Votação

Segunda audiência sobre Plano Diretor não agrada população

Moradores cobram mais discussões sobre as alterações no Plano Diretor da Capital

Redaçãopor Redação em 14 de dezembro de 2021
Moradores cobram mais discussões sobre as alterações no Plano Diretor da Capital | Foto: Reprodução
Moradores cobram mais discussões sobre as alterações no Plano Diretor da Capital | Foto: Reprodução

Por Yago Sales

Paulo Marcus Baiocchi, de 67 anos, morador do Setor Sul há 45, passou parte do final de semana debruçado sobre o calhamaço do volume 24 do novo Plano Diretor de Goiânia. É a forma que ele, um paisagista conhecido da capital, encontrou para não permitir que os vereadores votem, à revelia dos interesses da cidade, o documento que vai determinar os rumos de Goiânia nos próximos dez anos. 

Baiocchi é um dos cidadãos preocupados com o rumo com que a Câmara de Goiânia tem dado ao rito burocrático e, segundo pessoas envolvidas no processo ouvidas pelo jornal O Hoje, sem publicidade. “Eles [vereadores] estão correndo com muita pressa, com uma ansiedade gritante no sentido de aprovação deste Plano Diretor, com isto desrespeitando o trâmite normal citado no estatuto da cidade, com falta de transparência das decisões que poderão impactar gravemente em nosso setor”, explica ele, claramente contrariado e que inclusive fixou uma faixa na porta de casa com os dizeres: “O mercado imobiliário não irá decidir o nosso futuro”.

Além do documento, Baiocchi tenta entender o estudo elaborado pelo Grupo de Estudo criado pela Prefeitura para análises das mais de 200 emendas, que, para ele, não são claras sem a visualização em mapas, que devem ficar prontos no dia da votação do documento pelos vereadores no Plenário da Câmara. “Além de não ser concedido o prazo legal de 15 dias para estudo do volume 24, pela população e ou associações. Estamos discutindo algo imcompleto”, reclama o morador. 

Ele se preocupa com a flora e fauna dos lotes. “Eles querem fazer prédios sem estacionamentos. A última coisa que pensamos é valorização. Pensamos na fluidez do Setor Sul”, afirma ele. “Tem sombra encobrindo as casas. É isso que estamos lutando, para não perdermos a qualidade de vida. E essa temperatura pode impactar”. Quando chegamos mais perto de um parque a gente sente a qualidade do ar. Uma temperatura mais baixa. Olha lá no Areião”, disse. 

Baiocchi foi um dos participantes da audiência pública promovida pela pela Comissão Mista da Câmara para discutir o novo Plano Diretor  nesta segunda-feira (13).  Na próxima audiência, na quarta, Baiocchi deverá levar uma discussão mais voltada para o cotidiano e pela qualidade do goianiense. Ocorrerão outras duas audiências, 13 e 15 de dezembro.

Além de 12 vereadores, participaram, presencialmente e online, servidores da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e representantes de associações de bairro da capital. Outra vez foi discutida a falta de transparência no processo e, principalmente, a disponibilidade de informações.  A presidente da Associação Amo Jaó, Adriana Reis, também afirmou que não houve tempo hábil para o estudo dos volumes do novo Plano Diretor.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.