem provocar a síndrome, como assédio moral, cobranças agressivas e metas irrealistas.

Segundo o médico, a pandemia também teve efeito sobre a saúde mental dos funcionários. “Tivemos um acúmulo de coisas esquisitas e estressantes, não poder sair de casa, lidar com a morte, alto desemprego, trabalho em casa sem poder recarregar… foi muito doloroso”, afirmou. Com isso, Aylmer acredita que promoveu um comportamento de que para demonstrar comprometimento no trabalho é preciso sofrer. “Horas extras, mensagens fora do expediente, trabalho no final de semana são formas de mostrar para empresa o trabalho duro”, observa.

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